Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 29 E 30/09

Folha de S. Paulo

02/10/2007 na edição 453

CONCESSÕES EM DEBATE
José Alberto Bombig

Franklin defende novas regras para mídia

‘O ministro Franklin Martins (Comunicação Social) afirmou ontem, em Santo André (SP), apoiar a proposta do PT de realizar uma Conferência Nacional de Comunicação que tenha como objetivo iniciar a discussão sobre um novo marco regulatório para o setor no país.

A proposta da conferência, a exemplo do que o governo fez na saúde, por exemplo, deverá ser apresentada oficialmente ao ministro pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, na próxima semana, poucos dias antes de expirar o prazo de renovação das concessões das TVs Bandeirantes, Gazeta, Cultura e de cinco afiliadas Globo.

Segundo Martins, o assunto não pode ser tratado ‘entre quatro paredes’ e as emissoras não devem se sentir ‘pressionadas’ pelo debate.

‘Eu não vejo por que as emissoras se sentiriam pressionadas se a sociedade debatesse a necessidade de você ter regras. Isso é normal. No mundo todo existem [regras]. O que não é normal é você não ter regra nenhuma e [ter] vale-tudo’, disse.

Ainda de acordo com o ministro, ex-jornalista das TVs Globo e Bandeirantes, as regras serão feitas com base nos debates. ‘Eu acho que o Brasil é madurinho para não ter medo de discussão de política.’ Ele não coloca o tema como uma prioridade do governo, mas destaca sua importância.

‘É uma coisa evidente que o Brasil não tem um marco regulatório para a área de comunicações. A legislação atual é dos anos 60. De lá pra cá, tudo mudou. É necessário repensar, discutir. Não só o PT, não. O Congresso também está pensando em colocar uma conferência sobre o tema’, disse Franklin, que ontem acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no ABC paulista.

A proposta do PT fala em ‘democratizar’ os meios de comunicação e vem sendo debatida em todos os encontros oficiais da direção do partido.

Abert

O presidente da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), Daniel Slaviero, disse que o setor não é contra a conferência, desde que sua criação seja transparente, e que pretende participar das discussões. ‘Antes, é preciso discutido como será o formato, até para que a gente possa contribuir’, afirmou.

Slaviero avalia que as acusações de que o modelo atual das comunicações é antidemocrático é incorreto. ‘Ele está dentro das regras, da lei.’

Ontem, Franklin evitou comentar a possibilidade de as concessões das TVs não serem renovadas. Segundo ele, o assunto é de competência da pasta das Comunicações.

Para ele, todas as contribuições da sociedade, junto das empresas de comunicação, de telecomunicação e do Congresso, devem participar do debate em torno de um novo marco.

Também presente ao evento no ABC, o ministro Luiz Marinho (Previdência) apoiou a conferência. ‘O debate sempre é importante. Nós temos os valores democráticos consolidados, da liberdade de imprensa, agora, essa liberdade pode ser discutida. A sociedade deve estar em sintonia com esse debate, se há liberdade, se há censura, se há interferência nas notícias ou não’, disse.

Para ele, a recém-criada TV Pública irá ajudar nas conversas em torno da questão.’

***

Crítica do PT à mídia foi intensificada

‘Nos últimos meses, o PT intensificou suas críticas aos meios de comunicação e parte da oposição chegou a apontar tentação ‘chavista’ nas posições do partido sobre o tema.

Em maio, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não renovou a concessão da Radio Caracas Televisión, a maior rede de TV privada e mais antiga daquele país e que mantinha uma postura crítica em relação a seu governo.

Conforme resolução do 3º Congresso do PT, no final de agosto, a Conferência Nacional de Comunicações terá como principal objetivo construir ‘um novo marco institucional para as comunicações (…) na perspectiva de democratizar a mídia no Brasil’.

No texto, o PT prega ‘imediata revisão dos mecanismos de outorga de canais de rádio e TV, concessões públicas que vem sendo historicamente tratadas como propriedade absoluta por parte das emissoras de radiodifusão’. O partido de Lula também fala em ‘flagrante ilegalidade em diversas emissoras’ e ‘maior transparência e agilidade nos processos e a criação de critérios e mecanismos para que a população possa avaliar e debater não somente a concessão e renovação de outorgas’.

