Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MONITOR DA IMPRENSA > SEQÜESTROS NO IRAQUE

Florence viva, Giuliana libertada

Por Edição de Leticia Nunes (com Dennis Barbosa) em 08/03/2005 na edição 319

A semana passada trouxe um misto de alívio e desespero para as famílias e amigos das duas jornalistas seqüestradas no Iraque. A italiana Giuliana Sgrena, do jornal de esquerda Il Manifesto, foi libertada na sexta-feira (4/3), depois de um mês em cativeiro. Ela havia sido capturada por insurgentes que exigiam a retirada das tropas italianas do país.

A alegria pela libertação da jornalista, porém, transformou-se em tristeza no sábado, quando ela era levada em um carro do serviço secreto italiano para o aeroporto de Bagdá. Em um incidente que ameaça a relação amistosa entre EUA e Itália, o carro onde estava Giuliana foi atacado a tiros por soldados americanos. Ela foi baleada no ombro e precisou passar por uma cirurgia ainda em Bagdá; o agente do serviço secreto que a acompanhava foi morto. Segundo o exército americano, o carro se aproximava em alta velocidade de um posto de controle dos EUA e não respondeu aos tiros de advertência disparados para o alto. O incidente será investigado. Giuliana chegou a Roma no sábado.

‘Por favor, me ajudem’

A confirmação de que a francesa Florence Aubenas, do jornal Libération, ainda está viva aconteceu na terça-feira (1/3), com a divulgação de um vídeo. Seqüestrada há dois meses em Bagdá, Florence aparece bastante magra e pálida na gravação, onde faz um pedido de ajuda, em inglês. ‘Meu nome é Florence Aubenas. Sou francesa. Sou jornalista do Libération. Minha saúde está muito ruim. Também estou muito mal psicologicamente. Por favor, me ajudem’, implora ela.

Florence faz um apelo especial ao deputado francês Didier Julia, que tentou intermediar, sem sucesso, a libertação dos jornalistas Christian Chesnot e Georges Malbrunot, seqüestrados no Iraque no ano passado. Quando foram libertados, em dezembro, os dois jornalistas acusaram o deputado de ter prejudicado as negociações oficiais.

Em um primeiro momento, o governo francês afirmou que o vídeo não fazia de Julia o interlocutor oficial para negociar a libertação da correspondente. Mas, na quarta-feira (2/3), o primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, pediu a ajuda do deputado, o que deu início a uma crise no parlamento. A atitude do primeiro-ministro, que condenou a ação de Julia no ano passado, foi considerada, por alguns deputados, ‘escandalosa’ e ‘patética’, informa Kerstin Gehmlich [Reuters, 3/2/05].

A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou uma declaração onde pede que os seqüestradores libertem Florence e seu intérprete, o iraquiano Hussein Hanoun. ‘Nossa organização pede aos veículos de mídia de todo o mundo, especialmente os do mundo árabe, que ajudem Florence e Hanoun’. Na gravação da jornalista, não é feita nenhuma referência ao iraquiano. Com informações dos Repórteres Sem Fronteiras [4/3/05].

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