Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Folha de S. Paulo

27/10/2009 na edição 561

CANUDO
Folha de S. Paulo

Diploma para jornalista volta à pauta na CCJ

"Entre as mais de 200 propostas no Congresso Nacional que tratam da regulamentação de profissões, uma das mais polêmicas é a emenda constitucional que tenta reativar a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

A matéria pode ser aprovada nesta quarta-feira pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados. Com outros dois textos semelhantes, a proposta foi apresentada após o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar, em junho, a obrigatoriedade do diploma -um resquício da regulamentação da comunicação feita durante o regime militar (1964-1985).

Na ocasião, o entendimento da maioria dos ministros foi o de que restringir o exercício do jornalismo a quem tem diploma afronta o princípio constitucional da liberdade de expressão.

O relator de uma das propostas na Câmara, deputado Maurício Rands (PT-PE), no entanto, entende que a decisão do Supremo gerou ‘uma grave insegurança jurídica para uma imensidade de profissionais jornalistas, milhares de estudantes de jornalismo e, sobretudo, para a própria ordem democrática’.

A existência de cursos universitários, porém, independe de a profissão ser ou não regulamentada.

Em 2006, o Congresso chegou a aprovar projeto que regulamentava a profissão de jornalista de forma a exigir diploma universitário de todos os profissionais que atuam na área, incluindo os que fazem comentários, narrações, análise e crônicas.

O projeto levou apenas dois anos para ser aprovado pela Câmara e Senado, mas foi vetado pelo Executivo.

O governo alegou na época que a exigência do diploma para todas as funções é um ‘equívoco, um excesso na regulamentação da profissão’, citando o artigo 5º da Constituição Federal, que garante o livre exercício da atividade de comunicação, e ponderou que o texto ‘limita o exercício do direito à liberdade de informação’."

 

LULA E A IMPRENSA
Elio Gaspari

Nosso Guia e a teoria petista da imprensa

"A BATATADA de Lula em sua entrevista ao repórter Kennedy Alencar reflete, de forma tosca e resumida, a opinião do comissariado de informações do Planalto e da nação petista sobre os meios de comunicação. Ele disse o seguinte: ‘Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar. (…) Essa informação pode ser de elogios, de denúncias. (…) Para ser fiscal tem o Tribunal de Contas, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas’.

Nesse modelo não haveria lugar para as recentes denúncias de torturas de presos por agentes do governo americano. Muito menos para o caso Watergate, que acabou derrubando um presidente dos Estados Unidos. Mensalão? Nem pensar. Em todos os casos foi a ação fiscalizadora da imprensa que disparou e permitiu as investigações.

Não se tratou de uma bobagem do tipo ‘quando Napoleão foi à China’. O comissariado realmente acredita que há uma conspiração da imprensa contra o governo e sonha com a construção de um novo modelo para os meios de comunicação brasileiros.

Noves fora a tentativa de expulsão do jornalista Larry Rother, Nosso Guia jamais moveu um dedo contra alguém por conta do que disse dele ou de seu governo. Feita essa ressalva, fica o registro de que é grande a simpatia do comissariado pelas iniciativas do coronel Hugo Chávez na Venezuela. Uma compreensão paternal: ‘Não concordo, mas entendo’.

Todos os governos acham que são perseguidos por conspirações da imprensa, mas Nosso Guia estimula seus paranoicos. Sem fiscalização, ele continuaria falando em ‘Corregedoria-Geral da República’. Isso não existe, o nome certo é Controladoria-Geral da União e seu titular é escolhido pelo presidente.

 

MENINO DO BALÃO
Folha de S. Paulo

Mãe admite que balão de hélio foi projetado para trote

"A mãe do garoto de seis anos que foi encontrado dentro de uma caixa no sótão de casa, enquanto pensava-se que ele teria sido levado por um balão desgovernado nos EUA, admitiu que o balão de hélio foi feito especialmente para o trote, de acordo com documento divulgado na sexta-feira.

Segundo as novas informações, Mayumi e Richard Heene, mãe e pai do garoto, elaboraram o plano duas semanas antes do incidente, e instruíram os três filhos a mentir para autoridades e para a imprensa.

E-mails entre o pai e um suposto sócio sobre planos de divulgação de um reality show revelaram ainda que a farsa pode ter tido a participação de um cúmplice.