Além de Franklin Martins, a cúpula do PT pretende entregar sua proposta de conferência aos ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Hélio Costa (Comunicações).

A decisão foi tomada na mais recente reunião da Executiva do partido.’

TV PÚBLICA
Kennedy Alencar

Conselho curador da TV pública terá poder para demitir toda a diretoria

‘O conselho curador da futura rede pública de TV terá poder de dar voto de desconfiança a respeito da diretoria executiva. Segundo apurou a Folha, isso significa a possibilidade de demissão de toda a diretoria ou de um diretor em particular.

Na próxima terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunirá, no Palácio do Planalto, os líderes dos partidos aliados para apresentar a medida provisória de criação da rede pública de TV. Os objetivos são comprometer politicamente os líderes com o projeto e assegurar uma tramitação rápida, que viabilize o plano do governo de levar ao ar a rede pública até o dia 2 de dezembro -data em que terá início a transmissão digital em TV aberta no país.

Oficialmente, a rede se chamará Empresa Brasil de Comunicação, mas terá nome fantasia de TV Brasil. Integrarão a rede o Sistema Brasil de Rádio e a Agência Brasil de Notícias.

A possibilidade de voto de desconfiança constará da MP. O conselho curador, que terá 20 integrantes, poderá dar um voto de desconfiança para toda a diretoria ou para um diretor. O primeiro voto é de advertência. Se houver um segundo voto de desconfiança, o governo será obrigado a trocar a diretoria.

O voto de desconfiança do conselho curador é um expediente que consta de rede públicas da Europa. O conselho curador, que terá 4 representantes do governo, 1 dos funcionários e 15 da sociedade, possuirá o poder de fiscalizar e de determinar as diretrizes da TV.

No Orçamento para 2008, constam R$ 350 milhões em recursos para a rede pública. Durante a fase de preparação será executado o orçamento da Radiobrás e da TV educativa federal para 2007. No ano, esse orçamento soma R$ 220 milhões, mas parte já foi gasta nas atividades dessas estatais.

O órgão executivo da TV pública será composto por uma diretoria. A presidente será a jornalista Tereza Cruvinel, ex-colunista do jornal ‘O Globo’ e ex-comentarista da Globonews, canal pago de notícias das Organizações Globo.

A jornalista Helena Chagas foi indicada para a diretoria de jornalismo. Foi uma escolha direta de Cruvinel e do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins. Cruvinel e Chagas trabalharam juntas na sucursal brasiliense do jornal ‘O Globo’. Além das afinidades profissionais, têm boa relação pessoal.

O secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, será o número dois de Cruvinel, num arranjo político para contentar os ministros Franklin e Gilberto Gil (Cultura). Senna era o candidato de Gil a presidente da TV.

O órgão executivo deverá ter até oito integrantes. Cruvinel, Senna, Chagas e outros quatro ou cinco, que serão diretores de áreas, como rede, progra- mação, equipamento, administração.’

VIOLÊNCIA & MÍDIA
Folha de S. Paulo

Polícia conclui que repórter sofreu tentativa de assalto

‘A Polícia Civil de Goiás concluiu que o crime contra o repórter Amaury Ribeiro Júnior, 44, foi uma tentativa de assalto. ‘As investigações nos levam a convicção de que não houve atentado’, disse o delegado regional de Luziânia, José Luís Araújo.

O jornalista fazia reportagens sobre a violência e o tráfico de drogas no entorno do Distrito Federal. No dia 19, ele levou um tiro na barriga, quando fazia uma reportagem na Cidade Ocidental.

Apesar de a polícia considerar as investigações concluídas, o repórter do jornal ‘Estado de Minas’ que produzia reportagens para o ‘Correio Braziliense’ ainda não foi ouvido pela Polícia Civil de Goiás. ‘Tivemos dificuldades em ouvir a vítima porque ela está se restabelecendo’, disse o delegado.

