Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Governo dos EUA derruba WikiLeaks

02/12/2010 na edição 618


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


 


Governo dos EUA derruba WikiLeaks


Quatro dias após o início do vazamento de documentos sigilosos da diplomacia norte-americana pelo site WikiLeaks, o governo dos EUA reagiu de forma dura.


Pressionou a Amazon Web Services a interromper o contrato pelo qual fornecia o servidor de acesso ao site.


Em consequência, o WikiLeaks, que diz ter 250 mil documentos em seu poder, ficou fora do ar por pelo menos cinco horas. No final da tarde, voltou a funcionar, após transferir as operações ao servidor sueco Bahnhof.


A Amazon Web Services é parte da Amazon.com, popular site de venda de livros e outros produtos.


A informação foi dada primeiro pelo senador americano Joe Lieberman, presidente da comissão de Segurança Nacional do Senado.


Apesar de não pertencer a nenhum partido, Lieberman, ex-democrata, é próximo da Casa Branca. O senador disse que ele mesmo pediu à Amazon que cortasse o serviço.


O Departamento de Segurança Doméstica dos EUA também confirmou que fez gestões junto à Amazon para cortar o serviço.


O contrato entre o WikiLeaks e a empresa teria sido firmado nessa semana após o site ter dito que sofreu ataque de hackers nos últimos dias.


A Amazon não comentou as acusações. A reportagem da Folha entrou em contato com o escritório nos EUA, mas não obteve resposta.


‘Eu peço a qualquer outra companhia ou organização que esteja abrigando o WikiLeaks a imediatamente encerrar a sua relação com o site’, afirmou Lieberman.


Segundo o jornal ‘Wall Street Journal’, a página dedicada aos documentos utilizava servidores da Amazon em Seattle (EUA) e da empresa francesa Octopuce.


Já a página principal usaria servidores da Amazon nos EUA e na Irlanda.


Com ironia, o perfil do WikiLeaks no Twitter reagiu.


‘Servidores do WikiLeaks na Amazon derrubados. Liberdade de expressão na terra dos livres. Tudo bem, nosso $ agora é gasto para empregar pessoas na Europa.’


O porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse que tem ‘caminhos de superar a suspensão do serviço’.


PROCURADO


A Interpol emitiu ontem um alerta internacional para informar que Julian Assange, fundador do site, figura na sua lista de mais procurados.


O alerta vermelho da Interpol, usado para prender alguém provisoriamente, foi emitido a pedido da corte criminal de Estocolmo.


Assange é acusado de estupro, assédio sexual e coerção ilegal. Os supostos crimes foram registrados na cidade sueca de Gotemburgo.


O advogado dele, Mark Stephens, afirmou ontem que seu cliente está sendo perseguido pelas autoridades suecas, que promovem um processo penal sobre os supostos crimes.


Oficiais suecos afirmam que o alerta foi emitido porque ele não se disponibilizou a se reunir com procuradores. Stephens afirma que as autoridades suecas negaram repetidas ofertas para conversar com Assange.


Ele nega as acusações e diz que as denúncias são uma tática do Pentágono para desmerecer seu site. Contra a ordem de prisão, Assange, que está em local desconhecido, apresentou recurso.


A corte sueca ordenou a detenção de Assange em 18 de novembro, quatro dias antes do WikiLeaks anunciar que iria vazar novos documentos secretos.


 


 


WIKILEAKS


Vazamento diplomático


Informações relevantes, de notório interesse público, se acumulam nos mais de 250 mil documentos sigilosos do governo norte-americano que vêm sendo revelados pela organização WikiLeaks desde o último domingo.


Não chegam a ser surpreendentes, é também verdade, muitas das inconfessáveis avaliações sobre políticos e governos feitas por diplomatas americanos -registradas em despachos internos do Departamento de Estado. No material, há mais confirmação de antigas suspeitas do que propriamente informação nova, declarou Richard Haas, presidente do Conselho de Relações Exteriores, um dos mais importantes ‘think tanks’ norte-americanos.


Não eram desconhecidos, por exemplo, os impressionantes níveis de corrupção do governo afegão, apoiado por americanos e europeus. Nem pairavam dúvidas sobre a animosidade de líderes árabes com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.


