Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > CUBA

Granma critica cobertura sobre greve de fome

10/03/2010 na edição 580

A cobertura da mídia estrangeira sobre a greve de fome do dissidente político Guillermo Farinas foi criticada pelo governo cubano, que alega que as matérias fazem parte de uma campanha para desqualificar o regime da ilha. Farinas, jornalista da oposição, recusa-se a comer e a beber água desde o dia 24/2, em protesto à morte do também dissidente Orlando Zapato Tamayo. Além disso, ele pede a libertação de 26 prisioneiros que estão com a saúde debilitada. ‘Cuba não aceitará pressão nem chantagem’, destacou o jornal Granma, do Partido Comunista. ‘Grupos de mídia ocidentais estão chamando a atenção para uma mentira pré-fabricada’.


Foi a primeira vez que um veículo da mídia estatal mencionou uma greve de fome. Diversos jornalistas foram à casa de Farinas, na cidade de Santa Clara, para entrevistá-lo. O dissidente deixou claro que não estava pedindo por mais liberdade de expressão ou pela derrubada do governo. Ele ainda afirmou que abandonaria o jejum caso os prisioneiros políticos fossem libertados; se isto não ocorrer, ele prometeu continuar a greve até a morte.


Hospital


Na semana passada, Farinas passou mal e parentes o levaram ao hospital, onde médicos lhe deram soro intravenoso. ‘Seus olhos estão fundos e ele está mais desitratado’, afirmou um dos familiares. Segundo o Granma, o dissidente seria um agente pago pelos EUA. O governo cubano descreveu os dissidentes como ‘mercenários’ e acusou-os de receber dinheiro dos EUA. Farinas nega receber financiamento do governo americano. A agência de notícias Cubanacan Press, para a qual ele trabalha, funciona em um blog gratuito e no Facebook.


Ainda segundo o diário, médicos cubanos já tomaram providências, ao longo dos últimos 15 anos, para salvar a vida de Farinas outras vezes em que entrou em greve de fome. Protestos deste tipo colocam o governo em uma posição difícil, alega o Granma, pois muitos países consideram a alimentação forçada uma violação dos direitos humanos. ‘Não é a medicina que deve resolver um problema que foi criado intencionalmente para desacreditar nosso sistema político, mas sim o próprio paciente, as pessoas não patriotas, os diplomatas estrangeiros e a mídia que os manipula. As consequências serão responsabilidade de todos eles’, escreveu o Granma.


A morte de Tamayo, que estava em greve de fome, provocou críticas em diversas partes do mundo. Ele estava preso e era classificado como prisioneiro de consciência pela Anistia Internacional. O presidente Raul Castro disse lamentar a morte de Tamayo, mas negou que ele tenha sido torturado. Informações de Paul Haven [AP, 8/3/10].

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