Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 17 E 18/7

Folha de S. Paulo

20/07/2010 na edição 599

IMPRENSA E POLÍTICA
Leandra Peres

Para presidente da SIP, Lula ameaça democracia

O presidente da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), Alejandro Aguirre, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘não pode ser chamado de democrático’.

Segundo ele, Lula pode ser comparado a Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina) que, apesar de eleitos democraticamente, usam o governo para reduzir a liberdade de imprensa.

O ‘apoio moral’ que o Brasil dá à ditadura em Cuba, a tentativa de aprovar leis no Congresso que limitam a liberdade de imprensa e o uso da publicidade oficial foram citados por Aguirre como sinais de fraqueza da democracia no Brasil, assim como na Argentina e no Equador.

‘Temos governos que se beneficiaram das instituições democráticas, de eleições livres, e estão se beneficiando da fé e do poder que o povo neles depositou para destruir as instituições democráticas. Esses governos não podem continuar a se chamar de democráticos. Não podem seguir falando em nome de líderes democráticos do mundo porque não atuam dessa forma’, disse.

Questionado se Lula faria parte do grupo de governantes, respondeu que ‘sim’.

Aguirre também criticou Lula por não ter se pronunciado contrário à censura ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, imposta pela Justiça há um ano e que proíbe a publicação de reportagens sobre a Operação Faktor, da Polícia Federal, que envolve Fernando Sarney, empresário e filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O Palácio do Planalto não comentou as críticas.

A Venezuela, disse o presidente da SIP, é o país onde mais claramente se expressa a tendência de interferência. No Equador, o Congresso discute lei que a entidade considera ‘bastante restritiva’ à liberdade de expressão.

Além da interferência de governos, a SIP aponta a crescente violência contra jornalistas como um risco à liberdade de expressão no continente -17 jornalistas foram assassinados neste ano e 11, sequestrados.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos composta por 1.300 jornais que define sua missão como ‘defender a liberdade de expressão e de imprensa em todas as Américas’. A Folha é integrante da entidade.

 

CONTROLE
Texto de conferência sobre mulher defende controle social da mídia

As diretrizes aprovadas na 11ª Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina incluem temas como controle social da mídia, inclusão de casais do mesmo sexo na Previdência e revisão das leis que punem mulheres que praticam aborto.

A Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência, da ministra Nilcéa Freire, assinou o texto, chamado de Consenso de Brasília. Representantes de 33 países participantes referendaram o documento.

Segundo o texto, para facilitar o acesso das mulheres às novas tecnologias e promover meios de comunicação não discriminatórios é preciso ‘construir mecanismos de monitoramento, participação popular e controle social nas emissoras de rádio e televisão, assim como nos espaços de regulação da internet, assegurando a participação ativa e constante da sociedade no monitoramento do conteúdo’.

A secretária de Planejamento da secretaria, Lourdes Bandeira, negou que o texto defenda algum tipo de censura.

 

FRANÇA
Ana Carolina Dani

Censura a revista gera crise na França

Os efeitos colaterais do escândalo político-financeiro envolvendo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, agora atingem a mídia.

A revista satírica ‘Le Monte’ -paródia do influente diário ‘Le Monde’- foi obrigada pela Justiça a ocultar suas fotomontagens com o mandatário. Em uma delas, ele é representado nu em uma cela, prestes a manter ato sexual com um homem.

A publicação começou a recolher os exemplares nas bancas, sob pena de ser multada em 100 para cada foto não ocultada. Seu advogado, Patrick Klugman, considerou a medida ‘preocupante’, por atacar ‘a liberdade de expressão’.

O ministro do Trabalho, Eric Woerth, também tesoureiro do partido governista (UMP), é acusado de ter recebido doações ilegais da ex-contadora de Liliane Bettencourt -a herdeira do grupo l’Oreal- para financiar, em 2007, a campanha presidencial de Sarkozy.