Os Heenes podem ser condenados a até seis anos de prisão e a pagar uma multa de US$ 500 mil. O xerife responsável disse que tentará fazer com que eles paguem pelos prejuízos resultantes da fraude, cujo valor ainda não foi definido."

 

TELEVISÃO
Rodrigo Russo

Zina subverte clichês e aumenta ibope do ‘Pânico’

"Marcos da Silva Herédia, o Zina, é autor de uma das frases mais repetidas do ano -ainda que muitos não o conheçam. A expressão é ‘Ronaldo, brilha muito no Corinthians’, dita de forma um tanto desengonçada.

Esse morador de Xurupita (comunidade próxima ao Jaraguá, região norte de São Paulo), é agora um dos contratados do ‘Pânico na TV’, programa da RedeTV! que, nos últimos cinco domingos, chegou a liderar o Ibope no horário nobre.

A Folha acompanhou, na última quinta-feira, com exclusividade, as gravações do quadro Em que, ao lado de Sabrina Sato e de Alfinete (Daniel Peixoto), Zina interage com personalidades do futebol.Dessa vez, o alvo foi o presidente do Corinthians, Andres Sanchez. Zina não interpreta. Chega do almoço junto de Alfinete e, como já fez algumas vezes no ar, tira uma soneca antes das gravações. Seu visual, como ele, é simples: calça moletom cinza e camiseta branca.

A primeira frase que profere no ar? Sim, é ‘Ronaldo, brilha muito no Corinthians’. Na expressão de Emílio Surita, apresentador do programa, Zina é o ‘poeta de uma frase só’. As gravações usam com despretensão o lema do cinema novo (‘câmera na mão e uma ideia na cabeça’). O humor de Zina é que dita -e quebra- o andamento das cenas.

Logo na introdução, ele inverte a ordem e pede para mandar um ‘salve’ para seus amigos. Os mais frequentes são a pizzaria Pôr do Sol (‘a melhor pizza do mundo’) e o time da ‘Xurupita Sub-20’. Em outro momento, quando Alfinete pergunta se Zina quer fazer o ‘show do intervalo’, em que responde a perguntas, a resposta é ‘não’ e ponto final.

Mais tarde, quando topa (outra famosa expressão dele é ‘Topo, por que não?’) gravar o quadro, responde na lata com quantos paus se faz uma canoa: ‘Comuns oito’.

Zina não se censura. Fuma compulsivamente a tarde toda, inclusive nas gravações. Durante a conversa com Andrés Sanchez, na sala do presidente, Zina vai saindo de fininho de cena,mas grita de forma escrachada que vai ao banheiro.

Em setembro, no momento mais emocionante do quadro, a RedeTV! entregou uma casa nova para o fã de Ronaldo. Na situação, Zina subverteu o clichê: perguntado se imaginou que um dia moraria naquela casa, disse: ‘Imaginei, sim’.

‘Ele é muito bonzinho. Cuidamos dele como se fosse nosso irmão indefeso’, diz Alan Rapp, diretor do programa.

PARA HOMENS

A TV Senado estreia hoje um programa de TV sobre a saúde masculina. É o ‘Cidadão Saudável’, série idealizada pela Sociedade Brasileira de Urologia para desmistificar doenças, como o câncer de próstata.

LIGA DOS CAMPEÕES

Durante a transmissão do jogo entre Real Madri de Milan, na última quarta, a Band foi vice- Líder do Ibope no horário, com nove pontos de média.

PALHAÇO-BOMBA

Hugo Possolo, do grupo de teatro Parlapatões, participará do ‘Programa do Jô’ de amanhã. Ele conversa como apresentador sobre o lançamento de seu livro ‘Palhaço-Bomba’.

NA MODA

O canal Fashion TV teve duas indicações para o prêmio Moda Brasil, ambas na categoria dedicada a programas de TV. Os vencedores do prêmio serão anunciados no dia 28."

 

Bia Abramo

MTV, quase 20 anos depois

"A MTV Brasil chega aos 19 anos.

Na semana que passou, comemorou o aniversário reapresentando vários de seus programas em quatro faixas de horário. A escolha foi por voto direto, no portal da emissora, e quem apresenta os programas são as duas mais recentes estrelas da casa, os comediantes Marcelo Adnet e Dani Calabresa.

