Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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Folha de S. Paulo

23/02/2009 na edição 526

RACISMO
Folha de S. Paulo

Jornal nova-iorquino pede desculpas por charge polêmica

‘Após protestos pelo país, o tabloide ‘New York Post’ pediu desculpas em nota na noite de anteontem aos que ‘se sentiram ofendidos’ por uma charge percebida por críticos como um paralelo entre o presidente Barack Obama e um chimpanzé.

O desenho, publicado na quarta-feira, mostra dois policiais matando um chimpanzé enquanto um deles diz: ‘Agora vão ter de encontrar outra pessoa para escrever a lei de estímulo’.

A intenção da charge foi ‘fazer piada com uma lei de estímulo federal mal elaborada, ponto final’, disse o jornal. ‘Mas foi interpretada como outra coisa -uma caracterização do presidente Obama e uma expressão mal disfarçada de racismo. Não foi nossa intenção.’

Dois dias antes da publicação, um chimpanzé de estimação atacara uma mulher em Connecticut. O caso foi amplamente divulgado nos EUA e supostamente serviu de inspiração ao desenho.

O tabloide disse que ‘não oferece nenhuma desculpa’ a membros da mídia e do público que ‘veem o incidente como chance de vingança’.’

 

 

DITADÔMETRO
Painel do Leitor

Ditadura

‘‘Há anos a linha da Folha tem sido crítica às ditaduras, especialmente à nossa. Fiquei na dúvida se o termo ‘ditabranda’ (editorial ‘Limites a Chávez’, 17/2) foi ato falho ou se é mesmo defesa do regime que foi de Castelo a Figueiredo. Nossos torturadores justificavam a nossa ditadura acusando a dos outros.’

JOEL RUFINO DOS SANTOS (Rio de Janeiro, RJ)

‘Li as diversas manifestações sobre a ditadura no Brasil. Todas têm alguma validade, mas o que mais me chamou a atenção foi que a mensagem mais inteligente, mais holística, com menor conteúdo de raiva e de ódio veio exatamente de um militar (senhor Paulo Lustoza). Esperava-se que professores catedráticos tivessem um olhar mais colorido, capaz de reconhecer todas as matizes de um regime autoritário, e que o militar fosse mais branco e preto. Mas só o senhor Lustoza foi capaz de reconhecer que a nossa ditadura foi muito diferente das ditaduras de Fidel, de Stálin, de Hitler ou de Mao. Aqui não houve culto a personalidade, embora tenha havido violência e injustiças. Aqui não houve milhões de mortos nem fuga em massa para o exterior. Todos esses regimes se enquadram na definição de ditadura, mas as cores e a profundidade da falta de liberdade foram completamente diferentes.’

CARLOS EDUARDO CUNHA (São Paulo, SP)

‘Qualificar a ditadura militar de ‘ditabranda’ é insuportável. Assassinatos, perseguições, torturas, prisões iníquas, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes praticados naquela época por agentes do Estado. A relativização da perversidade desses crimes produz impacto aterrador. Os professores Fábio Comparato e Maria Victoria Benevides merecem o respeito e a gratidão do povo brasileiro pela luta pertinaz em defesa dos direitos humanos. Repudiamos com veemência os termos horríveis da resposta dada a eles neste ‘Painel’ ontem.’

GOFFREDO DA SILVA TELLES JÚNIOR , professor emérito da USP, e MARIA EUGENIA RAPOSO DA SILVA TELLES, advogada (São paulo, SP)

‘Ao chamar de ‘cínica e mentirosa’ a ‘indignação’ manifestada pelos professores Benevides e Comparato, a Folha (‘Painel do Leitor’, ontem) foi no mínimo deselegante. Não soube lidar com as críticas. Concorde-se ou não com os professores, ambos utilizaram artifícios retóricos parecidos aos que a Folha recorreu para falar de Hugo Chávez no editorial de 17/2. Valeria também o cínico e mentiroso para o editorial?’

