Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Folha de S. Paulo

29/09/2010 na edição 609


MÍDIA & POLÍTICA


Carlos Eduardo Lins Da Silva


Colunista de ‘O Globo’ faz análise crítica sobre ‘O Lulismo no Poder’


A língua inglesa tem uma palavra -serendipity- para a qual é difícil encontrar equivalente em português. Ela define uma situação em que alguém, por acaso ou acidente, faz uma descoberta feliz e/ou inesperada.


O termo vem do persa (sarandip), um dos primeiros nomes do país agora chamado Sri Lanka. Havia na Pérsia um conto de fadas chamado ‘As Três Princesas de Sarandip’, cujas personagens principais tinham lampejos em suas viagens ao se encontrarem em situações ou lugares ou acharem coisas que não haviam buscado.


Uma das grandes vantagens dos veículos de comunicação chamados atualmente de ‘tradicionais’ (alguns críticos usam adjetivos muito menos neutros para classificá-los) sobre aqueles que se tornaram possíveis graças à internet é o fato de eles oferecem às pessoas chances de viverem momentos de ‘serendipity’.


Quem abre um jornal, por exemplo, não sabe de antemão com que vai se deparar. Já na internet, em geral, você só encontra o que procura.


Numa situação em que um líder político tem a aprovação de 80% da população, como é o caso do presidente Lula atualmente no Brasil, é natural que grande parte de tudo que se escreva sobre ele lhe seja elogioso. E também é natural que seus fãs procurem sempre informações e opiniões que corroborem suas certezas a respeito dele.


LULISMO


Mas, como alertava Nelson Rodrigues, entre outros, a unanimidade pode ser perigosa. Ao menos para a inteligência. Se admiradores do presidente Lula tiverem a oportunidade de se defrontar com argumentos que o coloque sob um prisma menos favorável, poderão até não se deixar convencer por eles, mas talvez tenham a oportunidade de refletir e de manter suas convicções, que, depois de expostas a juízo diverso, provavelmente ficarão mais consistentes.


Merval Pereira é um jornalista que tem escrito há anos uma coluna política no jornal ‘O Globo’, na qual vem exercendo uma análise crítica do fenômeno que se tem convencionado chamar de ‘lulismo’.


Entre as características que a distinguem da maioria das demais do jornalismo diário impresso está a sua extensão, grande para os padrões vigentes na imprensa, imensa se comparada à linguagem telegráfica de muitos dos que militam na mídia da internet.


O tamanho de seus textos é adequado ao seu estilo, que recorre a raciocínios bem elaborados que se conectam até chegar a uma (ou mais de uma) conclusão.


Pereira coletou dezenas dessas colunas, editadas entre 2003 e 2010, a era Lula, e as está publicando em forma de livro, intitulado ‘O Lulismo no Poder’, pela editora Record.


Quem gosta e quem não gosta do presidente Lula, assim como quem gosta de alguns traços do presidente e não gosta de outros, deveria ler este livro. Todos encontrarão, no tom sereno e racional que caracteriza o trabalho cotidiano do autor, razões para pensar e aprofundar sua avaliação do que ocorreu no Brasil nestes oito anos.


 


 


Editorial


Todo poder tem limite


Os altos índices de aprovação popular do presidente Lula não são fortuitos. Refletem o ambiente internacional favorável aos países em desenvolvimento, apesar da crise que atinge o mundo desenvolvido. Refletem,em especial, os acertos do atual chefe do Estado.


Lula teve o discernimento de manter a política econômica sensata de seu antecessor. Seu governo conduziu à retomada do crescimento e ampliou uma antes incipiente política de transferências de renda aos estratos sociais mais carentes.A desigualdade social, ainda imensa, começa a se reduzir. Ninguém lhe contesta seriamente esses méritos.


Nem por isso seu governo pode julgar-se acima de críticas.O direito de inquirir,duvidar e divergir da autoridade pública é o cerne da democracia, que não se resume apenas à preponderância da vontade da maioria.