Não deixa de ser curioso pensar na MTV como veterana, pelo menos para a minha geração. Em 1990, a MTV representava não apenas a possibilidade de ver, durante 24 horas, clipes e mais clipes. Para quem gostava de música pop, isso era, simplesmente, incrível. Significava, em primeiro lugar, informação atualizada sobre música, significava poder ver suas bandas prediletas em ação (mesmo que tivesse de aguentar um monte de baba no meio do caminho). Perto dos parcos e regulados programas que apresentavam videoclipes nos anos 80 -’Clip Trip’, ‘Realce’, ‘Clip Clip’, entre outros-, a MTV era o máximo que um interessado em música poderia esperar. É claro que o ‘gosto’ da MTV, no geral, tendia para o ‘mainstream’ e que, de certa forma, ninguém era ingênuo a ponto de não saber que os videoclipes eram as melhores armas da indústria fonográfica para vender seus produtos. Ainda assim, a programação, esperta, tentava atender a diversos interesses, com programas como ‘Yo! MTV Rap’, ‘Lado B’ etc. Além disso, antes da disseminação das TVs por assinatura, a MTV tinha o charme de ser uma TV jovem feita por gente jovem. Era ágil, moderna, informal -é verdade que também, às vezes, a agilidade se confundia com movimentação excessiva e inútil e a informalidade parecia ser só um nome bonito para a inexperiência e o amadorismo-, mas, de qualquer maneira, aquilo que se fazia na MTV em termos de linguagem e de programação sempre parecia novo e excitante.

De algum tempo para cá, quando o negócio da música é completamente outro e a informação está na rede, a MTV teve de mudar. A interatividade, passo tão óbvio quanto necessário, deu fôlego novo à emissora, mas a aposta no humor parece ser das mudanças mais acertadas. Marcelo Adnet e Dani Calabresa estão, hoje em dia, entre os mais talentosos comediantes da TV. Eles são rápidos, falam sobre qualquer coisa e têm uma velocidade que combina com o novo ritmo das trocas infindáveis e incessantes de mensagens de vários tipos pela rede.

Talvez seja arriscado prever alguma coisa a essa altura, mas parece que essa junção, humor e rede, é que vai dar samba."

 

Audrey Furlaneto

‘Virou moda ter elenco multirracial’

"Em um de seus trabalhos na Globo, ‘Sinhá Moça’ (2006), Ruth de Souza, 88, uma das primeiras atrizes negras a fazer TV no Brasil, reclamou: seu papel não tinha nome, era apenas ‘a velha’. Seu par, vivido pelo ator também negro Clementino Kelé, era o Pai Tobias. ‘Eu disse: ‘Será possível que a pobre dessa personagem não tenha nem nome?’. Aí botaram Mãe Maria. E falei: ‘É Mãe Maria, Pai João e o moleque de recados. Como sempre. E nós já estamos no século 21.’

Naquela trama, Ruth seguiu com o mesmo nome e, agora, três anos depois, vê ‘alguma mudança’. De quatro novelas da Globo, três têm negras como protagonistas: Taís Araújo, em ‘Viver a Vida’, Camila Pitanga, em ‘Cama de Gato’, e Élida Muniz, em ‘Malhação’.

‘Está na moda. Estão acreditando que podemos fazer. Até então, éramos vistos como Pai João, Mãe Maria e o moleque de recados’, diz a atriz, que protagonizou ‘A Cabana do Pai Tomás’ (1969). Nela, Sérgio Cardoso, como diz a Globo, ‘precisou pintar rosto e corpo de preto, usar perucas e inserir rolhas no nariz’ para viver um negro.

Na versão ‘moderna’ (e oposta) da caracterização, Taís Araújo, 30, usou peruca para ter o cabelo perfeitamente liso em ‘A Favorita’ (2008). Já em ‘Viver a Vida’, assumiu o cabelo crespo. ‘Pela primeira vez, temos uma Xuxa negra’, avalia Joel Zito Araújo, autor do livro e do filme ‘Negação do Brasil’.

‘Taís é Xuxa no sentido icônico, de um modelo carismático de beleza’, diz. Ruth de Souza concorda: ‘É a volta do ‘black is beautiful’. Ou um ‘modismo’, como diz José Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Embora ‘a escalação não seja estratégia de marketing’, diz ele, ‘há um marketing em cima desse crescimento’. ‘Reconhecer que o negro é igual é importante e politicamente correto. É entrar na tendência.’

A inserção do negro, no entanto, não ‘rompe com a carga secular de estereótipos. Não podemos cair na visão ingênua de que, agora, as novelas vão defender o negro como modelo de pureza e beleza’, diz Joel.

