Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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MONITOR DA IMPRENSA >

Governo dificulta acesso da imprensa a Darfur

23/05/2006 na edição 382

O governo do Sudão está ainda mais rigoroso com a imprensa internacional interessada em cobrir Darfur, que passa por uma crise humanitária, e não emitiu nenhum visto para que jornalistas estrangeiros visitem o local desde que um acordo de paz foi assinado no começo do mês. Especialistas que avaliam a região afirmam que o momento é o mais rígido do governo para o acesso à imprensa desde o auge do conflito, em 2004.

O secretário para Assuntos Humanitários da ONU, Jan Egeland, pediu ao governo sudanês que permita que jornalistas tenham acesso a Darfur, a fim de tornar pública a atual situação do local e, conseqüentemente, incentivar doações internacionais. Como aqueles que se disponibilizam a ajudar ainda são poucos, a cota de comida distribuída à população teve de ser reduzida em maio. ‘É vital para jornalistas ter acesso livre a Darfur, a fim de cobrir o trabalho humanitário e explicar a necessidade urgente para apoio internacional adicional’, afirmou Egeland.

Crise humanitária

O conflito de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando o Movimento para a Justiça e a Igualdade e o Movimento de Libertação do Sudão iniciaram uma luta armada em protesto contra a pobreza e a marginalização impostas à região. Durante o auge do conflito, em 2004, que supostamente matou milhares de pessoas e forçou dois milhões delas a saírem de suas casas, os jornalistas tiveram de esperar semanas em Cartum para conseguir permissão para entrar na região.

Em 2003 e 2004, muitos profissionais da mídia chegaram a Darfur através da fronteira com o país vizinho Chade. O objetivo dos jornalistas era expor a miséria sofrida pelos habitantes locais, que viviam o que a ONU classificou como ‘a pior crise humanitária do mundo’. Depois disso, o governo chegou a facilitar o acesso a Darfur e começou a emitir, em apenas dois ou três dias, vistos de turista para jornalistas, e em até menos tempo, vistos de residência para correspondentes. Porém, desde o começo de maio deste ano nenhum visto foi emitido.

Alguns repórteres estrangeiros foram à região sem visto, acompanhando delegações ou a União Africana (UA) para o conflito em Darfur. No entanto, sem visto, seus acessos são limitados e eles correm o risco de ser presos. ‘Eu pedi uma permissão para mim e meu fotógrafo no dia 3/5 e ainda não recebi nada’, afirmou Lydia Polgreen, do New York Times, que viaja para Darfur com a UA.

Dan Rice, do Guardian, informou que pediu o visto há mais tempo, mas não recebeu nada ainda. A permissão para residência, emitida para correspondentes geralmente em um dia, também não foi fornecida. Alguns correspondentes estão esperando por meses para vistos até mesmo para entrar no Sudão.

Situação caótica

Enquanto a imprensa sofre problemas para ir ao local, milhares de habitantes de Darfur realizam manifestações diárias nos campos contra o acordo mediado pela UA, que foi assinado apenas por uma facção rebelde. Dois outros grupos recusaram-se a assinar, alegando que o acordo não satisfaz suas demandas – dentre elas a representação adequada do governo central e o envolvimento no desarmamento das milícias árabes.

Um intérprete da UA foi morto na semana retrasada durante confrontos com refugiados no campo de Kalma. ‘Neste momento, seria bom ter um relato claro do que está acontecendo em Darfur, para que o mundo visse com transparência o lado de todas as partes do acordo’, afirmou Gemmo Lodesani, funcionário da ONU em Cartum. Informações de Opheera McDoom [Reuters, 18/5/06].

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