Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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MONITOR DA IMPRENSA >

Fontes confidenciais, o debate interminável

31/03/2009 na edição 531

Mais uma vez, o tema fontes confidenciais foi destaque da coluna do ombudsman do New York Times, Clark Hoyt [29/3/09]. Na cerimônia em que foi anunciado o novo czar antidrogas da Casa Branca, cargo responsável pela chefia do Escritório Nacional de Políticas de Controles de Drogas, o vice-presidente americano, Joe Biden, disse que não responderia a perguntas de repórteres. Mas, antes de sua chegada, um representante da assessoria de imprensa da Casa Branca explicou que o posto não teria mais status ministerial, já que Biden tem mais de 30 anos de experiência em políticas antidrogas e o czar teria acesso a ele e ao presidente.

O assessor afirmou que o comentário poderia ser atribuído a ‘um funcionário do governo’, o que foi feito pelo NYTimes em seu sítio. O repórter Mark Leibovich chegou a perguntar se não poderia citar seu nome, mas recebeu resposta negativa, já que não estava autorizado a falar sobre o assunto.

Pela maior parte de seus 40 anos de carreira jornalística, Hoyt trabalhou em Washington, cidade que tem fama de alimentar a cultura do anonimato. Porta-vozes são conhecidos por fornecer declarações sem se identificar, e isso ocorre por várias razões: a glória deve ir para o chefe; eles discordam do chefe e temem ser demitidos; estão falando sobre informações confidenciais e podem ser processados; querem promover uma política ou então eliminá-la; ou acreditam que o público tem o direito de saber algo que não seria divulgado oficialmente.

Para a chefe de redação Jill Abramson, ‘falar a verdade pode te trazer problemas’. Richard Stevenson, subchefe de redação de Washington, classifica as fontes anônimas como ‘press releases humanos’. Na semana passada, NYTimes, Washington Post e USA Today, todos citando fontes anônimas, publicaram matérias de capa semelhantes, em que revelavam que o presidente Barack Obama anunciaria um plano de enviar mais de quatro mil soldados ao Afeganistão.

Repórteres do NYTimes enfrentam um desafio diário: o quão crítica é uma informação que as fontes passam com a premissa de não serem identificadas? Recentemente, três casos de uso de fontes anônimas foram publicados no jornal. Em um deles, sobre fornecimento de dinheiro e equipamento ao Talibã por parte da agência de inteligência do Exército do Paquistão, o uso foi justificado por ser uma matéria de importância internacional e por sua divulgação ter conseqüências sérias àqueles que vazaram a informação.

Dean Baquet, chefe da sucursal de Washington, diz que considera tentar convencer a equipe de Obama, enquanto ainda é nova, a abandonar os maus hábitos ao lidar com a imprensa, pois, segundo ele, o uso de fontes anônimas prejudica a credibilidade da mídia e a promessa de transparência do governo. Hoyt lembra que não se deve culpar apenas as fontes por estes maus hábitos. As organizações de mídia ficam, algumas vezes, ansiosas para divulgar as informações e acabam aceitando publicá-las sem citar nomes.

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