Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > ENTREVISTA / MARÍLIA GABRIELA

“Fazer publicidade não me compromete”

Por Morris Kachani em 31/08/2010 na edição 605

Marco da televisão brasileira, o Roda Viva, da TV Cultura, inaugura amanhã [segunda, 30/8] um novo ciclo.


Marília Gabriela, 62, estreia como apresentadora, tendo a seu lado dois debatedores fixos, os jornalistas Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite, e outros dois convidados. O programa também deixa de ser exibido ao vivo.


A expectativa de Marília com a estreia é a melhor possível. Ex-apresentadores do programa ouvidos pela Folha, no entanto, apontam desafios.


A manutenção de dois outros talk shows de Marília no ar, no SBT e no GNT, gera questionamento. E o formato com dois debatedores fixos também.


Quando foi concebido, em 1986, ainda sob o impacto das Diretas, o objetivo do Roda Viva era assegurar a pluralidade de opiniões, trazendo uma bancada de diferentes entrevistadores.


Como o programa era exibido ao vivo, havia mais espaço para a intervenção dos telespectadores.


E a aparição de Marília Gabriela em anúncios de margarina e de software – não haveria um conflito de interesses? A estas perguntas a jornalista respondeu na entrevista a seguir.


***


No que o Roda Viva se diferencia dos seus outros programas?


Marília Gabriela – São todos de entrevista, mas no Roda Viva faço o papel de mediadora.


Como são selecionados os entrevistados? Não há conflitos com outros programas?


M.G. – Não vejo assim. Nas listas que estamos fazendo, a gente senta e decide onde determinada personalidade vai encaixar melhor naquele momento e dentro das características de cada programa. O Ronaldo, que já esteve no SBT, poderia perfeitamente aparecer no Roda Viva neste mês. Agora vou estrear com o Eike Batista, que já entrevistei no GNT.


A bancada com dois jornalistas fixos não pode engessar o programa?


M.G. – O que me perturbava era um número imenso de participantes, todos querendo falar, e mudando de assunto rapidamente. As ideias ficavam truncadas. Um programa novo, após quase 25 anos, era o mínimo a fazer.


O cenário muda?


M.G. – O formato da roda continua, mas o programa não tem mais aquela arena em que o entrevistado ficava em um plano inferior com todo mundo lá em cima.


Você continua fazendo publicidade?


M.G. – Fiz pelo menos três peças neste ano, e sabe por quê? Porque me sustenta maravilhosamente. Aí eu posso trabalhar na Cultura e ficar satisfeita.


Comenta-se que seu salário será de R$ 150 mil.


M.G. – Não é verdade. É menos que um terço disso. Estou na Cultura por outros motivos, não por salário. Agora, publicidade eu faço há anos. Não acho que isso comprometa.


Você está vendendo sua credibilidade, é delicado.


M.G. – Muitos jornalistas podem não aparecer fazendo publicidade desse porte que eu fiz, mas fecham contrato para apresentar eventos corporativos ou dar palestras. Eles fazem e não aparece em público, enquanto criticam quem aparece fazendo. Acho tudo muito hipócrita.


Mas são trabalhos distintos.


M.G. – Honestamente, a mim não faz tanta diferença você dizer que determinado jornalista viajou a convite de uma companhia aérea ou eu aparecer assinando um trabalho. De uma forma ou de outra, estamos sendo patrocinados.

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/08/2010 Guilherme Mello

    Na minha profissão, medicina, vários colegas viajam e recebem patrocínio de laboratórios com o mesmo argumento de que não há comprometimento nisto. Sei não…

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