Vai longe, aliás, o tempo em que não se respeitavam maiorias no Brasil. As eleições são livres e diretas, as apurações, confiáveis -e ninguém questiona que o vencedor toma posse e governa.


Se existe risco à vista, é de enfraquecimento do sistema de freios e contrapesos que protege as liberdades públicas e o direito ao dissenso quando se formam ondas eleitorais avassaladoras, ainda que passageiras. Nesses períodos, é a imprensa independente quem emite o primeiro alarme, não sendo outro o motivo do nervosismo presidencial em relação a jornais e revistas nesta altura da campanha eleitoral.


Pois foi a imprensa quem revelou ao país que uma agência da Receita Federal plantada no berço político do PT, no ABC paulista, fora convertida em órgão de espionagem clandestina contra adversários.


Foi a imprensa quem mostrou que o principal gabinete do governo, a assessoria imediata de Lula e de sua candidata Dilma Rousseff, estava minado por espantosa infiltração de interesses particulares. É de calcular o grau de desleixo para com o dinheiro e os direitos do contribuinte ao longo da vasta extensão do Estado federal.


Esta Folha procura manter uma orientação de independência, pluralidade e apartidarismo editoriais, o que redunda em questionamentos incisivos durante períodos de polarização eleitoral.


Quem acompanha a trajetória do jornal sabe o quanto essa mesma orientação foi incômoda ao governo tucano. Basta lembrar que Fernando Henrique Cardoso,na entrevista em que se despediu da Presidência, acusou a Folha de haver tentado insuflar seu impeachment.


Lula e a candidata oficial têm-se limitado até aqui a vituperar a imprensa, exercendo seu próprio direito à livre expressão, embora em termos incompatíveis com a serenidade requerida no exercício do cargo que pretendem intercambiar.


Fiquem ambos advertidos, porém, de que tais bravatas somente redobram a confiança na utilidade pública do jornalismo livre. Fiquem advertidos de que tentativas de controle da imprensa serão repudiadas -e qualquer governo terá de violar cláusulas pétreas da Constituição na aventura temerária de implantá-lo.


 


 


Clóvis Rossi


Lula, notícia e propaganda


Há uma frase de Lula, ainda do início de seu primeiro mandato, que sempre me pareceu a mais acabada definição do que é notícia, quando vista dos palácios de governo: ‘Notícia é o que a gente [o governo] quer esconder; o resto é propaganda’.


Até achei que a frase fora cunhada por Ricardo Kotscho, então assessor de imprensa do presidente, que conhece bem os dois lados do balcão. Mas, como ele nega, aceito que seja mesmo de Lula. Pena que ele a tenha esquecido.


Por isso mesmo, reclama quando a mídia mostra o que o governo gostaria de esconder, como aconteceu no caso Erenice Guerra, para ficar no exemplo mais recente.


Por isso, reclama também da falta de propaganda das ações governamentais, embora nada do que o governo fez ou diz ter feito deixasse de ser anunciado. Nem sempre foi a manchete principal, como todo governante gostaria que fosse, mas estava lá.


O que mudou entre a frase do início do governo e a choradeira de hoje? Lula encharcou-se de popularidade e, por isso, exige que todo o noticiário seja propaganda.


Aliás, qualquer governante gostaria de que os meios de comunicação não passassem de apêndices do Ministério de Comunicação Social ou de seu marketing. Só não tem, nas democracias, poder para tanto. E muitos, a maioria, tem pudor de confessar esse desejo.


Usam, então, o que o jargão britânico/americano chama de ‘spin doctors’, os especialistas em torcer um fato de forma a apresentá-lo sob a luz mais favorável possível ao chefe de turno.


Não perco um segundo de sono nem com a incontinência verbal de Lula nem com os anões fascistóides, como Fernando Barros e Silva chamou, adequadamente, os hidrófobos do lulo-petismo.


