Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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MONITOR DA IMPRENSA >

Governo ameaça liberdade na internet

10/02/2009 na edição 524

Em 2004, a jornalista tailandesa Chiranuch Premchaiporn lançou um sítio de notícias que tinha como objetivo publicar informações sem as inclinações políticas e corporativas encontradas nas notícias na mídia impressa. Por algum tempo, milhares de pessoas visitaram diariamente o Prachatai para ter acesso a matérias que não viam em jornais e divulgar suas opiniões nos fóruns da página.

Dois anos depois, quando um golpe tirou do poder o premiê Thaksin Shinawatra e deu início a mais de dois anos de tumulto político, tudo mudou.’Depois do golpe, o Ministério da Tecnologia da Informação e Comunicação nos alertou durante um mês sobre alguns comentários que tínhamos no nosso sítio’, conta Chiranuch. Desde então, ela foi interrogada pela polícia oito vezes para responder a questões sobre o conteúdo da página. Vinte sítios foram bloqueados pelas autoridades nos últimos cinco meses.

Ativistas alegam que o surgimento de blogs e fóruns online que analisam o cenário político irritou as autoridades, levando a uma campanha de censura para calar as vozes dissidentes. Em 2007, o novo governo aprovou uma lei de policiamento da internet; a atual administração do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva a implementa com vigor.

Tema delicado

Mais de 4,8 mil páginas foram bloqueadas, desde março do ano passado, porque continham conteúdo considerado ofensivo à família real da Tailândia. O papel da monarquia na recente reviravolta política é um dos assuntos mais delicados do reino, com poucos jornais locais ousando tocar no assunto.’A mídia tailandesa está agora completamente domada. Então, as pessoas têm de se expressar na internet e o governo tenta impedir que isso ocorra’, afirma o professor de ciências políticas Giles Ji Ungpakorn, processado em janeiro por ter escrito um livro sobre o golpe.

Vejjajiva assumiu o poder em votação parlamentar em dezembro do ano passado, depois que protestos do partido Aliança do Povo para a Democracia ajudaram a derrubar o partido de Shinawatra, menos de um ano depois de ele ter vencido as eleições. Tudo isto só contribui para colocar lenha na fogueira da discussão online.’Isto encorajou as pessoas a falarem mais e a internet é o espaço mais liberal da Tailândia’, pondera Supinya Klangnarong, do grupo de mídia Netizen.

Predador

Segundo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Tailândia tem mais de 14 milhões de internautas. Em janeiro, a organização divulgou uma declaração questionando se o país era o mais’novo inimigo da rede’, referindo-se à lista que elabora anualmente com os’predadores da internet’. A RSF criticou a recente prisão de um internauta, cujo endereço de IP era o mesmo usado para postar mensagens difamatórias à monarquia. No país, casos de ofensa à família real podem levar a até 15 anos de prisão. Em janeiro, o escritor australiano Harry Nicolaides foi condenado a três anos de prisão por ter difamado o rei Bhumibol Adulyadej e o príncipe Maha Vajiralongkorn em uma pequena passagem de um livro publicado em 2005.

Questionado sobre a prática da censura, em dezembro, o premiê Vejjajiva disse que a Tailândia não era o único país com sítios bloqueados por material considerado ofensivo.’Os detalhes do que é bloqueado podem variar, segundo as tradições e fatores históricos de cada sociedade’, teria dito à agência da notícias AFP. Informações da AFP [5/2/09].

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