Para o cineasta, o fato é ainda reflexo da estética da TV e do cinema dos EUA, que popularizou artistas negros como Will Smith, e de mudanças sociais: passou de 45% para 51% a porcentagem dos que se declaram pretos e pardos no Brasil (de 1998 para 2008). E cresceu de 8% para 15% a presença no grupo do 1% mais rico do país.

Sem cota

Por 20 dias, a Folha procurou Camila Pitanga e Taís Araújo para falar sobre o assunto, mas não foi atendida.

Em outra entrevista, Camila afirmou que o fato de ter três protagonistas negras no ar é ‘uma conquista histórica’.

Em comunicado, a Globo informou que ‘pela legislação, cabe somente à própria pessoa indicar sua origem racial’. Por isso, não diz quantos atores negros estão no ar.

Já a Record tem sete negros em duas novelas. Em ‘Poder Paralelo’, de 50 papéis, eles interpretam três. ‘Nas reuniões de escalação de elenco, sempre se alerta sobre a importância de escalar atores negros’, diz o autor Lauro Cesar Muniz.

Para o diretor da Central Globo de Comunicação, Luis Erlanger, o que se vê nas novelas agora é ‘coincidência’. ‘Na escalação, coincidiu que diretores e autores convocassem atores negros. Está coincidindo agora? Está. Pode não coincidir nas próximas [novelas]? Pode.’

Questão comercial

Formado no Bando de Teatro Olodum, grupo de atores negros, Lázaro Ramos, 30, diz que isso é ‘motivado também por questão comercial’. ‘Produtos com negros têm boas audiências.’ Exemplo: ‘Cobras & Lagartos’ (2006), com ele, Taís e Milton Gonçalves, teve, em média, 45 pontos no Ibope.

‘Não gosto de levar esse debate para a questão social, da diversidade. Não é questão social, mas artística’, diz o ator.

Como Lázaro, Dani Ornellas foi do teatro e cinema à TV. Aos 31, contabiliza oito longas.

Na TV, porém, fez três novelas -duas como escrava e uma como iaô do candomblé. ‘Televisão é mais difícil. Não é o fato de estar como escravo ou empregado, mas da importância na trama. Não adianta ter negros à margem da história.’

Para Ruth e Lázaro, há outra questão: faltam autores negros. ‘Como o autor vai escrever um bom papel se ele só vê as negras na cozinha dele? Ou no samba com o bumbum rebolante?’, questiona Ruth. ‘A tendência da TV, com os mesmos autores, é que as histórias fiquem no mesmo universo’, diz Lázaro.

Os autores apontam para outro lado: até então, ‘existia uma grande carência de atores mais jovens’, afirma Silvio de Abreu, de ‘Belíssima’ (2005). ‘O que muda não é a cor da pele, mas o interesse do autor. Ninguém vai arriscar escrever um papel importante se não tiver ator para interpretá-lo.’

Ele completa: ‘Antigamente, quando se pensava uma família negra, havia os pais (Zezé Motta, Milton Gonçalves, Antônio Pitanga) ou os avós (Ruth de Souza, Grande Othelo)’.

Já João Emanuel Carneiro, de ‘Cobras & Lagartos’ e ‘Da Cor do Pecado’ (2004), diz que ‘temos excelentes atores negros e é importante que eles não façam papéis de ‘negros’."

 

Nina Lemos

Na TV, negros são perfeitos ou caricatos

"Em tempos de Barack Obama, nada mais natural que uma negra seja protagonista da novela das oito. A primeira-dama dos EUA é considerada hoje uma das mulheres mais elegantes do mundo. Foi capa até da poderosa ‘Vogue América’. Michelle é ‘aceita’ e suas roupas, copiadas mundo afora.

Normal ver Taís Araújo como a Helena da novela das oito. Afinal (e ainda bem) todos estão acostumados com a imagem do casal Obama, acompanhado pelas fofas Sasha e Malia. A ‘família real’ americana parece perfeita. Assim como a protagonista de ‘Viver a Vida’, uma moça bem-sucedida, boa pessoa, linda e aparentemente sem nenhuma falha de caráter.

O mesmo acontece com Rose, a moça batalhadora e companheira interpretada por Camila Pitanga em ‘Cama de Gato’. Camila, vale lembrar, ainda é considerada ‘quase branca’ por muitos telespectadores.