Amaury afirma que nunca impôs a sua atual condição como uma dificuldade de ser ouvido. Conta ainda que o seu depoimento estava agendado para esta semana e foi desmarcado sem explicações. ‘Se for assalto, é claro que eu vou ficar muito mais tranqüilo, minha família fica mais tranqüila, mas está muito estranho isso’, disse.

Quatro acusados estão detidos em Luziânia, entre eles, rapaz de 17 anos. Daniel Lenno das Neves, 26, confirmou ter sido o autor do disparo. Segundo a polícia, ele convenceu os outros três a lhe dar proteção enquanto ele entrava no bar em que o repórter estava. A polícia diz que os acusados disseram desconhecer Amaury e o fato dele ser jornalista.

Segundo os depoimentos, quando o roubo foi anunciado o repórter reagiu. Amaury nega ter ouvido o aviso de assalto e se queixa de não ter tido a chance de reconhecer os acusados. ‘Outra coisa que eu questiono é que, se eram quatro homens, por que só um entrou?’, diz Amaury.

Segundo a Polícia Civil, o motorista do jornal, que estava com o repórter, deu detalhes suficientes para a conclusão da investigação. O delegado disse que é improvável que o depoimento de Amaury mude as conclusões.’

MIANMAR
Folha de S. Paulo

Regime de Mianmar corta internet

‘O governo militar de Mianmar desconectou ontem o país da internet, como forma de impedir o vazamento de testemunhos, fotografias e vídeos sobre a repressão desencadeada nesta semana contra monges budistas, estudantes e opositores.

A France Presse ouviu de um funcionário da ditadura que as conexões deixaram de funcionar em razão ‘de problemas com um cabo submarino’. Mas a versão é contestada pela entidade RSF (Repórteres Sem Fronteiras), que monitora as dificuldades de comunicação impostas pelos militares locais.

O país tem apenas dois provedores de acesso: um é ligado ao Ministério das Telecomunicações, e o outro, Bagan Cybertech, é dirigido pelo filho do primeiro-ministro.

A RSF diz que os computadores pessoais são registrados por organismo oficial e que os cibercafés, antes de serem fechados nesta semana, fichavam os usuários e os obrigava a gravar em disquete os links acessados.

‘Mianmar está submetida a um blecaute informático’, disse ontem o autor de um blog, em mensagem provavelmente enviada por celular ao ‘New York Times’. Entre as poucas mensagens transmitidas estava a que dizia estar em chamas uma delegacia de polícia.

Fotógrafo japonês

Também chegou a Tóquio um vídeo feito por celular com a cena do assassinato, anteontem, do fotógrafo japonês Kenji Nagai. Contrariamente à informação oficial, de que ele foi vítima de uma bala perdida, o vídeo comprova que ele foi deliberadamente alvejado por um militar que reprimia manifestantes em local público.

O chanceler do Japão, Masahiko Komura, afirmou que o incidente é comprometedor. O primeiro-ministro Yasuo Fukuda determinou que um diplomata de alto escalão apurasse em Mianmar o episódio.

A Associated Press diz que em dez dias mais de 100 mil internautas uniram-se numa comunidade mundial para divulgar as poucas informações que chegam daquele país asiático.

Fotos de satélites

Nos Estados Unidos, a Sociedade Americana pelo Progresso da Ciência afirmou que fotos de alta definição por satélite revelam o desaparecimento, no primeiro semestre, de 18 aldeias, o que pode ser indício de brutal violação dos direitos humanos, como genocídio.

O Open Society Institute anunciou que passará a monitorar imagens por satélite que chegarem da região.

A ditadura informou anteontem que dez pessoas foram assassinadas. Mas em Londres, o primeiro-ministro, Gordon Brown, com base em informes da embaixada britânica em Yangun, declarou que o saldo ‘pode ser bem maior’. Ele não forneceu estimativas precisas. Grupos de dissidentes birmaneses dizem que as mortes podem ter chegado a 200, mas não há como confirmá-los.