Mas o caso Bettencourt também questionou a crise por que passa a mídia impressa do país. As principais revelações não foram feitas pela mídia tradicional, mas por publicações de menor porte, como ‘Marianne’ e ‘Le Canard Enchaîné’, e por sites alternativos.

Em entrevista à Folha, Edwy Plenel, fundador do site Mediapart e ex-redator-chefe do ‘Monde’, disse que a mídia francesa estaria nas mãos de ‘amigos’ de Nicolas Sarkozy.

O site e seu criador foram violentamente atacados pelo governo depois da publicação, no dia 16, de depoimento da ex-contadora de Liliane Bettencourt.

O Mediapart foi acusado de utilizar métodos fascistas e trotskistas.

‘Sites como esses são meios de comunicação mais reativos, que privilegiam o trabalho de investigação’, afirma Laurent Leger, jornalista independente.

OPOSIÇÃO

Asfixiada pela queda nas vendas, pela concorrência com os diários gratuitos e pela internet, a imprensa francesa acabou fazendo alianças polêmicas. Um exemplo foi a aquisição, em 2005, do jornal ícone da esquerda -o ‘Libération’, fundado pelo filósofo Jean-Paul Sartre- pelo empresário Edouard de Rothschild.

Já o ‘Monde’ acumulava dívida entre 80 milhões e 120 milhões e estava à beira da falência havia poucos dias, quando foi adqurido pelos empresários Pierre Bergé, Xavier Niel e Matthieu Pigasse. O processo teve a intervenção direta de Sarkozy.

Ele chegou a convocar o diretor-executivo do jornal, Eric Fottorino, para manifestar sua oposição à aquisição do jornal pelo trio, considerado por ele como ‘excessivamente de esquerda’.

 

Mandatário francês ‘tem raiva do jornalismo’

Cofundador do Mediapart, Edwy Plenel, defensor de um jornalismo ofensivo de investigação, afirma nunca ter vivido, em 30 anos de experiência profissional, um ataque tão forte e virulento por parte do governo francês. (AD)

Folha – Por que a reação do governo foi tão violenta?

Edwy Plenel- Em 30 anos de profissão, vivi outras situações conflituosas com o poder, como nas Presidências de Mitterrand e Chirac, mas nunca com tanta violência e virulência -diria mesmo que nunca com tanta raiva do jornalismo.

Deixa claro, também, a estratégia que vem sendo praticada pelo governo com a pluralidade democrática.

Há uma vontade de desacreditar a imprensa?

Essa vontade existe desde o primeiro dia [do mandato de Sarkozy], como as nomeações dos dirigentes das rádios e TVs públicas -feitas diretamente pelo presidente da República.

A imparcialidade da imprensa está em risco ?

No caso Bettencourt, a opinião pública vem se dando conta da deriva desse governo, onde não há mais separação do poder, não há mais contrapoder.

 

Governo x mídia outros casos

ITÁLIA

No último dia 9, jornais, sites, TVs e rádios suspenderam atividades em protesto contra a ‘lei da mordaça’ que o premiê Silvio Berlusconi tenta aprovar no Congresso; texto, já aprovado no Senado, restringe a utilização de grampos em investigações e pune meios e jornalistas que os divulgarem

EUA

No ano passado, Casa Branca qualificou a TV conservadora Fox News de ‘braço do Partido Republicano’ por suas ácidas críticas contra Barack Obama; o presidente americano disse à época que veículos de mídia passariam a ser tratados pelo seu governo dependendo da maneira como agissem

VENEZUELA

Em 2007, governo Hugo Chávez suspendeu a licença da emissora opositora RCTV, proibindo-a há seis meses de ir ao ar como TV paga, e neste ano fez um pedido de prisão à Interpol contra presidente da Globovisión, seu filho e um sócio; emissoras apoiaram o golpe frustrado de 2002

ARGENTINA

Há cerca de um ano, governo Cristina Kirchner trava disputa com o Grupo Clarín, adotando medidas como a interferência na transmissão de partidas de futebol, liberando-a para a TV pública; o envio de lei de mídia ao Congresso que o prejudica; e a suspensão de autorização para fusão de canais; Receita realizou blitz no jornal ‘Clarín’

 

Marc-Antoine Dilhac, Le Monde

A importância de uma imprensa livre e inflexível para os regimes democráticos

Cabe festejar sem reservas as revelações e análises da imprensa francesa no caso Bettencourt-Woerth.

