Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > MÁ NOTÍCIA

Ganância e ignorância são inimigas do jornalismo

01/02/2005 na edição 314

Tom Fenton, veterano correspondente internacional da rede de TV americana CBS, está para lançar um livro em que acusa a ganância e a falta de atenção dos grandes veículos de comunicação dos EUA de serem parcialmente responsáveis por uma falsa sensação de segurança antes dos ataques terroristas de 11/9/01. ‘Correspondentes estrangeiros, como eu, éramos considerados alarmistas ao acenarmos de lugares remotos como Ruanda e Iugoslávia, tentando chamar a atenção’, afirma ele a Howard Kurtz, do Washington Post [24/1/05]. Em 1996, Fenton apresentou à direção da CBS um plano para tentar entrevistar Osama bin Laden, mas o projeto foi recusado, porque a chefia acreditava que não haveria interesse do público.

Alguns meses depois, o correspondente conversou com um jornalista árabe que entrevistara o líder terrorista e comentou que ele tinha propósitos violentos com relação aos EUA. Quando quis incluir esta história numa reportagem, os superiores do repórter mandaram que tirasse as referências a bin Laden, pois já estariam sendo citados demasiados nomes árabes, o que poderia confundir a audiência. Fenton ainda guarda uma cópia do roteiro de matéria que preparou em 1978, alertando que o governo do Irã estaria ameaçado de cair. Os produtores em Nova York, no entanto, não levaram a questão a sério, derrubando a reportagem. Passaram-se menos de três meses até que ocorresse a revolução islâmica no país. O correspondente revela ainda que, em 1988, quando noticiava os ataques de Saddam Hussein com gases tóxicos no norte do Iraque, seus superiores ordenaram que não mencionasse que aquelas operações tinham como alvo principal a população curda, sob a alegação de que ‘ninguém sabe o que são curdos’.

Intitulado Bad News (más notícia), o livro de Fenton promete ser um duro golpe para a divisão de jornalismo da CBS, para a qual o autor trabalhou por 25 anos. O escritório de Londres da emissora, onde ele passou a maior parte do tempo, produz muito pouco atualmente, segundo o jornalista. A maior parte do jornalismo feito ali são compilações de material produzido por outros veículos.

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