NONATO VIEGAS , jornalista (Duque de Caxias, RJ)

‘Esta Folha entornou de vez o caldo. No lugar da autocrítica pela malfadada expressão utilizada no editorial de 17/2, de evidentes prejuízos para a cultura democrática, achou por bem agora atacar, de modo presunçoso, intelectuais brasileiros de inestimáveis serviços à crítica e superação do regime autoritário aberto em 1964.’

MARCOS AURÉLIO DA SILVA , professor do Departamento de Geociências da UFSC (Florianópolis, SC)

‘A referência do editorial à ditadura brasileira como ‘ditabranda’ não representou uma defesa ou tentativa de relativizar o período e, em seu contexto, deixa claro o caráter negativo de qualquer regime de exceção. Mas foi lamentável a forma como a Folha lidou com os protestos dos leitores. Em vez de aproveitar a oportunidade para reiterar o seu compromisso com as instituições democráticas e repudiar qualquer forma de autoritarismo, o jornal adotou uma posição defensiva, ambígua e evasiva, indigna do maior jornal do país. Particularmente inapropriado foi usar este espaço para atacar em nível pessoal dois professores universitários, rebaixando-se ao nível de um tabloide de aluguel e manchando a tradição de imparcialidade e a atitude profissional esperada pelos leitores. O que poderia ter sido um episódio menor vai ser lembrado na história da Folha como a semana infeliz em que o jornal usou seu espaço para hostilizar seus leitores.’

FELIPE DE AMORIM (Santo André, SP)

‘Em relação à ‘Nota da Redação’ em resposta às cartas do senhor Comparato e da senhora Benevides, advirto a Folha de que, apesar de correta, a referida nota despertará a fúria da militância esquerdista. Logo a Redação receberá mais um exemplar da mais profícua produção intelectual da esquerda brasileira: os abaixo-assinados.’

EDMAR DAMASCENO FONSECA (Belo Horizonte, MG)’

 

 

LIVROS
Eduardo Simões

Não, obrigado!

‘Manuscrito rejeitado dói tanto quanto amor não correspondido. Ao menos é o que sugere o canadense Camilien Roy, 45, autor de ‘A Arte de Recusar um Original’, livro em que um fictício aspirante a escritor narra suas investidas infrutíferas para publicar seu primeiro romance por meio das 99 cartas de recusa que recebeu.

A forma é uma homenagem às ‘contraintes littéraires’ (experimentações literárias com restrições, por exemplo, temáticas) do escritor francês Raymond Queneau (1903-1976), autor de ‘Zazie no Metrô’ (adaptado para o cinema por Louis Malle) e ‘Exercices de Style’ (exercícios de estilo), livro que narrava uma mesma história de 99 modos diferentes, classificados segundo o estilo (‘vulgar’, ‘parcial’ etc.).

Já o conteúdo é uma bem-humorada maneira de Roy criticar a um tanto enfadonha e nada pessoal padronização das cartas de recusa das editoras. Daí seu esforço criativo que inclui um haicai, uma peça de um só ato e até um sistema de resposta eletrônico (‘Você teclou 8? Lamento! A decisão da equipe de leitura foi NEGATIVA!’).

A ideia de escrever o livro, diz Roy à Folha, veio quando ele recebeu uma carta de recusa de um ‘editor importante’ tão mal fotocopiada que o texto e o logotipo da editora estavam inclinados. ‘Mas o livro não é um acerto de contas com o mundo editorial.

E sim um modo de, pelo menos uma vez, não ser aquele que recebe as cartas, mas quem as escreve. E ainda de mostrar aos leitores que a publicação de um livro por uma editora respeitável é uma coisa difícil e por vezes cruel’.

Para o canadense, autor de dois romances, a mais severa das recusas é a indiferença, que ele representa em seu livro com uma página em branco.

A única de fato positiva seria, por incrível que pareça, um ‘mal entendido’: uma carta enfim elogiosa e incentivadora, enviada por um comerciante, que recebeu o livro por engano.

As cartas verdadeiras

Vivian Wyler, 54, diretora editorial da Rocco, que publicou ‘A Arte de Recusar um Original’, conta que a editora recebe cerca de 40 manuscritos por semana.

