Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > FIM DO REDIRECIONAMENTO

Facebook quer hospedar conteúdo jornalístico em suas páginas

Por lgarcia em 26/03/2015 na edição 843

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações deRavi Somaiya, Mike Isaac e Vindu Goel [“Facebook May Host News Sites’ Content”, The New York Times, 23/3/15], de Alexis Sobel Fitts [“What happens when platforms turn into publishers?”, Columbia Journalism Review, 24/3/15] e de Felix Salmon [“How Facebook could kill the news brand”, Fusion, 24/3/15]

O Facebook está negociando com empresas de comunicação para passar a hospedar conteúdo jornalístico em sua própria página em vez redirecionar o leitor a links para sites externos, como acontece atualmente.

O novo formato deve começar a ser testado nos próximos meses, declararam duas fontes ao New York Times, sob condição de anonimato. Espera-se que os parceiros iniciais sejam o próprio New York Times, o BuzzFeed e a revista National Geographic, embora outros possam ser acrescentados ao longo das negociações.

Perda de tráfego

Para as empresas, no entanto, é preciso calcular o risco em se fazer uma parceria do gênero, afinal os cliques vindos de redes sociais acrescentam bastante ao tráfego de seus sites. Além disso, o novo formato impediria os editores de terem acesso ao perfil médio de seus leitores, o que por sua vez prejudicaria os estudos de público para elaboração de conteúdo e vendas publicitárias.

Por outro lado, caso o programa dê certo, é possível que aqueles que não aderirem saiam perdendo, afinal um dos princípios básicos do jornalismo é “Vá para onde seu público está”. E, querendo ou não, o Facebook ainda é a maior rede social da atualidade.

O jornal britânicoThe Guardian enxergou a novidade sem empolgação; diz-se inclusive que seus funcionários têm sugerido informalmente a colegas de outras publicações que os editores deveriam se unir para negociar acordos que funcionassem para todo o nicho editorial.

O Facebook, por sua vez, garante que tem apresentado medidas para deixar a proposta mais atraente às editoras, discutindo meios destas ganharem dinheiro com a publicidade que acompanharia o conteúdo cedido.

Prós e contras

Alexis Sobel Fitts, colunista da Columbia Journalism Review, demonstrou preocupação com a medida, principalmente no que diz respeito aos algoritmos do Facebook, que permitem supressão de publicidade, impulsionamento de conteúdo mediante pagamento, etc. Ela teme que a medida vá prejudicar o jornalismo em favor dos negócios. Alexis aponta ainda para questões como os direitos sobre o conteúdo (e os dados de usuários), afinal, se tudo estará hospedado no Facebook, então será propriedade do Facebook.

Já Felix Salmon, do site Fusion, é mais otimista e compreende que é preciso buscar um novo modelo de negócios. Ele crê que a informação é muito mais importante do que o veículo de onde ela se originou e que o leitor de hoje dá muito mais atenção ao que viu no Facebook ou no Twitter do que àquilo que leu em alguma publicação tradicional. Ele não deixa de apontar, no entanto, que é preciso analisar a questão do controle e direitos sobre o conteúdo e que a novidade pode trazer uma crise existencial aos jornalões mais tradicionais que não souberem se encaixar nos novos formatos.

Embora tenha declinado comentar esta nova medida em especial, o Facebook declarou que sempre deseja aperfeiçoar a experiência de consumo de conteúdo online. 

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