Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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MONITOR DA IMPRENSA >

Governo japonês intimida mídia do país

Por Leticia Nunes em 09/06/2015 na edição 854
Shigeaki Koga Japão

Shigeaki Koga (dir) protesta contra o premiê: demitido

O governo do Japão é alvo crescente de críticos de que o acusam de tentar intimidar a imprensa do país. As críticas vieram à tona recentemente por conta de um episódio inusitado: o comentarista político Shigeaki Koga anunciou, em um programa de TV, que aquele seria seu último dia ali porque os executivos do canal haviam cedido às pressões do governo por sua demissão. Shigeaki havia feito comentários críticos ao primeiro-ministro, Shinzo Abe. “Eu tenho sofrido ataques intensos do gabinete do primeiro-ministro”, afirmou.

De acordo com jornalistas e políticos, o governo de Shinzo Abe tem feito uma campanha mais agressiva contra a imprensa do que seus antecessores. Reclamações contra jornalistas e comentaristas críticos e uma retaliação mais pesada aos meios de comunicação que insistem em apontar falhas na administração são atitudes comuns. Boatos de que o governo poderia utilizar uma lei que penaliza redes de TV que reportam informações falsas para revogar a licença de transmissão de algumas emissoras têm sido escutados frequentemente.

“O governo está mostrando ter uma obsessão com a mídia que beira a paranoia. Eu nunca vi um esforço nesse nível para tentar controlar jornais e programas de TV específicos”, avalia Keigo Takeda, ex-editor da revista Newsweek no Japão.

Autocensura

Apesar de oficiais do governo negarem que exista uma tentativa de controlar o que é divulgado pela imprensa, jornalistas e analistas de mídia afirmam que a campanha de intimidação já conseguiu influenciar a maneira como a imprensa japonesa cobre as ações do primeiro-ministro. Veículos que antes eram considerados críticos agora praticam a autocensura ou removem da cobertura política seus jornalistas mais incisivos para evitar atrair a ira das autoridades.

Um dos alvos da pressão contra a mídia é a emissora pública NHK. O governo convocou os executivos do programa Close-up Gendai para responder sobre pequenos erros ocorridos em reportagens. O novo diretor geral da emissora, Katsuto Momii, amigo pessoal do primeiro-ministro, declarou em 2014 a intenção de seguir uma linha editorial mais próxima das ideias do governo.

Outro órgão de imprensa que sofreu pressões recentes foi o jornal Asahi Shimbun. Após ter admitido que utilizou falsos depoimentos em uma matéria sobre o uso de escravas sexuais pelo império durante a Segunda Guerra Mundial, o jornal foi alvo de duras críticas de políticos conservadores e membros do governo. Atualmente, os jornalistas de política do Asahi Shimbun se sentem tão intimidados que evitam fazer perguntas em coletivas do governo.

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, o Japão caiu, nos últimos cinco anos, cerca de 50 posições no ranking que mede a liberdade de imprensa em todo o mundo. Atualmente, o país se encontra na 61ª posição.

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