Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > SUPER BOWL

Feministas protestam contra anúncio antiaborto

28/01/2010 na edição 574

Antes mesmo de ir ao ar, um anúncio antiaborto com o atleta Tim Tebow e sua mãe já provoca polêmica nos EUA. A peça publicitária que será exibida no intervalo do Super Bowl, final do campeonato de futebol americano, no dia 7/2, foi paga pelo grupo conservador cristão Focus on the Family (Foco na Família, tradução livre) e conta a história da gravidez de Pam Tebow, em 1987, com o tema ‘Celebre a família, celebre a vida’. Depois de se sentir mal durante uma viagem para as Filipinas, Pam ignorou uma recomendação médica para abortar seu quinto filho e deu à luz Tim.


Uma coalizão nacional de grupos feministas dos EUA pediu à emissora CBS para cancelar seus planos de exibir o anúncio. Um comercial de 30 segundos durante o Super Bowl custa de US$ 2,5 a 2,8 mihões. Gary Schneeberger, porta-voz do Focus on the Family, disse que o financiamento veio de doações de ‘poucos amigos muito generosos’ e não do fundo geral do grupo. Ele disse estar um pouco surpreso com a repercussão provocada pela peça, antes mesmo de sua exibição. ‘Não há nada político e controverso. Os críticos vão se surpreender com seu conteúdo’. O atleta é completamente contra o aborto. ‘Sei que muitos não vão concordar, mas acho que todos têm que pelo menos respeitar o que eu defendo e acredito’, declarou Tebow.


A carta de protesto dos grupos feministas sugeria que a CBS não devia ter aceito o anúncio, em parte porque foi criado pelo Focus on the Family. ‘Ao abrir um dos espaços publicitários mais cobiçados do ano para uma organização homofóbica, anti-escolha e anti-igualdade, a CBS está se alinhando à posição política que irá prejudicar sua reputação, alienar telespectadores e desencorajar consumidores para apoiar seus programas e anunciantes’, dizia o documento. ‘Um anúncio que usa o esporte para dividir, em vez de unir, não tem lugar no maior evento esportivo do país, destinado a unir os americanos’, opinou Jehmu Greene, presidente do Centro de Mídia de Mulheres. A organização coordena o protesto com o apoio da Organização Nacional para as Mulheres e a Maioria Feminista, dentre outros grupos.


A CBS aprovou o roteiro do polêmico vídeo, que tem duração de 30 segundos. Segundo Dana McClintock, porta-voz da rede, qualquer anúncio aprovado é ‘apropriado para ir ao ar’. Todas as redes de TV nacionais têm normas para a exibição de certos tipos de anúncios de grupos controversos. Em 2004, a CBS citou esta política para rejeitar um anúncio da organização liberal United Church of Christ, argumentando que a postura da igreja a favor dos gays poderia não ser bem vista pelo público mais conservador. Na época, a emissora foi criticada – o que talvez tenha influenciado sua decisão de não recusar um anúncio com um atleta tão carismático como Tebow. Informações de David Crary [AP, 25/1/10].

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