Durmo ainda mais tranquilo depois de ver na Venezuela o que é de fato atacar a mídia.


 


 


ELEIÇÕES


Anna Virginia Balloussier


Internet é o vale-tudo da campanha eleitoral


Para se apresentar ao eleitor, um presidenciável se ampara em três grandes mídias: TV, rádio e web. E precisa adotar uma estratégia diferente em cada uma delas.


Nesse sentido, a internet é o ‘inferno’: espaço do vale-tudo eleitoral, onde as pancadas são mais fortes para levar logo o adversário à lona.


Caso do vídeo encomendado pelo PSDB que alia a candidata Dilma Rousseff aos ‘radicais do PT’, representados por cães rottweilers.


Na campanha, distribuída apenas na rede, o rosto de Dilma se metamorfoseia até virar o de José Dirceu. Na sequência, o Planalto é coberto de tinta vermelha -alusão a uma suposta ditadura do PT.


Passado o ringue virtual, é a vez do rádio, ‘purgatório’ mais ameno do que a web.


Sem poder apelar às imagens, marqueteiros apostam em linguagem mais simples e vão direto ao ponto.


Um programa da semana passada, por exemplo, pôs Dilma como quem domou o ‘apagão do FHC’.


No mesmo dia, ela foi descrita na TV como a responsável por livrar ‘o Rio Grande [do Sul] do racionamento de energia que parou o país’ -mas nada do nome do ex-presidente aparecer.


Professor da USP e especialista em marketing político, Gaudêncio Torquato acompanha o quadro eleitoral há 30 anos e nunca achou ‘que agenda negativa em TV desse resultado’.


Para ele, bater de frente na TV não pega bem com o eleitorado. Ataques ao rival podem resvalar no ‘efeito joão bobo’: você bate, e ele volta para o mesmo lugar.


Aqui, valem imagens e cenas otimistas para construir o ‘Brasil dos sonhos’.


Bem-vindo ao ‘paraíso’ da propaganda eleitoral.


Não à toa, segundo o professor, Serra recuou dos ataques que vinha fazendo a Dilma. Pela primeira vez em semanas, o tucano evitou agredir a petista no programa da última quinta-feira.


Escândalos que envolvem o PT, como a queda de Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra do sigilo fiscal da filha do peessedebista, foram explorados à exaustão em propagandas anteriores.


VITIMIZAÇÃO


Para Torquato, pesquisas qualitativas mostraram aos tucanos que, ao atacar Dilma, eles corriam o risco de transformá-la em vítima. E, na TV, não se deve subestimar o ‘fator emoção’.


‘É o ‘efeito bolo’. Quanto mais [Serra] bateu, mais ela cresceu’, afirma.


Já o rádio precisa ser mais direto, ou não prenderá a atenção do ouvinte. ‘Como não tem imagem, há dificuldade maior na compreensão. Por isso, deve-se simplificar a linguagem. É o veículo mais popular’, avalia Torquato.


Por isso, uma das táticas nessa mídia é criar ‘personagens do povo’, adotando a informalidade de uma conversa no balcão da padaria.


ARENA ABERTA


Da internet saem as maiores alfinetadas entre campanhas. Mas essa sessão de acupuntura eleitoral ainda está longe de revolucionar a cena política brasileira.


Para Torquato, a rede é um ambiente ‘completamente descomprometido de valores e princípios’.


‘Existe um processo de canibalização recíproca. Um discurso come o outro’, afirma Torquato.


Ou seja, os ataques mútuos, multiplicados pela militância, acabam se anulando.


Norton Amato, diretor de uma agência de marketing digital especializada em política, chama esse exército político de ‘robozinhos que só replicam a informação’.


Amato aponta motivos que fazem da web uma arena aberta, como a facilidade de publicação e o anonimato.


