Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1060
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MONITOR DA IMPRENSA >

Governo apóia canal internacional em inglês

14/12/2005 na edição 359

Foi lançado no sábado (10/12), em Moscou, o Russia Today, primeiro canal de notícias 24 horas por dia em inglês do país. A emissora, que conta com financiamento governamental, tem o objetivo de divulgar notícias para o exterior sob a perspectiva russa, em um momento em que a administração de Vladimir Putin enfrenta críticas ocidentais por sua atitude repressiva com relação à democracia e à lei. Funcionários do Kremlin alegam que a imagem negativa da Rússia no exterior vem da maneira errônea e parcial como a mídia internacional representa o país.


O primeiro boletim informativo do canal abordou a investigação sobre a contaminação de bancos de sangue pelo vírus da Aids na cidade russa de Voronezh. Em seguida, o noticiário prosseguiu com informes sobre gripe aviária na Ucrânia e o destino dos quatro reféns ocidentais seqüestrados no Iraque. Também foi ao ar uma matéria sobre como países da ex-União Soviética estão reescrevendo livros de história para crianças, agora que são independentes de Moscou. ‘Vamos ter primordialmente notícias da Rússia, mas vamos também mostrar eventos internacionais sob o nosso ponto de vista’, explica Margarita Simonyan, editora-chefe do Russia Today e ex-correspondente do Kremlin para a emissora estatal Rossiya.


A imagem da Rússia se deteriorou no exterior depois da divulgação da prisão e julgamento do magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, visto por grande parte da imprensa internacional como guiado por motivação política, ressalta Meg Clothier [Reuters, 10/12/05]. Recentemente, um projeto de lei que aumentaria o controle do governo sobre grupos de caridade e pró-democracia também gerou críticas.


A mídia russa especula por quanto tempo o canal irá se manter independente em assuntos delicados para o Kremlin, como a violência na Chechênia. Margarita afirma que o Russia Today oferecerá uma cobertura ‘objetiva e interessante’. A emissora conta com escritórios em Londres, Washington, Paris e Jerusalém, e tem planos de abrir mais sucursais. ‘A censura do governo é proibida pela constituição neste país’, diz ela. O Kremlin já gastou cerca de US$ 35 milhões no lançamento do canal e especialistas prevêem que ainda vão ser necessários outros milhões de dólares para mantê-lo em funcionamento.


Fora do ar


Dois dias após o lançamento, o Russia Today saiu do ar. Antes da programação ser interrompida, a emissora havia divulgado notícias sobre a constituição russa e o novo parlamento na Chechênia. No dia seguinte, a transmissão já funcionava normalmente. Segundo a editora-chefe, o problema foi causado por uma invasão hacker. ‘Houve uma tentativa de invasão no sistema do computador, o que levou a uma interrupção da transmissão. Nós nos desculpamos à audiência, mas o canal teve de interromper a transmissão até que os problemas técnicos fossem resolvidos’, informou Margarita.


No entanto, o diretor técnico da emissora, Sergei Maganet, apresentou uma versão diferente. Segundo ele, a interrupção foi ocasionada por um problema com o programa que o canal usa para distribuir seu sinal. ‘O hard drive do programa parou de funcionar, e, depois que o substituímos por um formato mais simples de distribuição, a transmissão voltou ao normal’, afirmou. Com informações de Katy Duke [The Guardian, 13/12/05] e do Moscow Times [14/12/05].

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