Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > IRÃ

Fotógrafo americano libertado; repórter do ‘WP’ continua preso

Por lgarcia em 01/08/2014 na edição 809

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Saeed Kamali Dehghan [“Iran urged to release detained Washington Post journalist”, The Guardian, 30/7/14]; de Ernesto Londoño e William Branigin [“Iran confirms arrest of Post correspondent”, The Washington Post, 25/7/14]; do Conselho Editorial do Washington Post [“Iran should free Post journalist Jason Rezaian and his colleagues immediately”, 28/7/14]; e de Michelle Moghtader [“Iran Reportedly Frees U.S.-Iranian, But Three Journalists Still Held”, Reuters, 30/7/14]

Um jornalista americano foi libertado na quarta-feira [30/7] após passar uma semana preso no Irã. O fotógrafo freelancer (cuja identidade não foi revelada a pedido da família) foi detido em Teerã com outros três profissionais de imprensa: sua mulher – uma fotógrafa iraniano-americana (que também teve a identidade preservada); o correspondente do Washington Post no país, Jason Rezaian, e a jornalista iraniana Yeganeh Salehi, casada com ele.

Durante uma incursão na casa de Rezaian e Yeganeh, forças de segurança iranianas saquearam o local e confiscaram seus bens pessoais, incluindo computadores, livros e anotações. Rezaian, Yeganeh e a fotógrafa iraniano-americana continuam presos e incomunicáveis. De acordo com uma fonte próxima ao profissional libertado, todos foram tratados com respeito e receberam comida e água.

Na última terça-feira (29/7), a mãe de Rezaian divulgou um vídeo implorando a autoridades iranianas que libertassem seu filho e sua nora.

Motivos das prisões não foram revelados

No fim da semana passada (25/7), o Irã confirmou as prisões, mas não especificou quais eram as acusações feitas aos jornalistas. Gholam-Hossein Esmaili, diretor-geral do Departamento de Justiça da província de Teerã, disse apenas que Rezaian foi detido para algumas perguntas e que, depois de investigações técnicas, o Judiciário iria fornecer mais detalhes sobre o assunto.

Rezaian era credenciado pelo governo iraniano para trabalhar no país desde 2008. Antes de sua prisão, ele esteve em Viena cobrindo os desenvolvimentos mais recentes nas negociações nucleares entre o Irã e o Ocidente.

A prisão dos jornalistas foi vista como mais um movimento contra a liberdade de imprensa no país e por isso o Irã tem enfrentado pressão para libertá-los. A sede nova-iorquina do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) emitiu um comunicado apelando às autoridades iranianas e exigindo a libertação imediata dos repórteres. Um alto funcionário de Washington informou ter havido intervenção do governo americano; no entanto, como os Estados Unidos e o Irã não possuem relações diplomáticas formais, a negociação da libertação pode ser dificultada. Além disso, o Irã não reconhece a existência de dupla cidadania, ignorando assim a cidadania americana dos envolvidos.

Hamid Babaei, porta-voz da missão iraniana das Nações Unidas, informou que os diplomatas iranianos também estão acompanhando o caso para tentar interferir.

Embora as relações do Irã com a imprensa internacional tenham melhorado consideravelmente desde a eleição do presidente Hassan Rouhani e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano, no momento há 35 jornalistas preso no país, de acordo com o CPJ. Dentre os detidos estão Saba Azarpeik – presa em maio e mantida incomunicável desde então – e Serajeddin Mirdamadi, condenado a seis anos de prisão na semana passada por “conspiração contra a segurança nacional” e “propaganda contra o Estado”.

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