O governo e os ocupantes de cargos eletivos deveriam se parabenizar por a França ter uma imprensa independente e vigorosa. Talvez alguns dos políticos que evocam o uso de ‘métodos fascistas’ não saibam a importância da imprensa livre e inflexível para a democracia.

Em um regime no qual os cidadãos exercem a autonomia política, a função essencial da imprensa é dar a eles meios de desenvolver senso crítico. Logo, é indispensável dar dados pertinentes, sem disfarçar os desagradáveis.

Essa liberdade de informar é tão essencial para a democracia que não pode ser limitada sem que os direitos de cada cidadão sejam ameaçados. São necessárias razões superiores para que isso seja contradito de forma legítima.

Difamação seria uma delas? Caso difame uma pessoa privada ao divulgar erroneamente atos que suscitem julgamentos degradantes, a imprensa não teria direito a invocar indulgência. Mas os mesmos princípios não servem para restringir a liberdade de imprensa quando esta investiga fatos públicos, com pessoas públicas.

É sabido que, em seu desejo de revelar a verdade, a imprensa pode usar dados insuficientes, cometer erros. Mas, se a condenarmos pelos erros de boa fé, o efeito será um só: a censura pela autocensura.

De sua parte, a imprensa não deveria aceitar quaisquer compromissos na busca por informações. É preciso abandonar a ideia de que a imprensa é o quarto poder, porque ela é, na verdade, a serva livre da democracia.

MARC-ANTOINE DILHAC é doutor em filosofia e professor-adjunto de filosofia

 

SÍMBOLO
Marcos Augusto Gonçalves

Logo da Copa ‘mega fail’

Ganhou fama já há alguns dias na internet um vídeo intulado ‘Logotipo da Copa Mega Fail’, no qual personagens envolvidos na escolha do fracassado símbolo da Copa de 2014 são dublados com falas humorísticas.

Circulam também incontáveis mensagens críticas e indignadas sobre o assunto. No Facebook eu mesmo aderi a um grupo, recém-criado, que se chama ‘Isso, não! Queremos outro logo para Copa 2014’, do qual também participam designers gráficos de alto nível.

O fiasco retumbante do logotipo está associado a um padrão que já se transformou na verdadeira marca registrada dessa Copa brasileira: tudo é feito na penumbra, com pouca ou nenhuma transparência, em decisões de ‘diretoria’.

A insatisfação com o símbolo, que se multiplica na rede, não deixa de ser uma tentativa de começar a arrombar essa festa para a qual esqueceram de convidar o Brasil.

Já é hora de a Copa sair dos gabinetes e ganhar dimensão pública. Se o país é ‘de todos’, como diz a propaganda do governo federal (paga, aliás, com o dinheiro de todos), a Copa também é -e consumirá, como se sabe, uma montanha de dinheiro do contribuinte.

As pessoas começam, enfim, a se dar conta dessa realidade e a notar que decisões estão sendo tomadas sem que se ofereçam oportunidades de opinião e participação. Tudo se passa como se uma ditadura da Fifa estivesse sendo instalada no país com apoio dos chefões do esporte e da política.

O problema é que vivemos há anos numa democracia. E, embora alguns não gostem disso, já estamos acostumados com debates, críticas, audiências públicas, consultas, canais de participação.