‘É tentativa e erro. Você pode dar 10 tiros para testar uma tática, ver se vale a pena levá-la para mídias mais caras. Não dá para arriscar tanto num horário mais nobre.’


 


 


Ana Flor e Fabio Victor


A Hollywood de Dilma


Se em marketing político imagem é tudo, a campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) possui armas poderosas na guerra do horário eleitoral na TV.


A começar pela Red One 4K, uma câmera digital americana que filma com resolução de cinema. Com lentes e outros aparatos, pode custar R$ 500 mil.


O marqueteiro João Santana tem duas delas, e ambas têm sido usadas na propaganda de Dilma. Segundo profissionais do meio, é um dos diferenciais dos programas da coligação governista.


A equipe de TV da campanha, entretanto, afirma que a Red é um dos segredos, mas está longe de ser o único. Seu uso eficiente passa por profissionais de ‘primeira linha’, escolhidos a dedo pelo marqueteiro meses antes do início dos programas de TV.


Desde o início, Santana pôs na cabeça que faria ‘cinema’ na campanha. Montou sua equipe e sua parafernália com esse propósito. O planejamento se iniciou há quase um ano.


Por isso a opção pela Red, que, embora digital, recebe lentes semelhantes às de câmeras que gravam com filme de 35 mm utilizadas na sétima arte. Tem a melhor resolução possível para imagens digitais (8 milhões de pixels por quadro).


A campanha usa duas outras câmeras, Canon 5D e Sony HDX 500. A primeira também faz parte do arsenal da equipe do PSDB -que grava ainda com Sony EX3 e com Betacam Digital.


São todas câmeras que captam imagens com boa resolução, mas mais simples e mais baratas.


Só a Red, por exemplo, permite fechar planos, na ilha de edição, com alto grau de definição, sem perda da qualidade de imagem.


Para utilizar a Red, a equipe de TV de Dilma montou um sistema de ilhas de edição diferenciado. Há uma ilha exclusiva para baixar mais rapidamente as imagens feitas pela câmera. No total, o bunker de Santana em Brasília tem 10 ilhas trabalhando simultaneamente, quase 24 horas por dia.


‘O João [Santana] é obsessivo nos detalhes. As imagens são impecáveis, com definição de cinema, o que fica nítido na TV e faz a diferença’, afirma o publicitário Fernando Barros, da agência Propeg, gigante do mercado que tem contratos com vários partidos e governos.


O diretor de fotografia Alexandre Ermel, que trabalha para produtoras como a O2, de Fernando Meirelles, diz perceber que a campanha de Dilma ‘tem mais grana’, porque ‘tem mais steady [sistema que elimina a tremedeira na gravação], locações, equipe e equipamentos de cinema mesmo’.


Segundo a última prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, a campanha de Dilma e o comitê financeiro do PT declararam gastos de R$ 29 milhões com ‘produção de programas de rádio e TV’. Do lado tucano, a despesa declarada até agora foi de R$ 11 milhões.


Trabalhar com uma Red implica montar um esquema complexo e caro, com uma equipe de filmagem maior e mais especializada e equipamentos adequados para edição e finalização.


Segundo um integrante da equipe de comunicação de Serra, a falta de recursos justificaria o fato de o equipamento não ser usado pelos tucanos.


A diretora-executiva do programa de Dilma, Lô Politi, que vem da área publicitária e do cinema, afirma que a proposta da campanha é ‘inovadora, moderna, diferenciada’. ‘É muito raro que se tenha esse tipo de visão e qualidade em marketing politico’, afirma.


O parceiro de Lô na finalização dos programas é o diretor de arte Marcelo Kertész.


TRILHA SONORA


Um setor que também recebe grande investimento e atenção na campanha de TV de Dilma é o da trilha sonora dos programas, nem sempre perceptível para o telespectador comum.


Cada programa tem uma trilha específica, feita, assim como no cinema, depois da montagem e edição final.