Ou mesmo a respeito da preocupação de americanos com as fragilidades da segurança nuclear no Paquistão, outro país aliado -onde terroristas poderiam ter acesso facilitado a material atômico.


Ainda assim, o vazamento provocou irritações e deixou a diplomacia norte-americana numa posição desconfortável.


Em reação, congressistas dos EUA ameaçam processar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, por crime de espionagem. Anteontem, a Interpol lançou um pedido de prisão contra ele, acusado de estupro, na Suécia. Seu advogado insinua motivação política para o súbito requerimento da polícia.


Autoridades norte-americanas dizem ser danosa à política externa do país -e à segurança mundial- a divulgação dos dados.


A alegação é exagerada. Nada que se divulgou até aqui pôs em risco a paz ou a vida de pessoas. Não cabe responsabilizar o WikiLeaks e os jornais que divulgaram os documentos pelos problemas da diplomacia dos EUA -que deveria zelar pelos dados sigilosos.


 


 


Hélio Schwartsman


Matem o mensageiro


A primeira reação do governo dos EUA ao vazamento de dados diplomáticos sigilosos foi na linha do ‘matem o mensageiro’.


A secretária de Estado, Hillary Clinton, disparou: ‘Essa divulgação não é só um ataque aos interesses de política externa americanos. É um ataque contra a comunidade internacional’. Ela foi até diplomática em comparação com um grupo de parlamentares republicanos que propôs classificar o site WikiLeaks como organização terrorista.


É claro que criar um espaço onde pessoas podem anonimamente divulgar documentos secretos é complicado. Há situações em que o vazamento pode causar grande mal. Revelar o nome de um dissidente em país autoritário, por exemplo, pode custar até a vida dessa pessoa. Nem todos os segredos da diplomacia ou do Estado são ilegítimos.


O problema é que alguns são. E, numa democracia, os atos do poder público devem ser tão transparentes quanto possível. Cabe aos cidadãos julgarem a adequação e a moralidade dos atos de seu governo.


A melhor forma de fazer com que esses dois princípios antagônicos convivam é a divisão de atribuições. Como a jurisprudência norte-americana sabiamente estabeleceu, é ilegal para um servidor público passar adiante informação sensível a que tenha tido acesso em virtude de seu cargo, mas a pessoa que recebe o dado vazado tem o direito de divulgá-lo como quiser. A ideia é que a possibilidade de a informação vir a público já funcione como contrapeso ao apetite natural do Estado por concentrar poderes.


É mais ou menos nesse contexto que Thomas Jefferson (1743-1826) escreveu: ‘Se me fosse dado decidir se devemos ter um governo sem jornais, ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a última’. Trata-se, obviamente, de rematado exagero, mas que mostra que um dos mais influentes ‘founding fathers’ dos EUA e terceiro presidente do país teria pensado duas vezes antes de vituperar contra o mensageiro.


 


 


Thomas A. Shannon


Diplomacia e WikiLeaks


O presidente Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton decidiram dar prioridade à revigoração das relações dos EUA no mundo.


Ambos têm trabalhado com afinco para fortalecer as parcerias existentes e construir novas parcerias no enfrentamento de desafios comuns -das mudanças climáticas e da eliminação da ameaça das armas nucleares até a luta contra doenças e contra a pobreza.


Como embaixador dos Estados Unidos no Brasil, tenho orgulho de fazer parte desse esforço. Consideramos o país um parceiro essencial e confiável no continente e no mundo e estamos empenhados em aprofundar nossas relações com o governo e o povo do Brasil.


Naturalmente, mesmo uma relação sólida passa por desafios. Acabamos de ver isso nos últimos dias, quando documentos supostamente originados de computadores do Departamento de Defesa dos EUA tornaram-se objeto de reportagens na imprensa.


Esses documentos parecem conter avaliações de nossos diplomatas sobre políticas, negociações e líderes mundiais, bem como relatórios sobre conversas privadas com pessoas de dentro e de fora de outros governos.


Os EUA lamentam profundamente e condenam a revelação de qualquer informação que se pretende confidencial. Diplomatas devem conduzir discussões francas com seus pares e eles devem ter a garantia da confidencialidade dessas conversas.


O diálogo honesto, dentro de e entre governos, faz parte da base das relações internacionais. Não poderíamos manter a paz, a segurança e a estabilidade internacionais sem isso.