Se o livro não é bom, ela é a favor da carta de recusa padrão, pois não haveria ‘a menor chance de dizer que é ruim, de uma maneira mais suave para o escritor, sem soar falso’. Enviada em até 60 dias, em linhas gerais a carta agradece, mas diz que o original não se enquadra na linha editorial.

Há, porém, os meios-termos: ‘Nos casos em que temos em mãos um original com quase tudo o que deveria ter, mas que não chegou lá, aí mandamos uma cartinha indicando os problemas e as qualidades, e deixando claro que, se o escritor quiser trabalhar o manuscrito de novo, pode reapresentá-lo’.

Wyler diz que as cartas de recusa da Rocco não são tão engraçadas quanto as de apresentação que chegam à editora com os originais. Muitas vezes confessionais, elas citam preferências literárias dos neoautores, o modo como começaram a ler e a escrever etc.

Uma dessas missivas rendeu uma piada interna na Rocco: uma escritora do interior de Minas Gerais defendeu seu livro, e sua pretensa vocação para a literatura, dizendo: ‘Gosto disso, sra. Wyler.’ A frase acabou virando mote de uso variado na editora.’

 

 

Editor sugeriu a Tezza tomar ‘umas pingas’

‘Autor de ‘O Filho Eterno’, romance de fortes tintas autobiográficas, que venceu cinco prêmios literários em 2008, Cristovão Tezza, 56, já foi ‘recusado’, quem diria, por ser pouco pessoal. Tezza tinha 18 anos e acabara de apresentar à editora Brasiliense seu primeiro livro, ‘O Papagaio que Morreu de Câncer’. A recusa, assinada pelo editor Caio Graco Prado, criticava o neófito por ter fugido ‘um bocado do ‘pessoal’ para descrições enormes, na maioria das vezes inúteis’.

‘Quando li a carta, achei que minha vida de escritor tinha acabado. Bobagem. E ele disse umas coisas legais ali’, diz Tezza, que recebeu uma curiosa sugestão de Caio Graco para dar um tom mais pessoal ao livro: ‘Se ajudar, umas pingas desarmam as defesas e podem contribuir’. Daí para frente, afirma o escritor, vieram apenas mensagens padronizadas, ou, mais frequentemente, o silêncio.

Oito anos de recusa

O escritor Marcelo Mirisola, 42, ‘gaba-se’ de ter ‘nas costas oito anos de cartas de recusa’, que ele guarda numa mala. Ele afirma que seu segundo livro, ‘O Herói Devolvido’ (sem trocadilho!), foi rejeitado por uma editora de São Paulo ‘por conter muito palavrão’.

Para Mirisola, que diz ter recebido desculpas ‘esfarrapadas’ como ‘não se encaixa em nossa linha editorial’ ou ‘nossa agenda está cheia’, muitas vezes ‘ficava claro que ninguém lia nada’. A fim de testar as editoras, o escritor chegou a enviar originais com as folhas coladas: ‘Voltaram do mesmo jeito’.

O escritor Santiago Nazarian, 31, que nunca recebeu uma carta de recusa, mas escreve pareceres de livros em inglês para editoras brasileiras, defende que, além de apontar os pontos positivos e negativos de um livro, tais pareceres deveriam ter mais espaço para uma ‘opinião mais verdadeira’, na linha ‘achei uma merda’.

‘Acho que o parecer pode e deve ser mais sincero do que as cartas de recusa, não tendo medo de detonar um livro quando não gosta, ou de demonstrar seu entusiasmo quando adora. Com autores, é preciso ser um pouco mais delicado. É preciso pensar que a pessoa colocou muito do tempo, paixão e talento, mesmo quando ínfimo, lá.’

O duplo sim de Hatoum

O premiado escritor Milton Hatoum também não relata recusas. Mas um curioso caso de dupla aceitação. Ele conta que havia terminado o manuscrito de ‘Relato de um Certo Oriente’ em 1987, quando morava em Manaus. O texto ficou de molho alguns meses, até que um editor do Rio ligou para ele e perguntou se tinha algo.