Brown conversou ontem por telefone com o presidente americano, George W. Bush. Concordaram em intensificar as pressões diplomáticas e econômicas contra o regime militar.

O Conselho de Segurança da ONU está imobilizado pela decisão de China e Rússia de não votar sanções. Vladimir Putin, presidente russo, disse ontem que elas seriam ‘prematuras’.

A União Européia poderia contornar o imobilismo do CS e adotar sanções por conta própria. Essa é uma das opções levantadas ontem em Bruxelas, quando o encarregado de Mianmar, Han Thu, foi convocado para prestar esclarecimentos. Os europeus já suspenderam vistos de viagens aos dirigentes birmaneses e têm congelado os acordos comerciais e de investimentos.

O premiê italiano, Romano Prodi, afirmou que o bloco europeu poderá apoiar a missão do enviado da ONU a Mianmar, Ibrahim Gambari.

De concreto, a Reuters diz que uma multidão ridicularizou com cantos e gritos militares e policiais em Yangun. Na mesma cidade, soldados voltaram a atirar contra a multidão e a espancar manifestantes, perseguindo-os e encurralando-os. Não há informações sobre mortos ou feridos.

Segundo o ‘New York Times’, o regime militar conseguiu ontem manter confinados os monges budistas em seus mosteiros. Eles foram os primeiros a protestar em massa contra o regime ditatorial. Com agências internacionais’

***

QUESTÕES-CHAVE

‘1 O que deflagrou as atuais manifestações? A causa imediata foi o grande aumento nos preços dos combustíveis decretado pelos militares, o que causou alta nos custos dos transportes públicos -usados pela maioria dos habitantes de Mianmar. Mas os protestos refletem também a já antiga insatisfação com o regime militar repressivo, e foram iniciados por ativistas pró-democracia.

2 O que eles querem? As demandas originais eram o retorno dos preços do combustível ao nível anterior ao dos aumentos e outras medidas que aliviem os problemas econômicos em uma das nações mais pobres da Ásia. Mas eles também desejam que o governo peça desculpas pelos maus tratos aos monges durante uma manifestação e incluíram a libertação de todos os prisioneiros políticos, como a líder oposicionista Aung San Suu Kyi, e um diálogo de reconciliação nacional. Não existe liderança oficial do movimento, e as demandas não são reconhecidas universalmente.

3 Por que os monges estão envolvidos? Os monges budistas tradicionalmente lideraram os movimentos por mudanças sociais e políticas, contra o colonialismo britânico e também contra as ditaduras militares. Estiveram muito ativos no levante democrático de 1988, bem como nos protestos dos anos 90. Eles são reverenciados pela maioria da população e vistos como ‘consciência’ da sociedade.

4 O governo militar vai ceder à pressão internacional? O governo de Mianmar até agora se provou capaz de desconsiderar as ásperas críticas e as sanções políticas e econômicas que lhe foram impostas pelos Estados Unidos e outros países ocidentais. Sobreviveu cultivando o investimento em suas reservas de petróleo e gás natural e contrapondo a influência de seus dois grandes vizinhos -Índia e China. Os dois países querem conquistar os favores da junta militar devido à localização estratégica e aos recursos de Mianmar. A China é o principal aliado do regime, fornecendo a maior parte da assistência e exercitando influência diplomática nos foros internacionais.

5 As sanções anunciadas pelos EUA terão impacto? Enquanto o governo militar puder obter assistência de outras fontes, sanções provavelmente serão ineficazes. Alguns analistas argumentam que, ao colocar o regime no ostracismo, Washington abre mão de qualquer chance de influenciá-lo. Para os norte-americanos, o país é mais conhecido por seu papel na Segunda Guerra Mundial, como estrada alternativa para a China. Os mais famosos cidadãos de Mianmar são Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1990, e U Thant, que foi secretário geral da ONU [1961-1971].

6 O que Mianmar tem que o mundo queira? A posição do país no oceano Índico o torna uma saída cobiçada para o mar, no caso da China. Isso torna o país importante ainda para a Índia, rival regional da China. Mianmar tem ricos recursos naturais, especialmente gás natural. Mas dispõe igualmente de valiosos depósitos minerais e é um dos maiores fornecedores mundiais de pedras preciosas. O país também é fonte de drogas ilícitas. O governo alega que está tentando suprimir o tráfico de drogas.