Como disse a secretária Clinton, ‘essa divulgação não é apenas um atentado contra os interesses da política externa dos EUA. É um atentado contra a comunidade internacional, contra as alianças e parcerias, as conversações e as negociações que protegem a segurança mundial e fazem avançar a prosperidade econômica’.


Nos Estados Unidos, relatórios internos dos diplomatas são um dos muitos elementos que formam nossas políticas, que em última instância são formuladas pelo presidente ou pela secretária de Estado. E essas políticas são públicas, objeto de milhares de páginas de discursos, declarações, informes oficiais e outros documentos que o Departamento de Estado disponibiliza livremente online ou em outros locais.


Mas as relações entre governos não são a única preocupação. Os diplomatas dos EUA reúnem-se com pessoas que trabalham com direitos humanos nos países, jornalistas, líderes religiosos e outros representantes não governamentais que oferecem suas próprias e sinceras percepções.


Essas conversas também dependem de responsabilidade e de confiança. Por exemplo, se um ativista anticorrupção passar informações sobre conduta oficial imprópria, ou um assistente social compartilhar documentação sobre violência sexual, a revelação da identidade da pessoa envolvida poderá ter graves repercussões. Em algumas partes do mundo, essas repercussões podem incluir prisão, tortura ou até a morte.


Os proprietários do site WikiLeaks alegam possuir cerca de 250 mil documentos confidenciais, muitos dos quais foram divulgados para a mídia. Quaisquer que sejam os motivos para a publicação desses documentos, está claro que a sua divulgação traz riscos reais para pessoas reais e, muitas vezes, para as mesmas pessoas que dedicaram a vida para proteger outros.


Uma ação cuja intenção é provocar os poderosos pode, em vez disso, pôr em risco aqueles que não têm poder.


Nós apoiamos e estamos dispostos a manter debates genuínos sobre questões prementes de política pública.


Porém, divulgar documentos sem o devido cuidado e sem medir as consequências não é a forma de iniciar um debate dessa natureza.


De nossa parte, o governo dos EUA está empenhado em manter a segurança das nossas comunicações diplomáticas e tomando as medidas necessárias para assegurar que sejam mantidas em sigilo. Estamos atuando de forma agressiva para que esse tipo de violação não ocorra novamente. E continuaremos a trabalhar para fortalecer a parceria com o Brasil e avançar nos assuntos de importância para nossos países.


Não podemos fazer menos do que isso. Estou em contato estreito com as autoridades do governo brasileiro para assegurar nosso foco contínuo sobre as questões e tarefas nas quais estamos trabalhando. O presidente Obama, a secretária Clinton e eu continuamos comprometidos a ser parceiros confiáveis à medida que buscamos construir um mundo melhor e mais próspero para todos.


THOMAS A. SHANNON é embaixador dos EUA no Brasil


 


 


Folha tem acesso exclusivo a dados sobre o Brasil


Desde segunda-feira, a Folha publica reportagens com base em telegramas sigilosos -aos quais teve acesso exclusivo- produzidos pela diplomacia dos EUA no Brasil.


Os despachos fazem parte de um lote de 251.287 documentos diplomáticos obtidos pela organização WikiLeaks (wikileaks.org). Destes, 1.947 foram emitidos pela Embaixada dos EUA em Brasília.


Há também 12 telegramas dos diplomatas americanos baseados em Recife, 119 do Rio de Janeiro e 777 de São Paulo, num total de 2.855 documentos.


Até agora, só 16 foram divulgados, sempre com exclusividade pela Folha.


Na segunda-feira, o jornal revelou que o então embaixador dos EUA no país, Clifford Sobel, comunicou a Washington, em 2008, que o Brasil disfarça a prisão de terroristas.


Na terça, a Folha mostrou que, em 2008, os EUA se referiram ao Itamaraty como adversário com ‘inclinação antinorte-americana’. O ministro Nelson Jobim (Defesa), porém, seria visto como aliado.


Ontem a Folha revelou que documentos emitidos em 2009 pela Embaixada dos EUA em Brasília contêm duras críticas à Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008.


 


 


Paula Leite


Site se distancia de princípios colaborativos


Os vazamentos de documentos secretos pela organização sem fins lucrativos WikiLeaks vêm fazendo a entidade ganhar importância no cenário internacional.