‘Mencionei o ‘Relato’, enviei os originais, e um mês depois ele disse que ia publicá-lo. Em 1988, ganhei uma bolsa e vim para São Paulo. A Companhia das Letras me perguntou se eu tinha algum manuscrito e falei do ‘Relato’. O editor do Rio já estava em outra editora, mas o texto estava no prelo. E eu nem sabia disso’, diz. ‘Como o prazo para publicação havia expirado, troquei de editora na última hora, e o ‘Relato’ só foi publicado em abril de 1989. Dois anos de espera e um baixo grau de ansiedade valeram a pena.’’

 

 

Rafael Cariello

Jornalista analisa ‘seleção social’ do sucesso pessoal

‘Há mais um best-seller na praça disposto a desvendar as razões do sucesso pessoal. Este, no entanto, não se propõe a ajudá-lo a chegar lá, pela simples razão de que isso depende muito menos do candidato à glória -ainda que brilhante- do que de uma série de conjunções incontroláveis pelo indivíduo.

O autor desse libelo de ataque aos self-made-men é Malcolm Gladwell, repórter da prestigiosa revista ‘New Yorker’ e autor de ‘Fora de Série -Outliers’ (Sextante).

Alguns atributos, é claro, são indispensáveis, e o principal deles é o talento. Mas o que Gladwell se propõe a investigar é o que diferencia pessoas de talentos equivalentes que têm destinos distintos. É aí que o acaso se une a processos de ‘seleção social’ arbitrários. O primeiro exemplo dado pelo jornalista é o da escolha de jogadores para a liga júnior de hóquei do Canadá. Há um padrão curioso na escalação desses times: a maioria dos jogadores é nascida nos primeiros meses do ano.

A explicação, exposta por Gladwell, é a seguinte: como a data limite naquele país para se candidatar a uma vaga nesses times é 1º de janeiro, e o corte é feito por um limite de idade, garotos nascidos no início do ano têm uma vantagem comparativa em relação a outros, nascidos no segundo semestre.

Mesmo que tenham talentos parecidos para o esporte, os primeiros serão alguns meses mais velhos na hora da seleção, terão o corpo mais desenvolvido -uma diferença de meses na pré-adolescência é significativa- e, portanto, chances maiores de se destacarem.

Logo, uma regra arbitrária -a data para a seleção- pode influenciar o sucesso de uns em detrimento de outros.

Bill Gates na escola

O esforço, o treino, a repetição também contam, mas até para isso é preciso oportunidade -que aparece para alguns, e para outros, não. Um dos exemplos do livro é o do fundador da Microsoft Bill Gates. A ocasião que fez esse gênio de sucesso -além do seu pendor incomum para a matemática- foi a criação, na escola em que estudava em Seattle, de um clube de informática, ainda em 1968. ‘Bill Gates teve acesso à programação em tempo real na oitava série, em 1968. Daquele momento em diante, Gates passou a viver em uma sala de computador’, diz Gladwell.

Os EUA, de forma geral, ao valorizarem culturalmente o esforço pessoal, não são exatamente o ‘ambiente’ ideal para que teses como a de Gladwell se tornem altamente vendáveis. Ou seja, esse livro poderia ser uma espécie de jogador de hóquei mirim nascido nos últimos meses do ano. Como Gladwell então explica o seu sucesso? (‘Outliers’ está há 12 semanas na lista de mais vendidos do ‘New York Times’.)

‘Eu esperava um bocado de resistência’, disse ele à Folha. ‘Mas o contrário aconteceu. Creio que o que fez a diferença foi o momento de lançamento do livro: ele apareceu justo quando a economia estava desmoronando. Foi Wall Street, afinal, que sempre defendeu com mais afinco a ideia do indivíduo como senhor do seu próprio destino.’

FORA DE SÉRIE

Autor: Malcolm Gladwell

Tradução: Ivo Korytowski

Editora: Sextante

Quanto: R$ 29,90 (288 págs.)’

 

 

Affonso Romano de Sant’anna

Comentários de Marcelo Coelho fazem pensar que, se ele leu todo o livro, leu mal

‘Estava eu fora do país quando a Folha publicou uma resenha de Marcelo Coelho a propósito de ‘O Enigma Vazio: Impasses da Arte e da Crítica’ (Rocco). Tal texto pode ser dividido em duas partes: na primeira faz uma paráfrase de informações que estão no meu livro, sem citar a fonte; na segunda pretende emitir comentários críticos sobre a obra.