Fonte: ‘The Independent’

Tradução de PAULO MIGLIACCI’

CHINA
Folha de S. Paulo

Governo censura texto de vice-ministro

‘DO ‘FINANCIAL TIMES’ – O governo da China ordenou o recolhimento da edição de setembro da revista ‘Tribuna dos Quadros Chineses’, publicada pelo Partido Comunista.

O motivo da censura à publicação foi um artigo pedindo uma resposta à espionagem no ciberespaço praticada por ‘grandes países ocidentais, sob a liderança dos EUA’. Assinado por Lou Qinjian, vice-ministro da Indústria da Informação, o texto foi suprimido da edição que retornou às bancas.

Embora a censura seja comum na China, chamou a atenção o fato de ela afetar um membro do alto escalão do governo.

Segundo analistas, a censura foi uma resposta de Pequim às reclamações dos EUA e de países europeus sobre infiltrações de chineses nas redes de seus órgãos governamentais.’

TELEVISÃO
Thiago Ney e Marco Aurélio Canônico

Prêmio foi verdadeiro ‘V.EMO.B’

‘Será que é o pop brasileiro que faz do VMB uma mesmice ou será que é o VMB que faz do pop brasileiro uma mesmice?

Já faz algum tempo que a música, em particular o clipe, deixou de ser o foco da MTV, mas a premiação da emissora ainda é o principal evento do tipo da música brasileira.

Em sua 13ª edição, ocorrida anteontem à noite no Credicard Hall, em São Paulo, o VMB neste ano bem que poderia ser chamado de V.EMO.B. Bandas emo como NXZero, Fresno e Strike dominaram o evento.

O NXZero levou troféus nas categorias Artista do Ano, Hit do Ano (por ‘Razões e Emoções’) -e seu vocalista, Diego Ferrero, ainda foi escolhido o Gostoso do Ano.

Na mesma linha de hardcore melódico, o Fresno foi a Banda Revelação, enquanto Strike foi escolhida a Aposta MTV.

Outra constatação. Faltam novos ídolos na música deste país. Em uma das categorias, a Banda dos Sonhos, o público escolhia um baterista, um baixista, um guitarrista e um vocalista que, em seguida, tocariam uma música ao vivo.

Os escolhidos deste ano foram: Pitty (vocalista), Fabrízio Martinelli (Hateen; guitarra), Japinha (CPM 22; bateria) e Champignon (Revolucionnários; baixo). Exatamente os mesmos do ano passado. Coloque Edgard Scandurra na guitarra e você tem a banda dos sonhos de 2005…

A baiana Pitty reina no VMB há alguns anos. Anteontem, ‘Na Sua Estante’ deu à cantora o prêmio de Clipe do Ano.

Playback

Para tentar sair da mesmice, a MTV apostou em nomes internacionais. Marilyn Manson e Juliette and the Licks se apresentaram ao vivo na premiação.

(Aliás, será que a MTV parou nos anos 90? Na categoria Artista Internacional, o ganhador não foi Amy Winehouse, não foi Lily Allen nem Justin Timberlake ou Arctic Monkeys. Foi Red Hot Chili Peppers…)

Manson tocou duas músicas. Foram oito intermináveis minutos de metal-gótico. Manson realmente cantou, mas sua banda fez playback. Feio.

Juliette Lewis foi atração à parte. Não pelo show, um rock de garagem genérico, mas pela simpatia -falou com todo o mundo, fez poses para fotógrafos, deu selinho no VJ Marcos Mion e não parava de repetir que o ‘Brasil é maravilhoso’.

Além deles, teve apresentações ao vivo de, entre outros, NXZero, Lobão (que parecia querer exprimir toda a sua rebeldia vestindo uma camiseta com a estampa ‘Peidei, mas não fui eu’) e Sandy & Junior -esta a melhor da noite.