Mas o brilho cada vez maior do WikiLeaks vem sendo acompanhado de um processo pelo qual o site se afasta dos princípios ‘wiki’ (colaborativos) como praticados pela Wikipédia e outras enciclopédias on-line abertas.


Em 2007 e 2008, o WikiLeaks dizia que seu plano era implantar uma interface similar à da Wikipédia, em que qualquer um poderia postar documentos e análises e em que qualquer um poderia editar páginas.


‘Vazadores’ podem postar documentos de forma anônima e que não pode ser rastreada. Usuários podem discutir publicamente os documentos e analisar sua credibilidade e veracidade’, dizia o site em 2007.


Hoje, o funcionamento do WikiLeaks se aproxima mais da mídia tradicional.


No lugar de usuários comuns anônimos entram jornalistas que recebem os documentos vazados, os analisam, decidem quando publicá-los e escrevem reportagens que os acompanham, diz o WikiLeaks hoje.


‘De forma diferente da Wikipédia, leitores aleatórios não podem editar documentos’, diz o site hoje.


E o WikiLeaks também dá mostras de que, como um jornal, está em busca do próximo ‘furo’: o porta-voz Julian Assange já declarou que um grande banco dos EUA será a ‘próxima vítima’ do site.


Não há dúvida de que o site ganhou importância e credibilidade desde sua estreia, fazendo hoje suas publicações em conjunto com grandes jornais do mundo.


E o maior controle editorial talvez seja inevitável quando se trata da publicação de material tão explosivo. Assim, talvez seja mais coerente que o site abandone o prefixo ‘wiki’, associado a um funcionamento mais aberto e colaborativo do que o WikiLeaks pratica hoje.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Um governo de nerds


Brian Winter perfila o ‘Próximo governo do Brasil: a ascensão dos nerds’, na Reuters. Afirma que ‘Dilma está montando um gabinete à sua imagem: um grupo de tecnocratas dados à leitura que, como ela, subiram ao poder não por carisma ou ligações políticas, mas por sua habilidade em mastigar números e fazer as coisas acontecerem’. Em suma, ‘no sentido mais bondoso, um governo de nerds’. Um futuro ministro riu: ‘É verdade. É mais provável discutirmos sobre curva de rendimentos do que sobre futebol.’


AMORIM VS. FRIEDMAN


O chanceler Celso Amorim debateu em Washington com Thomas Friedman, em evento da ‘Foreign Policy’. No relato da BBC Brasil, quando o colunista do ‘New York Times’ disse que os EUA sempre defenderam os direitos humanos, Amorim comentou: ‘Também temos valores e temos problemas com muitos países, inclusive os EUA’.


Friedman disse então que ‘a imagem de Lula erguendo os braços de um líder que matou centenas não pegou bem’, ao que o chanceler comentou que a ideia de oposição do Brasil aos EUA é errônea, citando a carta de Obama a Lula. O relato da ‘FP’ também destacou sua declaração sobre o Irã: ‘Fizemos exatamente o que nos foi pedido’.


Pessimismo O francês ‘Le Monde’ destacou de Lula, ontem, a declaração de que a conferência do clima ‘não vai dar em nada’. Já o ‘China Daily’, em artigo sobre Cancún, volta a insistir na união dos emergentes, lembrando que foi na cidade mexicana, há sete anos, que eles se uniram pela primeira vez para enfrentar os países desenvolvidos na Organização Mundial do Comércio. E prevê que a conferência vai repetir a mesma ‘dinâmica Norte-Sul’.


O menor O britânico ‘Guardian’ enviou o correspondente Tom Phillips a Manaus, para destacar que o ‘Desmatamento do Brasil está no menor nível em décadas’, isso ‘graças às ações do governo e ao impacto da crise financeira global’. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, chamou os dados de ‘fantásticos’, os melhores ‘na história da Amazônia’. O jornal alerta, porém, que ‘as autoridades esperavam redução maior’. Ecoou por BBC etc.


HOLLYWOOD NA FRONTEIRA


O produtor Charles Roven, de ‘Triple Frontier’, que a cineasta Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar, pretende filmar na fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, disse ter fechado com a primeira estrela para o filme, Tom Hanks. Foi o que declarou ao site Comingsoon.net, ecoando ontem pelos britânicos ‘Telegraph’, ‘Guardian’, ‘Independent’. Entre outros atores que estariam sendo convidados, Johnny Depp e Christian Bale. As filmagens devem começar em março.