E aqui o problema maior. Ou ele não leu todo o livro, ou, o que leu, leu mal. 1. Acusa-me de ‘impaciência’ diante dos autores analisados. E me pergunto: ‘Impaciência’? Estou estudando essa questão há décadas, três livros meus anteriores prepararam-me para este, fiz não sei quantas viagens a museus e bibliotecas, testei minhas análises em inúmeros cursos e conferências, submeti o texto a vários leitores especializados dentro e fora do Brasil. Portanto, se há alguém ‘impaciente’, não sou eu.

2. A seguir, diz, sem demonstrar, que expulsei ‘o ator de cena para tomar a palavra’. Ao contrário. Usando instrumentos da filosofia, retórica e linguística, enfrento o problema da linguagem e a linguagem do problema, desfaço a ‘estratégia da indecisão’ e o ‘double bind’ linguístico e ideológico por meio do desmonte intertextual das falácias de Duchamp, Paz, Barthes, Derrida, Jean Clair e outros.

3. Estranha ainda é a observação de que eu deveria ter ‘bom-humor e ironia neste livro’. Aí, fiquei sem saber se ria ou se chorava. Releia o ensaio ‘Na Sapataria de Jacques Derrida’. Aí, entro na linguagem do filósofo sofista, jogo o jogo que ele joga, parodisticamente, desconstruo a desconstrução do criador do desconstrucionismo apontando seus equívocos na polêmica com Heidegger, Meyer Schapiro e F. Jameson. E, se você não achar humor e ironia nas alucinações críticas de Barthes sobre Cy Twombly, que remeto gostosamente para ‘O Homem que Confundiu a Mulher com o Chapéu’, de Oliver Sacks, aí, meu caro, o mal-humorado não sou eu.

4. A coisa se agrava. Marcelo se entusiasma e, uma vez mais sem dar exemplos, acusa-me de ‘amadorismo’, de ‘falta de ruminação acadêmica’, e de fazer ‘citações de segunda mão’. Exclamo: ‘Jesus Christ!’. Estou trazendo uma bibliografia transdisciplinar nunca operacionalizada para estudar a questão da arte contemporânea; estou revendo a teoria do caos, a questão da entropia e certos conceitos de física quântica em função da arte; estou trazendo a neurociência para tratar epistemologicamente da agnosia visual e mental; estou mostrando detalhadamente como pensadores notáveis cometem notáveis equívocos; estou operacionalizando o ‘paradoxo do mentiroso’ e a ‘argumentação em declive’ para desarmar as armadilhas duchampianas; esmiúço as homonímias, paranomásias e anfibologias em Derrida, Barthes ou Duchamp; enfim, estou mostrando que o rei não só está nu, mas está vestido pela linguagem alheia, que é preciso ultrapassar os oxímoros paralisantes que coagularam a arte e a filosofia, e o comentarista da Folha não percebeu nada disso.

De resto, Marcelo diz que há uns erros de revisão. Sempre os há, qualquer autor sabe disso. Se quiser anotá-los, eu os passarei à editora. Mas preferia discutir ideias.

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA é escritor e crítico, autor de ‘O Enigma Vazio: Impasses da Arte e da Crítica’ (Rocco).’

 

 

Colunista avaliou obra como regular

‘No último dia 3 de janeiro, a Ilustrada publicou, sob o título ‘Autor usa estratégia inteligente, mas é traído pela impaciência’, uma crítica do colunista da Folha Marcelo Coelho sobre o livro ‘O Enigma Vazio: Impasses da Arte e da Crítica’, de Affonso Romano de Sant’Anna.

Na ocasião, Coelho avaliou o livro de Sant’- Anna como regular.’

 

 

PROTESTO
Folha de S. Paulo

Festival de livros em Dubai é acusado de censura

‘Um festival de livros em Dubai corre o risco de sofrer uma retirada em massa de autores em protesto contra a censura a ‘The Gulf Between Us’ (o golfo entre nós), da inglesa Geraldine Bedell. O livro, que discute a homossexualidade, foi vetado por ‘ofender sensibilidades culturais’. Em seu site, a romancista canadense Margaret Atwood escreveu: ‘Eu esperava ansiosamente pelo festival […], mas, como vice-presidente da PEN, organização que se preocupa com a censura a escritores, não poderei fazer parte neste ano’.’

