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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 21 E 22/11

Folha de S. Paulo

24/11/2009 na edição 565

INTERNET
Valdo Cruz e Humberto Medina

Governo avalia licitar rede de banda larga

‘A versão final do projeto da Casa Civil para a universalização da banda larga no país prevê um modelo híbrido: será usada a rede pública de fibras óticas, administrada por uma estatal, mas a sua operação será entregue a um consórcio privado por meio de licitação.

Hoje o Estado tem fibras óticas, mas elas não interferem no mercado de banda larga. São usadas pelas estatais (Petrobras e Eletrobrás) ou estão praticamente ociosas, como no caso da Eletronet (empresa em processo de falência).

O projeto é que essa rede, que já existe, passe a servir como instrumento de regulação de mercado, fomento à competição e massificação do serviço. A proposta fará parte do Plano Nacional da Banda Larga, que será apresentado na terça-feira ao presidente Lula.

Na ponta, na exploração da chamada última milha (provedor que faz chegar o serviço ao cliente final), haveria um sistema estimulando a competição entre empresas do setor privado. A regulação desse serviço, com a definição da política de preços, ficaria com a estatal dona da rede pública, que deve ser a Telebrás, empresa hoje praticamente desativada.

O presidente Lula deseja vender a universalização do acesso à internet e o barateamento da banda larga como uma das obras de seu governo, que em 2010 tentará eleger a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como sua sucessora.

Meio-termo

A ideia do modelo híbrido foi desenhada por dois assessores próximos ao presidente e a Dilma: André Barbosa e Cezar Alvarez. Seria um meio-termo entre a solução de mercado apoiada pelo Ministério das Comunicações e a intervenção estatal direta (rede e operação), por meio do fortalecimento da Telebrás, defendida pelo Ministério do Planejamento.

O consórcio que faria a operação da rede seria escolhido por licitação e não poderia ser composto apenas por empresas de telefonia. Pelas regras da Casa Civil, teria de incluir entre seus sócios, por exemplo, provedores de acesso à internet ou empresas públicas.

O consórcio não teria, também, poder para definir a política de preços na ponta (venda dos serviços de acesso à internet). A estatal assumiria esse papel de regulador do sistema.

Ainda segundo a proposta do Planalto, a estatal não seria um provedor de acesso à banda larga para a população -iria apenas fazer a gestão das redes de infraestrutura ou ampliá-las.

Duas outras propostas deverão ser entregues ao presidente. Uma elaborada no Ministério do Planejamento, mais estatizante do que a da Casa Civil. A diferença é que a operação da rede de fibras óticas também ficaria com a Telebrás -e não com a iniciativa privada.

A outra está sendo formulada pelas teles, com apoio do Ministério das Comunicações, e prevê incentivos fiscais para que as atuais fornecedoras do serviço (empresas de telefonia fixa, móvel e TV por assinatura) estendam a banda larga a mercados não atraentes do ponto de vista econômico.

Etapas

Dentro do planejamento dos técnicos do governo, a implantação do Plano Nacional de Banda Larga ocorreria em três etapas. Até 2012, a rede pública estaria funcionando em todo o país, menos na região Norte.

Na primeira etapa, seria colocada em operação toda a rede de cabos disponível no Brasil, excetuada a da Eletronet -infraestrutura pública que liga quase todo o país, com cerca de 21 mil km de redes de fibra ótica, mas que está sub judice, devido a um processo de falência.

Na segunda etapa, seria integrada a rede da Eletronet ao plano. O governo espera que a Advocacia-Geral da União consiga retirar as fibras do processo de falência da empresa. Para a equipe de Dilma, será um ‘desinvestimento’ as operadoras construírem um novo ‘backbone’ (núcleo de uma rede de telecomunicações) onde já existem sistemas de estatais. A terceira fase, a ser implantada até 2014, conectaria a região Norte à rede pública.

O governo quer usar, também, a tecnologia da transmissão digital de TV, podendo subsidiar provedores que usarem esse meio para dar acesso a serviços públicos.’

 

Teles defendem uso apenas da rede privada

‘A definição do Plano Nacional de Banda Larga opõe o Ministério das Comunicações e as teles, de um lado, e, do outro, a Casa Civil, assessores diretos do presidente Lula e o Ministério do Planejamento.

O Ministério das Comunicações e as teles propõem um modelo no qual as redes de fibra ótica do Estado não entram no mercado para ampliar acesso ou fomentar competição. A atual rede privada seria usada e sua ampliação para regiões não rentáveis seria bancada por meio de incentivos fiscais.

A desoneração seria feita tanto na prestação do serviço como no fornecimento dos equipamentos. Para o serviço em si, o governo deixaria de cobrar o Fistel (Fundo de Fiscalização dos Serviços de Telecomunicações). Para o equipamento (modem), reduziria a carga tributária, hoje em 76% do valor do produto.

Subsídios

Além disso, as empresas defendem que, para os grandes centros, onde existe infraestrutura instalada, haja subsídio aos mais pobres, nos moldes do que é feito hoje com a tarifa social de energia elétrica.

Pelos cálculos do ministério, uma conexão de 256 kbps (quilobits por segundo) poderia sair por R$ 9,90 por mês.

Nas áreas remotas, onde a falta da infraestrutura se combina com baixo poder aquisitivo, a solução seria: redução tributária, subsídio e parceria com o Estado para o uso das redes de fibras óticas públicas.