‘LAND OF THE FREE’


O ‘Guardian’ deu na manchete on-line, interrompendo a série de revelações, mas o ‘New York Times’ mal registrou. ‘Site do WikiLeaks é tirado pela Amazon após pressão política dos EUA’, foi o enunciado do jornal britânico. Abrindo o texto, ‘Os EUA acertaram seu primeiro golpe contra o WikiLeaks’.


Na ironia do perfil do WikiLeaks no Twitter, é a ‘liberdade de expressão na terra dos livres’.


ELTON JOHN, EDITOR


O músico inglês foi o editor do ‘Independent’ no Dia Mundial de Combate à Aids, ontem. Encomentou para a capa uma obra do pintor Gary Hume, para ‘evocar a transitoriedade da vida’, no texto do jornal. ‘Escolhi a rosa porque é uma coisa bonita, que floresce e depois morre’, diz Elton John. Na edição, textos dos atores Stephen Fry e Elizabeth Taylor


 


 


RÁDIO


Flexibilização de horário da ‘Voz do Brasil’ é aprovada


O Senado aprovou ontem a flexibilização do horário de transmissão do programa ‘A Voz do Brasil’.


Pelo texto, as emissoras comerciais de rádio ficam liberadas para levar o programa ao ar entre às 19h e 22h. A legislação em vigor as obriga a transmiti-lo das 19h às 20h.


Com a aprovação no Senado, o projeto segue para nova votação na Câmara. O texto obriga somente as emissoras educativas a manter a transmissão da ‘Voz do Brasil’ no horário atual.


O projeto determina que, às 19h, as rádios informem o horário alternativo em que o programa, criado durante o governo Vargas, será veiculado.


 


 


INTERNET


Google lança loja de livros eletrônicos, segundo ‘WSJ’


O Google vai colocar em operação neste ano a loja virtual Google Editions, para a venda de livros eletrônicos, diz o ‘Wall Street Journal’. Segundo a publicação, a ferramenta será lançada até o final do ano nos Estados Unidos e, em 2011, no mercado internacional.


A ferramenta vai oferecer aos usuários a oportunidade de comprar os livros diretamente do Google ou de outros varejistas e adicioná-los a uma biblioteca ligada a contas no Google. Os livros poderão ser lidos em qualquer computador com acesso à internet.


O mercado de livros digitais deve faturar US$ 966 milhões neste ano, mais do que o triplo do valor de 2009, segundo a empresa Forrester Research.


 


 


Agência propõe regular privacidade no uso da internet


DO ‘NEW YORK TIMES’ – A Federal Trade Comission, órgão dos EUA que defende o direito dos consumidores, fez uma proposta que permite aos internautas escolherem se os sites poderão coletar informações sobre seus hábitos de navegação e de compras on-line.


A agência disse ainda que o modelo de autorregulação, preferido por empresas de propaganda e varejistas, falhou por não proteger os consumidores de forma adequada.


Outra recomendação é que as empresas adotem políticas de privacidade mais claras em relação ao uso de dados coletados na navegação.


A agência provavelmente vai submeter ao Congresso americano algumas de suas recomendações.


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Classe C alavanca TV paga para a casa dos 10 milhões


Desde 2002 a TV paga não crescia tanto. Segundo a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), o setor deve fechar o ano batendo a casa dos 10 milhões de assinantes, um crescimento de cerca de 23% em relação aos números de 2009.


Em 2002, o setor teve seu maior boom, com crescimento de 26%, seguido por ressacas como a de 2003, com 1,2%. Segundo o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, outubro teve um impulso notável do número de assinantes, alavancado pelo alcance da classe C ao serviço.


No mês, o Brasil alcançou 9.396.548 assinantes. Programadoras como a Turner ganharam cerca de 200 mil assinantes no mês em seus canais básicos.


Estudo da Mídia Fatos mostra que a Argentina, em 2007, seguia com 6 milhões de assinantes de TV paga (63% de penetração), e o Brasil, com 4 milhões (8%). Hoje, segundo fontes do mercado, a vizinha estagnou na faixa dos 8 milhões.