 

 

TELEVISÃO
Leticia de Castro e Laura mattos

Teens rebeldes da novela de Gloria Perez já estão mais para os 30

‘Imagine se Gloria Perez, justo ela, iria se preocupar com isso? No meio do samba da vaca doida de ‘Caminho das Índias’, qual é o problema de os adolescentes rebeldes da história serem interpretados por atores que já estão mais para os 30?

Duda Nagle é o ‘bad boy’ Zeca. O garoto é péssimo aluno, mas, por mais que possa ser atrasado, não tinha como estar no ensino fundamental aos quase 26, a idade do ator. Zeca está na mesma sala de Maico, papel de Mussunzinho, que tem 15 anos. A Globo considerava Nagle um adolescente já em 1995, quando estreou na novelinha teen ‘Malhação’.

Mais caricata adolescente de ‘Caminhos das Índias’, Inês é interpretada por Maria Maya, que faz 28 anos em junho. Ela vive às turras com a mãe (Christiane Torloni), usa roupas e maquiagem extravagantes, piercings e gírias de uma tribo que só Gloria Perez deve conhecer. A própria atriz confessa não entender por que foi escalada para o papel. ‘Fiquei surpresa, afinal já passei da adolescência há algum tempo.’

Mas acha positiva a sua maturidade em relação à personagem, a primeira a notar a esquizofrenia do irmão (Bruno Gagliasso). ‘É bom uma atriz mais velha nesse papel para lidar com essa situação delicada.’

Sem convivência com adolescentes atualmente, ela acabou apelando para a memória para compor Inês. ‘Eu era um pouco parecida com ela. Com 17 anos fui morar nos EUA e absorvi a cultura jovem alternativa daquela época. Usei piercing, pintei os olhos de preto como ela.’

A atriz defende a indefinição de estilo das roupas de sua personagem. ‘A Gloria fez uma miscelânea de referências para não criar um estereótipo.’

Já as gírias causam confusão para a atriz, que nunca tinha ouvido expressões como ‘pegar o beco’ (ir embora) e ‘qual é o rap?’ (tudo bem?). ‘Estamos trabalhando com o lúdico’, defende. Segundo ela, o ‘dialeto’ de Inês é fruto de pesquisa feita pela equipe de Gloria Perez entre teens de diferentes tribos.

A autora foi procurada por e-mail, mas em duas semanas não respondeu às questões.

Duda Nagle também preferiu não conceder entrevista.’

 

 

Folha de S. Paulo

Gagliasso diz ter cara de ‘menino novo’

‘Bruno Gagliasso completa 27 anos em abril, mas acredita que ainda fará ‘muito papel de filho antes de fazer o de pai’. Em ‘Caminho das Índias’, é Tarso, jovem esquizofrênico recém-saído da adolescência -acaba de se formar em administração. É o seu terceiro papel de ‘filho incompreendido’ -teve o Inácio de ‘Celebridade’ e o Júnior de ‘América’. ‘Adoro esses personagens. Tenho mesmo cara de menino novo.’’

 

 

ENVELHECIMENTO
Folha de S. Paulo

Menos TV evita em 50% a perda de memória

‘Atividades sociais ou mentais -como ler, jogar cartas e fazer artesanato- a partir da meia-idade reduzem entre 30% e 50% o risco de perda de memória entre pessoas de 70 a 89 anos, concluiu um estudo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos. Segundo ele, assistir à televisão por menos de sete horas por dia diminui a chance em 50%.

O estudo entrevistou 1.321 pessoas, 197 delas com perda de memória ou leve diminuição da capacidade cognitiva -isto é, aquelas fora da normalidade, mas que não entram num quadro de demência. Entrevistados de ambos os grupos responderam a questionários que comparavam os hábitos no ano anterior à entrevista com os de quando tinham entre 50 e 65 anos.’

 

 

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