As personagens negras de novelas ou primam pela perfeição ou pela caricatura. A ótima Bebel, interpretada por Camila em ‘Paraíso Tropical’, era prostituta.

E quase todos os negros que vemos na TV continuam sendo empregados ou coadjuvantes sem grandes histórias. Como diz uma amiga (negra), a única pessoa que tem família em novelas é o ator Milton Gonçalves, que costuma interpretar homens respeitáveis e com vidas ‘normais’.

É positivo ver que a Helena de ‘Viver a Vida’ tem uma família. Mas estranho perceber que sua irmã na trama vive um caso de amor com um bandido (negro).

O mesmo acontece com outra minoria: os gays. Nesse caso, eles são coadjuvantes, maquiadores, cenógrafos de escola de samba ou bookers (como o Osmar de ‘Viver a Vida’).

No outro extremo, estão os gays bem-sucedidos, com relacionamentos maravilhosos e ‘aceitáveis’. A TV, quem diria, também criou os gays com família margarina. Talvez um dia eles protagonizem uma novela. Mas será que isso só vai acontecer quando um homossexual for eleito presidente dos EUA?"

 

Sérgio Rizzo

Anárquica, série dos anos 50 ajudou a formatar humor na TV

"Muitos dos pais de fãs de ‘Seinfeld’, ‘Friends’, ‘Will & Grace’ e ‘Two and a Half Men’ ainda não haviam nascido quando o modelo de seriado cômico era formatado por um casal que reinou durante a década de 50 como o mais popular da TV norte-americana.

De 1951 a 1957, Lucille Ball (1911-1989) e Desi Arnaz (1917-1986) produziram e estrelaram 181 episódios de ‘I Love Lucy’, que obteve o primeiro lugar de audiência em quatro de suas seis temporadas (nas outras duas, ficou em segundo e em terceiro lugares).

Os alicerces desse fenômeno, que se mantém ainda hoje como um dos mais bem-sucedidos na história da TV nos EUA, se espalham pelos 35 episódios da primeira temporada recém-lançada em DVD em caixa de sete discos que traz ainda o episódio-piloto, perdido durante décadas e só exibido, como relíquia, em abril de 1990.

Nele, um narrador conduz o espectador até um pequeno apartamento no sétimo andar de um prédio de Nova York próximo à região dos teatros e das casas noturnas, onde despertam -em camas separadas- Ricky e Lucy Ricardo. Cantor, ele se prepara para uma importante apresentação; ela quer acompanhá-lo, contra a vontade dele.

O argumento para um seriado que falasse de modo bem-humorado sobre o cotidiano de um casal veio do programa de rádio ‘My Favorite Husband’, criado em 1948 e estrelado por Ball, que interpretava a mulher de um banqueiro. Quando a rede CBS se interessou em adaptá-lo para a TV com a própria atriz, Arnaz entrou no pacote.

Os dois se conheceram nas filmagens de ‘Garotas em Penca’ (1940) e se casaram em seguida. Ao fundar, em 1950, a produtora Desilu, tentavam justamente viabilizar trabalhos conjuntos. A negociação com a CBS possibilitou que assumissem a produção do seriado, os direitos sobre os personagens e a autonomia criativa.

Levado ao ar em outubro de 1951, o primeiro episódio, ‘As Garotas Querem Ir a uma Boate’, já estabeleceu parâmetros duradouros, como um apartamento de classe média para os Ricardo, mais cenográfico do que o ambiente do piloto, e a presença de um casal de vizinhos, Ethel (Vivian Vance) e Fred Mertz (William Frawley).

No segundo episódio, ‘Seja Companheira’, as variações em torno da situação-base -marido que parece desinteressado da mulher- incluem brincadeiras com as origens cubanas de Ricky (e do próprio Arnaz) e uma referência ao Brasil, em homenagem a Carmen Miranda (1909-1955), com Ball dublando ‘Mamãe Eu Quero’.

Semana após semana, cada nova meia hora foi consolidando características técnicas -como a gravação com quatro câmeras diante de uma plateia, o primeiro seriado a fazer isso- e dramatúrgicas, com destaque para os diálogos ágeis.

Duelos verbais, frases de duplo sentido e humor às vezes anárquico, mas sempre para consumo familiar, lembram que esse gênero televisivo tem como avós Ricky e Lucy Ricardo.

I LOVE LUCY – 1ª TEMPORADA

Distribuição: Paramount

Quanto: R$ 129,90 (em média)

Avaliação: bom"

 

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