‘Se as condições econômicas seguirem assim, e o projeto de lei 116 for aprovado, teremos um crescimento ainda maior em 2011’, disse Annenberg, que defende a aprovação do polêmico projeto.


O PL 116 estabelece cotas de programação nacional e libera as teles para entrarem no mercado de TV a cabo em suas áreas de concessão.


DO JAPÃO


Protagonista do longa ‘Corações Sujos’ (foto), da produtora Mixer, Eiji Okuda está escalado para a próxima novela das 19h da Globo, ‘Dinossauros e Robôs’


Panetone O ‘Pânico’ terá um especial de fim de ano na RedeTV! com a participação de artistas que o programa adora, como o cantor Nain.


Especial Coincidência ou não, Ana Petta, mulher do ministro do Esporte, Orlando Silva, estará em mais uma produção da Record. Ela integra o elenco de ‘As Mãos de Meu Filho’, adaptação de conto homônimo de Erico Veríssimo que vai ao ar no dia 18. Tchau Lobão e a VJ Vanessa Hadi não estão nos planos da MTV para 2011. Os dois podem deixar o canal.


Ringue Canal de pay-per-view de lutas, o Combate comemora a transmissão de 60 eventos ao vivo em 2010, o dobro do ano passado.


Queda A Globo fechou novembro com uma das piores médias de audiência/dia em São Paulo de sua história: 15,8 pontos, uma queda de 4% com relação a novembro de 2009, que marcou 16,4 pontos. A Record, no período, pulou de 6,7 pontos (2009) para 7,9. Ficou 3 pontos acima do SBT, que caiu de 5,6 para 5 pontos.


Média Apesar da queda da Globo, o número de televisores ligados em novembro cresceu 4% em relação ao ano passado.


Rede Emerson Tchalian, de Fortaleza, é o novo responsável pelo jornalismo no Nordeste da Rede TV!. Ele montará rede de correspondentes em alguns Estados da região e vai lançar, em 2011, jornais locais, como em Pernambuco.


com SAMIA MAZZUCO


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


SBT programa seriado de ação policial para madrugada de hoje


Para os persistentes insones, o SBT programou cenas de boa ação. ‘No Limite da Lei’ (no original, ‘Dark Blue’) estreia na madrugada de hoje para amanhã.


Por trás do novo programa do canal, está o prolífico produtor-executivo do seriado ‘CSI’, Jerry Bruckheimer.


A série trata de um grupo extraoficial formado para combater a venda de armas e o tráfico de drogas.


É liderado por um bonitão (Dylan McDermott) que não se importa em mentir e matar para manter seus propósitos.


O primeiro episódio conta como ele cria a equipe: um ex-policial, um duas-caras e uma ex-viciada em drogas que trocou de nome para poder ingressar na polícia.


A ideia é que o passado nebuloso dessas pessoas vai ajudá-las com a vida dupla e os requisitos necessários para sobreviverem infiltradas.


Aos poucos, os disfarces vão ficando tão intrincados que os agentes perdem a noção de quem são -e mais importante: de que lado estão.


A série tem apenas duas temporadas e entra no lugar de ‘Confie em Mim’, com Eric McCormack.


NA TV


No Limite da Lei


Estreia da primeira temporada


QUANDO de qui. para a sex., às 3h, no SBT


CLASSIFICAÇÃO 14 anos


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


 


RÁDIO


Rosa Costa


Senado aprova horário flexível para ‘Voz do Brasil’


Os senadores aprovaram ontem projeto de lei que flexibiliza o horário de transmissão da Voz do Brasil. As emissoras comerciais e comunitárias poderão transmitir o programa entre 19 horas e 23 horas, de acordo com a hora oficial de Brasília. Já as rádios educativas continuarão veiculando o programa no horário habitual, das 19 às 20 horas. As emissoras pertencentes ao Poder Legislativo – federal, estadual ou municipal – poderão escolher o horários de transmissão, quando houver sessão legislativa noturna. O texto terá de ser examinado mais uma vez pelos deputados, antes de ser encaminhado a sanção presidencial.


Em caso de calamidade pública, as emissoras poderão ser dispensadas da transmissão do programa, desde que o horário seja utilizado para a prestação de serviço de utilidade pública.


