Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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ENTRE ASPAS >

Filho de Murdoch critica políticas de comunicação

01/09/2009 na edição 553

O presidente e executivo-chefe do conglomerado de mídia News Corporation na Europa e na Ásia, James Murdoch, criticou as políticas de telecomunicações do Reino Unido, alegando que a ‘dominação’ da rede pública de rádio e TV BBC ameaça o jornalismo independente no país. James, filho do magnata Rupert Murdoch, participou como palestrante do Festival de Televisão de Edimburgo, na semana passada, e distribuiu críticas para tudo quanto é lado. O executivo ressaltou que, ainda que a tendência mundial seja que as linhas entre as diferentes formas de mídia se tornem cada vez mais tênues, os setores de televisão e rádio britânicos ainda permanecem centralmente planejados. ‘Temos atitudes analógicas na era digital’, opinou.

James ressaltou que o governo britânico regula a indústria midiática com ‘entusiasmo’, com a criação de entidades como o BBC Trust, conselho que representa os contribuintes da rede, o Channel 4, canal de TV que tem um papel público, mas é financiado por publicidade, e a instituição reguladora Ofcom. ‘A BBC é dominante. Outras organizações podem crescer e falir, mas a renda da BBC é garantida e é cada vez maior’, disparou o empresário, que também é presidente não-executivo da empresa de TV paga via satélite BSkyB.

Para ele, entretanto, a proteção à BBC – que recebe 3,6 bilhões de libras anuais em taxas pagas pelos contribuintes – é prejudicial, já que as rivais comerciais sofrem, atualmente, com a queda de lucros publicitários. ‘Neste mercado, a expansão de um jornalismo financiado pelo governo é uma ameaça à pluralidade e à independência das notícias, o que é muito importante para a democracia’, disse. James Murdoch insistiu serem fundamentais a ‘adesão aos princípios do livre comércio’ – ou seja, a necessidade de se obter lucro – e ‘a existência de clientes que pagam pelas notícias que valorizam’. ‘É essencial para o futuro do jornalismo que um preço justo seja cobrado pelas notícias’, defendeu. Seu pai, que preside a News Corporation, declarou recentemente que passará a cobrar, em breve, pelo conteúdo online das publicações de sua organização.

Tiro para todos os lados

A Ofcom também foi alvo de críticas de James. Segundo ele, o órgão não protege as empresas britânicas da ameaça da pirataria online. Vale lembrar que a Ofcom investiga atualmente a BSkyB por acusações de concorrência desleal no mercado de TV paga. O discurso do executivo também foi uma provocação ao presidente do BBC Trust, Sir Michael Lyons. ‘O BBC Trust existe para fortalecer a BBC para o bem dos que pagam a taxa e não para agir em nome de interesses comerciais’, afirmou após o ministro da Cultura, Ed Vaizey, e a diretora da BBC Vision, Jana Bennett, terem se recusado a divulgar os salários das estrelas da emissora, como o do apresentador Jonathan Ross. Informações de James Robinson [The Guardian, 28/8/09] e de Paul Sandle [Reuters, 29/8/09].

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