Além de Juliette Lewis, outro ator que também revelou uma (insuspeita) faceta musical foi André Ramiro, o ex-porteiro de cinema que interpreta um policial em ‘Tropa de Elite’.

Convidado a apresentar o show do rapper Sandrão com o DJ Cia (um equívoco misturando temas japoneses com hip hop), Ramiro subiu ao palco rimando (bem) e citando Sabotage. ‘Eu tenho um trabalho como artista de hip hop, toquei no circuito da Lapa [centro do Rio], estou gravando um disco’, disse à Folha o ator/cantor.

E teria enxergado na platéia -cheia de garotos bem criados e muitos mais afeitos ao NXZero do que ao rap- o público que comprou a versão pirata de ‘Tropa de Elite’, que vazou antes do filme estrear no cinema?

‘Acho que tanto a classe média quanto o pessoal das favelas viu a versão pirata. Teve muita gente que baixou pela internet também, e aí não é coisa a que o pessoal pobre tenha acesso.’

Com camisa e calça social, discreto, Paulinho da Viola, convidado a apresentar o show de Lobão, destoava. ‘Acho… saudável’, foi o que disse à Folha sobre o VMB e suas bandas.

O senador Eduardo Suplicy acabou perdendo o novo troféu de Web Hit (para o melhor vídeo da internet) para o infame ‘Vai Tomar no Cu’, de Cris Nicolotti -ele concorria com a interpretação de Racionais MC’s no Senado. Mas não se furtou a protagonizar um dos momentos mais constrangedores da noite: subiu ao palco ‘encenando’ uma briga com seu filho Supla e depois ‘cantou’ ‘Vamo Pulá’ para chamar o show da dupla Sandy & Júnior, num claro caso de quebra do decoro.’

Luiz Fernando Vianna

Canal Brasil exibe série de curtas sobre choro

‘Pouco depois da boa recepção ao documentário ‘Brasileirinho’, do finlandês Mika Kaurismaki, o choro volta a ser reverenciado em filme. No caso, os seis curtas-metragens da mostra Chorando no Cinema, que será exibida pelo Canal Brasil a partir de terça-feira.

Os filmes têm formatos diversos. Há desde um com pretensões didáticas, ‘Chorinhos e Chorões’, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura em 1974, até ‘Alma Carioca, um Choro de Menino’, animação de William Côgo de 2002 e que encerra a série em novembro.

‘Não quisemos só acervo, e sim apontar para o futuro. O choro é um gênero vivo’, ressalta o cineasta Fernando Pinto, idealizador da mostra.

A Chorando no Cinema surgiu em 2004 no Rio e reuniu mais de dez filmes, incluindo produções recentes como ‘Choro Novo’, sobre as novas gerações de músicos. Para o Canal Brasil, foram selecionados seis e acrescentou-se uma apresentação de Luciana Rabello, cavaquinista e grande conhecedora do assunto.

Ela toma a liberdade de ressaltar que o crítico Lúcio Rangel, autor dos textos de ‘Chorinhos e Chorões’, cometeu imprecisões históricas no curta porque não tinha conhecimento de informações que surgiram nos anos seguintes. O Regional Carioca ainda toca uma peça relativa ao filme do dia.

Os filmes contam com belas e raras imagens. ‘Chorinhos e Chorões’ mostra uma formação clássica do Época de Ouro (Jonas, César Faria, Damásio, Déo Rian e Jorginho). ‘Conversa de Botequim’ (1972), de Luiz Carlos Lacerda, tem Pixinguinha, Donga e João da Baiana reunidos.

Em ‘Dor Secreta’ (1980), também de Lacerda, o violonista Raphael Rabello aparece tocando aos 16 anos. ‘O Choro Dele’ (1975), de Leilany Fernandes, conta com a que talvez seja a única imagem em movimento de Jacob do Bandolim. O outro curta é ‘Álbum de Música’ (1974), de Sérgio Sanz.

CHORANDO NO CINEMA

Quando: terças (2/10 a 6/11), às 19h, com reprises às quartas (11h30) e sábados (15h)

Onde: Canal Brasil’

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