 


 


WIKILEAKS


EUA fecham cerco contra site e Hillary lidera esforço


Num esforço para reduzir os danos nas relações com seus principais aliados, a Casa Branca enfatizou ontem que as mensagens diplomáticas divulgadas pelo site WikiLeaks não representam posição dos EUA nem se refletem automaticamente nas decisões de política externa. Também qualificou de ‘ridículo’ o apelo do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, pela renúncia da secretária de Estado, Hillary Clinton.


Cedendo às pressões do governo americano, o servidor Amazon.com concordou em não dar acesso ao site WikiLeaks. O anúncio da expulsão da página pela Amazon foi feito pelo senador americano Joe Lieberman, (independente, que normalmente vota com os democratas). O servidor é um dos mais utilizados pela organização. O site, que não saiu do ar, classificou a ação da Amazon como ‘censura’ e anunciou que passaria a utilizar-se de servidores europeus.


Enquanto buscava fechar o cerco ao WikiLeaks e Assange, o presidente Barack Obama designou uma comissão que investigará o caso e criará medidas para conter as divulgações do WikiLeaks e evitar a revelação de mais segredos.


Ao mesmo tempo, o esforço para conter os efeitos do vazamento se intensificava em Astana, no Casaquistão, onde Hillary se submeteu à prova de fogo de lidar com o incidente diante de líderes europeus – muitos deles, alvo de duros adjetivos nos telegramas enviados a Washington. A chanceler alemã, Angela Merkel, foi descrita numa das mensagens como uma líder sem imaginação e ‘avessa ao risco’. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, recebeu a qualificação de ‘suscetível e autoritário’, e o premiê britânico, David Cameron, não teria profundidade, segundo os telegramas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 


 


João Paulo Charleaux


‘Vazamento não substitui o jornalismo investigativo’


Nada de encontros pessoais com fontes protegidas pelas sombras, que entregam pastas secretas a um repórter de um grande jornal, como no caso Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon (1969-1974) e tornou famosa a dupla de jornalistas do Washington Post, Carl Bernstein e Bob Woodward.


O jornalismo investigativo de hoje tem como personagem principal um hacker australiano, Julian Assange, e seu site, o WikiLeaks, que entrega de bandeja terabytes de arquivos confidenciais a um punhado de jornais escolhidos a dedo. O que os jornais beneficiados apresentam como ‘furo’ chega às redações pela internet e pode ser acessado por qualquer leitor do mundo direto no site WikiLeaks.


Para o diretor executivo da associação Repórteres e Editores Investigativos (IRE, na sigla em inglês), Mark Horvit, o WikiLeaks não deve ser considerado ‘uma nova forma de jornalismo investigativo, mas uma fonte de informações que o jornalismo investigativo pode usar’. O site mantido por Assange funciona principalmente como ‘um novo canal para os que querem anonimamente divulgar documentos confidenciais’, que, antes, ‘só eram revelados como parte de uma relação entre o jornalista e suas fontes’.


Mas Horvit, que também é professor da Escola de Jornalismo da Universidade do Missouri, nos EUA, alerta para ‘desvantagens potenciais desse novo modelo’, uma vez que ‘os jornalistas não conhecem necessariamente a fonte da informação que estão usando’.


‘Em muitos órgãos de imprensa, o jornalista e o editor devem saber quem é a fonte de informação, ainda que a identidade da fonte seja preservada. Este conhecimento sobre a fonte pode ser crucial para julgar o valor que o material tem e para saber como lidar com ele’, disse Horvit.


Para ele, ‘um órgão que publica as conteúdos entregues pelo WikiLeaks é responsável pela informação veiculada, seja o órgão o receptor inicial de uma informação sensível, ou esteja obtendo o conteúdo de uma terceira fonte, como no caso do WikiLeaks’.


De forma geral, Horvit elogiou a forma como os jornais americanos e europeus estão lidando com a informação. Para ele, a maioria dos repórteres está ‘investigando o material e trabalhando para determinar o valor do conteúdo.


OUTROS SEGREDOS


Espiões cubanos e o acesso a Chávez


Hugo Chávez confia mais nas informações de espiões cubanos do que em seus próprios serviços de inteligência. ‘Os agentes cubanos têm acesso direto a Chávez e frequentemente lhe fornecem informações que não são verificadas por agentes venezuelanos’, diz um documento.