São quatro estúdios de áudio, onde são feitas as trilhas e os programas de rádio. Nas madrugadas, depois que o programa é montado, a equipe de música, coordenada por João Andrade, cria e edita a trilha sonora.


E há, em relação à campanha do principal adversário, uma diferença de planejamento: a equipe de Santana começou a gravar imagens externas três meses antes do início do horário eleitoral, quando Serra acabara de admitir que era candidato.


 


 


Para diretora, Dilma da TV não é ‘invenção’


Para a diretora-executiva da campanha na TV de Dilma Rousseff, a paulistana Lô Politi, o diferencial dos programas petistas vai além dos equipamentos e da técnica. ‘[É uma campanha] cinematográfica, inovadora’, declara.


Segundo Lô, o conceito dos programas foi pensado meses antes pelo marqueteiro João Santana.


‘Tivemos tempo de pensar, pesquisar, experimentar. Aprofundamos o conceito e estabelecemos um padrão que não se vê realmente em campanha política’, afirma ela, que fez a campanha da eleição de Lula em 2002, coordenada por Duda Mendonça.


A cineasta diz que a decisão de ‘arriscar’ uma ‘linguagem inovadora’ no horário político era perigosa, pelos poucos meses de campanha na TV.


Ela nega que o resultado final seja fruto da superioridade técnica e dos equipamentos usados apenas pela campanha petista.


Desde o início das gravações, Lô cuida das tomadas com Dilma. Ela diz que a candidata que se vê na TV não é uma ‘invenção’. ‘O segredo de se vender um candidato está justamente em não tratá-lo como algo que se possa inventar e vender’.


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos


‘Ti Ti Ti’ resgata o público da internet, afirma autora


‘Ti Ti Ti’ resgatou o ibope das 19h na Globo e se tornou hype da moda na internet. Para Maria Adelaide Amaral, autora do remake da história, originalmente exibida em 1985, ‘a inserção de novas mídias’ é um fator de atração para a audiência, especialmente a mais jovem, que havia migrado para a TV fechada e a internet. A personagem-queridinha é Mabi (Clara Tiezzi), filha fashion de Jacques Leclair (Alexandre Borges). Amaral ‘jura por Deus’ que a criou antes de saber da badalada blogueira norte-americana Tavi Gevinson. Leia abaixo.


Folha – Que atualizações tem feito em relação ao original?


Maria Adelaide Amaral – São tantas, é difícil enumerar. Mas, sem dúvida, a inserção das novas mídias deve ter sido um fator de atração para o público. Para meu espanto, a Mabi, que não faz concessões nem de estilo nem de linguagem, é enorme sucesso. Dá prazer ver frases ou cenas da novela circularem no Facebook e Twitter.


A Mabi foi adotada por colunistas de moda. Frases dela são citadas nos blogs, e a [jornalista de moda] Regina Guerreiro já afirmou que Mabi é a filha que ela não teve.


Dizem que Mabi foi inspirada na blogueira Tavi Gevinson.


Acredite se quiser, mas a Mabi foi criada antes de eu saber da Tavi. Lembro que alguém comentou, lendo a sinopse, que a personagem era inverossímil. Até que recebi de meu pesquisador um e-mail com informações sobre Tavi, com o seguinte título: Mabi existe. Juro por Deus.


Quem vê ‘Ti Ti Ti’?


O público é muito diversificado e atraiu pessoas que estavam na TV fechada e na internet e tinham perdido o hábito de ver novelas.


Com o sucesso de ‘Ti Ti Ti’, a Globo se animou a fazer o remake de ‘Guerra dos Sexos’. Esse tipo de comédia do horário das 19h, tão característico dos anos 80, voltou?


Não dá para colocar no ar hoje uma novela que deu certo em outras décadas. Silvio de Abreu [‘Guerra dos Sexos’ e ‘Passione’] foi supervisor do remake que fiz de ‘Anjo Mau’ [1997/ 98] e disse que não devia ter medo de reformular. Ele me aconselhou a arregaçar as mangas e fazer a minha novela. O que se deve preservar é a grande ideia.