Um bom recomeço, para que as coisas pudesem caminhar com um pouco mais de respeito aos ‘idiotas’ em que fomos transformados, seria voltar atrás nesse logo e promover um concurso público como são feitos -ou eram feitos- os concursos arquitetônicos.

 

TELEVISÃO
Gustavo Villas Boas

Documentário dramatiza a morte de Jean Charles

O eletricista mineiro Jean Charles de Menezes, 27, saiu atrasado para o trabalho, em 22 de julho de 2005, do apartamento londrino em que morava com duas primas. Tomou dois ônibus antes de chegar ao metrô de Stockwell; parou para pegar um jornal dentro da estação; o comboio chegou depois da hora correta e isso permitiu que ele entrasse no trem.

Lá dentro, foi atacado pelos homens da Operação Kratos e morto sem razão. São esses passos que o documentário ‘O Assassinato de Jean Charles’ acompanha. ‘Esperamos o fim do julgamento em 2009 para fazer o filme, para apresentar as provas e conseguir os depoimentos que reconstituem aquele dia, em que houve uma sucessão de erros e de infortúnios’, diz Carla Ponte, produtora do documentário.

Assim que saiu de casa, Jean foi perseguido por homens da Scotland Yard. Cada passo seu era narrado por rádio, telefone. No percurso até Stockwell, ele foi se transformando, para a polícia londrina, no suspeito Nettletip. Esse era o codinome com o qual as autoridades batizaram o homem que participara de um frustrado atentado no dia anterior. Ele deixara um documento em uma mochila que levou a polícia ao apartamento do brasileiro.

O documentário intercala a dramatização dos acontecimentos com depoimentos dos advogados de defesa, da família de Jean Charles, de ex-policiais londrinos e de especialistas em terrorismo. Imagens de arquivo relembram a vida de Jean Charles, a repercussão na imprensa do assassinato e o enterro do eletricista em Minas.

O filme também exibe a sequência capturada pelas câmeras de segurança do metrô que mostra Jean Charles dentro da estação pouco antes de ser morto. As imagens derrubam a versão de que ele havia pulado a catraca e desobedecido às ordens de parar.

A atuação do governo brasileiro no caso e o resultado do julgamento -sem nenhuma punição- também são apresentados. Concluído há um mês, o filme mostra o destino das autoridades que comandaram a operação desastrada: duas delas foram recentemente promovidas.

NA TV

O Assassinato de Jean Charles

QUANDO Amanhã, às 21h, no Discovery

CLASSIFICAÇÃO Não informada

 

CAMPANHA
Vitor Moreno

Paródia pró-Dilma estoura na internet

O estudante de publicidade Paulo Reis, 25, foi dormir na última quarta-feira (14) como anônimo, mas acordou no dia seguinte como a mais nova celebridade da internet.

Bastou o vídeo ‘Dilmaboy’, em que ele parodia a música ‘Telephone’, de Lady Gaga, ser citado no blog Papel Pop para virar um hit instantâneo no YouTube.

Sem grandes artifícios, o vídeo mostra Reis cantando uma letra que elogia a candidata à Presidência da República Dilma Rousseff (PT). O vídeo lembra os feitos por fãs de Barack Obama durante a corrida eleitoral americana.

‘Ela não é o homem, mas é amiga do homem. Você não é o homem nem amigo do homem’, diz, referindo-se a Dilma e ao seu principal opositor, José Serra (PSDB).

Segundo o criador, que faz questão de frisar que não tem filiação partidária, mas é fã da candidata petista, o sucesso não foi inesperado.

Reis diz que teve a ideia de criar um vídeo viral -desses que se espalham na internet- depois de assistir a uma reportagem sobre o tema.

A ideia era fazer as pessoas falarem mais sobre política. ‘É um tema meio chato’, diz. ‘Ninguém vê horário político. É uma monotonia.’