Bachelet também critica Cristina


A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet disse, em documentos, que a Argentina é ‘carente de uma democracia robusta’ e questionou a ‘instabilidade’ de Cristina Kirchner. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também questionou o ‘estado mental’ de Cristina.


Corrupção no governo argentino


Para Sergio Massa, ex-chefe de gabinete de Néstor Kirchner, o ex-presidente era ‘psicopata’. Luis León, secretário-geral do governo espanhol, mostrou-se preocupado com a corrupção argentina. O chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Aníbal Fernández, teria ligação com o narcotráfico.


Londres protegeu EUA em inquérito


O governo britânico, na época liderado por Gordon Brown, restringiu o alcance de uma investigação sobre a guerra no Iraque para proteger os interesses dos EUA. O inquérito tinha sido pedido pelo próprio Brown para determinar os erros cometidos no conflito.


 


 


TELEVISÃO


Cristina Padiglione


Globo fecha o mês com baixa histórica


Embora a TV tenha registrado aumento de 4% no número de aparelhos ligados no mês de novembro, na Grande São Paulo, na faixa das 7h à 0h, em relação ao mesmo mês de 2009, a Globo perdeu justamente 4% de audiência no período. A emissora fechou o mês com 15,8 pontos de audiência, ante 16,4 pontos de novembro de 2009 e 16 pontos registrados no mês passado. É a mais baixa audiência de sua história na região, onde cada ponto equivale a 56 mil lares, segundo o Ibope. A Record cresceu 18% entre novembro de 209 e novembro de 2010 (de 6,7 pontos foi a 7,9) e o SBT perdeu 11% nas mesmas referências (foi de 5,6 pontos a 5 pontos), enquanto a Band cresceu 11% (de 2,5 a 2,7).


Outra estética


Adaptação de Érico Veríssimo, As Mãos de Meu Filho exibe estética digna de ser chamada de especial e vai ao ar dia 18, na Record. Com Beethoven, Chopin e Brahms na trilha sonora, o elenco traz Anna Petta, Gustavo Falcão, Antonio Guerra e Yago Machado.


2.488.000 de espectadores via pay-per-view, recorde na Espanha, foi o saldo do massacre do Barcelona (5) sobre o Real Madrid (0), na 2ª feira. Aqui, o jogo foi ao ar na ESPN


‘Pode ser que tenha quem assista e não se abale, mas quando vira vício e começa a afetar sua vida é um enorme problema.’ Silvio de Abreu, sobre o drama Gerson


A Sky acaba de botar no ar mais três canais em HD – o Sony, o Warner e o History Channel – mais um Cinemax, em SD, todo repaginado. Segundo o vice-presidente de programação da operadora, Agrício Neto, a Sky tem até agora 400 mil assinantes em HD.


Glee terá um latino em cena, segundo o criador da série, Ryan Murphy, em entrevista à imprensa internacional esta semana, em Los Angeles, da qual a repórter do Estado Alline Dauroiz participou.


Ryan Murphy confirma ainda que Javier Bardem pediu para participar de um episódio de Glee. Murphy já está escrevendo um papel só para ele.


E Michael Jackson – após Madonna e Britney Spears – será o próximo homenageado de Glee, que terá um capítulo com músicas do álbum Thriller. Outro episódio temático será para o Dia dos Namorados, só com as mais clássicas ‘love songs’.


Aprendiz 24 Horas, o especial que a Record chegou a prever para este fim de ano, com João Dória Jr. e competidores de edições anteriores do programa, irá ao ar após o final do Pan e antes da próxima edição de A Fazenda, em julho.


A Turner vem oferecendo a operadoras de TV paga na vizinhança latina o canal Woohoo, feito pelo grupo no Brasil.


Também presente no almoço em brinde aos 75 anos de Boni, Faustão impressionou a todos pelo corpinho.


Sim, Francis Ford Coppola acabou dando um jeito de baixar em São Paulo e honrar seu compromisso com Jô Soares.


É batizado como ‘geração tela’ (TV, computador, celular e tablet) o público avaliada pela MTV no Dossiê Universo Jovem sobre consumo de mídia, cujos resultados foram revelados ontem.


 


 


 


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