O Ministério das Comunicações avalia que, se o programa for depender das fibras óticas da Eletronet, pode não sair do papel em 2010. Isso porque a maior parte das fibras está com a massa falida da empresa e, na visão da Justiça, tem de ser usada para pagar aos credores.

Para as empresas de telefonia, a entrada do governo nesse mercado é ruim. Hoje, os grupos econômicos que atuam na área de telefonia fixa estão vendo sua receita migrar do serviço que foi originalmente concedido pelo Estado (voz) para acesso à internet (dados).

Enquanto o número de linhas fixas caiu quase 2% até junho, os acessos à internet em banda larga subiram quase 17%. Mais competição nesse mercado diminuiria o ganho das empresas.’

 

eBay concretiza venda do Skype para grupo de investidores

‘Mais de dois meses e meio depois de anunciar o negócio, o eBay finalizou a venda do Skype (de telefonia para a internet) para um grupo de investidores.

Pelo acordo, a empresa conhecida pelos leilões on-line receberá US$ 2 bilhões por 70% do Skype. O eBay manterá ainda participação de 30% no serviço de telefonia.

O negócio foi concretizado duas semanas depois de o eBay ter fechado um acordo com os fundadores do Skype sobre os direitos do uso de uma tecnologia do programa. Com o acerto, Niklas Zennström e Janus Friis, que criaram o Skype, têm 14% da empresa de telefonia.

O eBay (que também é dono do PayPal, de transferência de dinheiro pela web) comprou o Skype por US$ 2,6 bilhões em 2005, batendo concorrentes como o Google e o Yahoo!. A expectativa era a de que houvesse uma sinergia entre o site de leilões e o serviço de telefonia, mas ela nunca realmente se concretizou.

Assim, apesar de ser o maior provedor mundial de ligações internacionais, o Skype contribui pouco para a receita do eBay. Dos aproximadamente US$ 8,5 bilhões que a companhia faturou no ano passado, US$ 551 milhões vieram do Skype.

Um dos motivos para o baixo faturamento é que as ligações feitas pela internet entre usuários do Skype são gratuitas -o serviço era usado por 405 milhões de pessoas no final do ano passado, um crescimento de 47% na comparação com 2007.

Com agências internacionais’

 

TELEVISÃO
‘Trauma’ ganha mais episódios para 2010

‘A rede NBC encomendou mais três episódios da série ‘Trauma’. Agora, ela vai ter seis episódios para serem exibidos em 2010 -e não apenas três, como estava previsto.

Com isso, o seriado, sobre um grupo de paramédicos, ganha uma sobrevida, embora os índices de audiência nos EUA ainda se mantenham baixos para o alto custo por episódio, de US$ 3 milhões.

No Brasil, essa primeira temporada está sendo exibida pela Warner.’

 

Caio Barretto Briso

Herbert Richers, rei da dublagem, morre aos 86

‘‘Versão brasileira, Herbert Richers.’ Muita gente já ouviu essa frase antes. O dono do maior estúdio de dublagem do Brasil, Herbert Richers, morreu na madrugada de ontem, aos 86 anos, na clínica São Vicente, no Rio, por volta de 1h.

Ele estava internado desde o dia 8 e não resistiu a uma insuficiência renal aguda. Os problemas de saúde apareceram no início do ano. ‘Ele foi internado algumas vezes, mas sempre voltava para casa. Desta vez não voltou’, disse Herbert Richers Jr., seu filho.

Richers teve uma longa trajetória no cinema brasileiro. Paulista de Araraquara, chegou ao Rio em 1942, aos 19 anos. Começou a trabalhar em laboratório de revelação e, com o que aprendeu, foi para a fotografia.

Participou de filmes da Atlântida, como fotógrafo, até se tornar cinegrafista do ‘Jornal da Atlântida’ -noticiário que era apresentado nas salas antes de os filmes começarem.

Até que, em 1950, criou o ‘Jornal da Tela’, que concorreu com o ‘Jornal da Atlântida’. ‘Foi a partir daí que ele se tornou um grande produtor de cinema, investindo dinheiro do próprio bolso, como se fazia naquele tempo, para fazer filmes de chanchada’, diz Richers Jr.

‘Ele era um homem muito ativo, criou o principal estúdio dublador do Brasil, sabia como ganhar dinheiro com cinema’, diz Fernando Ferreira, professor de cinema da PUC-Rio.

Até os anos 60, era comum os filmes brasileiros também serem dublados, pois não havia uma boa tecnologia de captação simultânea de imagem e som. ‘Por isso seu estúdio era concorrido. Até o pessoal do cinema novo ia lá, embora nem todos gostassem dele, porque ele fazia filmes essencialmente comerciais’, conta o professor.

Durante duas décadas, entre os anos 50 e 70, segundo Richers Jr., seu pai produziu entre três e oito filmes por ano.

‘Ele fazia filmes pensando em bilheteria. Nessa época havia cinemas de 3.000 lugares, sempre lotados. Ele era muito objetivo, fazia filmes em nove semanas no máximo.’

‘O Assalto ao Trem Pagador’ (1962), de Roberto Farias, e ‘Meu Pé de Laranja Lima’ (1970), de Aurélio Teixeira, estão entre suas principais produções (veja quadro).

‘Ele era um homem muito corajoso. Acreditava em filmes que pareciam absurdos, não tinha medo de nada’, diz Richers Jr., que vai conversar com seus dois irmãos, Ronaldo e Celina, para decidir o que fazer com a Herbert Richers S.A.

Hoje, a empresa possui dez estúdios de dublagem e dois de filmagem, todos no bairro da Usina, na zona norte do Rio.’

 

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