O estudante, que mora em Rio Verde (GO), diz que há outras formas de tratar o tema. ‘Para o público jovem, ainda mais com a internet, eu acho que a abordagem tem que ser diferente.’

Ele conta que passou duas semanas até chegar à versão final da letra. ‘Ouvia a música, via uma frase que ficava bem e ia colocando.’

Para a gravação, contou com a ajuda de dois amigos.

Já o lançamento foi pensado estrategicamente para coincidir com o final da Copa, quando se começaria a falar sobre as eleições.

O vídeo não decolou imediatamente, mas, após ser descoberto, virou um dos mais comentados da rede.

De um dia para o outro, os acessos passaram de cerca de 500 para mais de 20 mil. Os comentários -elogiosos e maldosos- pipocaram em redes sociais, como o Twitter.

Até a candidata do PT mandou um ‘grande abraço’ para o estudante e indicou o vídeo para os seguidores.

 

JORNALISMO CULTURAL
Sylvia Colombo

‘Editor é segundo cérebro de um texto’

Leia a continuação da entrevista com o autor peruano Julio Villanueva Chang.

‘Qual é o papel da linguagem e do estilo narrativo que você adota nesse processo de construção dos personagens?

Assim como há críticos de vinhos, quem escreve um perfil é um crítico de pessoas. Quando você tem a sorte de retratar uma vida extraordinária, é uma oportunidade de unir a estética à crítica.

Quando escrevo uma crônica, ou sua versão mais ambiciosa, que é um perfil, tento converter a informação em conhecimento e o acontecimento em experiência.

Em tempos em que as notícias aparecem de imediato na tela de seu telefone celular, explicar um acontecimento já não é tanto uma liberdade estética, é uma necessidade ética.

Hoje, na imprensa impressa ou na eletrônica, a quase ninguém importa escrever bem ou ser crítico. E confunde-se a crítica com a queixa. O leitor comum, de textos impressos ou eletrônicos, percebe o mundo sobretudo através das palavras.

Quem não se preocupa por ‘escrever bem’ não perde leitores, isso é o de menos. Perde, sim, gente que entenda que diabos está sucedendo e que, assim, se comova, divirta ou se indigne.

Que papel pensa ter a imprensa cultural e revistas como a ‘Etiqueta Negra’ hoje?

Ao olharmos o mundo do presente, a confusão certamente é natural.

Mas não é um tema cultural o fato de médicos acreditarem que séries como ‘House’ aumentam a procura para se estudar medicina? Não é um tema cultural que na Polônia a autoridade que cuida dos menores peça que se investigue se os Teletubbies fomentam a homossexualidade entre as crianças?

Que dizer quando um cozinheiro como Ferran Adrià é o convidado principal da feira de arte mais vanguardista do mundo? Quem me explica por que um refrigerante com cor de urina vende mais que a Coca-Cola no Peru? Ou por que hoje alguns futebolistas brasileiros vão mais à igreja do que às discotecas?

O jornalismo cultural pode ser uma oficina de informação sobre a humanidade.

Hoje, o problema da informação não é tanto o de sua abundância, mas o de sua uniformidade e como, diante da saturação, nos esquecemos de tudo tão rápido.

Para além das entrevistas e das crônicas de fenômenos culturais, em que podemos ser bons historiadores do presente, creio que as revistas são o lugar natural para os experimentos e que a aposta é publicar nelas tudo o que não aparece na internet, cuja incandescência e mutabilidade nos convenceu de que tudo está ali.

Como vê a diferença dos ofícios de escritor e de editor?

Escrever e editar são para mim duas máscaras do ato fundamental de ler.

Me interessa a figura do editor como um segundo cérebro, como cúmplice na mediocridade ou na excelência de um texto. Um editor é um ignorante especialista em fazer boas perguntas.

Escrever e editar é buscar memória. Quando publico meus textos ou os de outros, minha ilusão não é tanto que se chegue a um ponto final, mas que a história tenha um depois de amanhã.

 

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