Como a atuação de Murilo Benício e Alexandre Borges interfere nessa versão de Victor Valentim e Jacques Leclair?


Eles estão impagáveis. Gosto da linha que a direção do Jorge Fernando deu a eles, quase sempre histriônicos, mas com sublimes momentos de intimismo.


 


 


Inácio Araujo


Modesto, mas eficaz, ‘Os Três Zuretas’ leva magia ao banal


Não é raro ouvir a reclamação, um tanto hipócrita, de que o cinema brasileiro só sabe fazer filme pornográfico.


Adotemos o ponto de vista do cinema e façamos a inversão: o público brasileiro ignora ‘filmes família’ feitos no país, com exceção dos que vêm da TV (Os Trapalhões).


Ok, aceitemos que filmes como ‘Os Três Zuretas’ (Canal Brasil, 16h20) mal chegam a ser divulgados. Mas aqui temos uma história muito simpática de três jovens numa cidade do interior, em 1960, experimentando a vida e já promovendo o encontro entre o mais banal e o mais mágico. É uma produção modesta, porém muito eficaz, de Cecílio Neto.


 


 


Vanessa Barbara


Comendador Ronnie Von


RONNIE VON, 66, é uma figura peculiar. Até pouco tempo atrás, as novas gerações mal sabiam que ‘Von’ se dizia ‘Fon’ e que ele era mais do que um sujeito arrumadinho que abrilhantava as noites da salada promovidas pelas associações de bairro.


Ronaldo Lindenberg von Schilgem Cintra Nogueira foi ídolo da juventude nos anos 60. Descoberto por Agnaldo Rayol, tinha um cabelo chanel de príncipe, os olhos verdes, cantava iê-iê-iê romântico e fora cadete da Aeronáutica.


Mais tarde, virou psicodélico e compôs o clássico ‘De como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-me de Volta a Alfa do Centauro, Meu Verdadeiro Lar’. Foi caindo no esquecimento até 2005, quando começou a apresentar o ‘Todo Seu’ (Gazeta, seg. a sex., às 23h05; livre).


Hoje é amplamente reconhecido por suas piscadelas marotas e por se referir à espectadora como ‘você, bonitinha que está assistindo’, nessa atração de variedades que mescla entrevistas, atrações musicais e gastronomia.


O ‘Todo Seu’ tem uma hora e meia de duração e é voltado para as mulheres, ‘mas com toque masculino’. Destaca-se pelas afáveis conversas sobre vinho, decoração, comportamento e, sobretudo, pela extrema polidez do anfitrião, que usa a palavra ‘bumbum’.


Uma de suas grandes virtudes no papel de comunicador é saber lidar bem com as dúvidas do espectador. ‘Isso significa que sou gay?’, perguntou um moço, angustiado. ‘Significa’, responde Ronnie Von, passando para a próxima questão.


O apresentador é daqueles que não se referem à velhice, mas diz que ‘está jovem há mais tempo’. Nas entrevistas, costuma declarar que o assédio hoje é maior do que nos tempos de galã.


Ele também usa a palavra ‘introito’ de forma corriqueira e diz que ‘este beijo é extensivo a todos’, quando se trata de cumprimentar uma trupe de dançarinos de flamenco. Em vez de declarar: ‘vamos encher o bandulho’, prefere afirmar que irá dar ‘um fim digno’ a determinada iguaria. Não raro, um convidado recorrente é chamado de ‘useiro e vezeiro deste humilde programa de TV’.


Além disso, Ronnie é apaixonado por botânica, apreciador de charutos, acha que o sapato é ‘fundamental para a feminilidade’ e -o melhor- possui o título de Comendador em Biritiba Mirim.


 


 


 



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