Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Filosofando no bar

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 10/08/2010 na edição 602

O Café Filosófico (TV Cultura, domingos, 23 horas), foi ao ar pela primeira vez no dia 8 de dezembro de 2003 com o nome Balanço do século XX, paradigmas do século XXI. A partir do início de maio de 2004, passou a ser exibido com o nome atual. Nasceu de uma parceria entre o grupo CPFL, holding do setor elétrico brasileiro e sucessor da antiga Companhia Paulista de Força e Luz, e a Fundação José de Anchieta, controladora da TV Cultura. O programa é uma surpresa inesperada para quem espera qualidade na televisão.


O tema destes encontros de domingo é o comportamento humano visto através dos filtros da filosofia e da psicanálise. Tudo em dose certa para não cair na vulgarização da ciência, nem em sonolentas exposições acadêmicas. Seu formato não é inovador: dois apresentadores convidam, a cada programa, gente muito bem preparada para abordar temas contemporâneos, num cenário simples de café-audiência. Nada de novo, aí. A forma não traz qualquer novidade. Mas o conteúdo é surpreendente e atrativo. E não é para menos: gente muito bem preparada tem sido convidada e o resultado tem sido muito bom. O jornalista João Silvério Trevisan, os psicanalistas Sócrates Nolasco, Contardo Calligaris e Ana Maria Mautner, a antropóloga Maria Filomena Gregori, o filósofo Luis Felipe Pondé, entre muitos outros profissionais do comportamento humano, vêm transformando o final das noites de domingo. Apesar do horário não convidativo…


Programa vem resistindo e aumentando a audiência


Mas o Café Filosófico, com sua proposta de conteúdo sofisticado, é um destaque e um ponto de orgulho para a produção nacional de TV, justo no momento em que enfrentamos uma concorrência assimétrica com as grandes redes internacionais de produção. A TV Cultura, embora não seja paga, vem incluída em quase todos os ‘pacotes’ de TV por assinatura. Faz parte da grade de quase todas as operadoras. Por isso o programa é tão importante, neste momento. Agora que o Canal Brasil (que vinha se consolidando como produtor de qualidade para TV a cabo) luta para não perder a posição que vinha conquistando dentro das redes nacionais de TV paga, é importante não perdermos de vista o poder de criação, a ousadia e a capacidade de nossa produção cultural para televisão. Nosso espaço tem quer ser conquistado não por força de lei, mas através da criatividade única de nossos profissionais, e na sua capacidade de apostar em conteúdos diferenciados daqueles das grandes redes mundiais de produção. Sem esquecer do apoio das empresas mais progressistas e dispostas a investir seriamente na cultura do país.


Foi preciso coragem para por o Café Filosófico no ar. Discutir filosofia e psicanálise na televisão? A ideia parecia improvável e até absurda, mesmo para as mentes mais esclarecidas e experimentadas da mídia. Mas o programa vem resistindo e aumentando a audiência há quase uma década. Apostando que os brasileiros podem ser bem diferentes da imagem que o mundo vem tentando lhes impor desde que esta terra virou notícia.

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Professor, consultor em Urbanismo e tradutor

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