Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > CARTUNS DO PROFETA

Hamas usa coelho falante para criticar desenhos

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 19/02/2008 na edição 473

Um ‘coelho falante’ apareceu na televisão em Gaza, na sexta-feira (15/2), para criticar os jornais dinamarqueses que publicaram na semana passada cartuns do profeta Maomé. O ator fantasiado de coelho também condenou a ‘imundice sionista’ e o controle de Israel sobre Jerusalém. O coelho é apenas mais uma tentativa do Hamas de usar personagens de desenhos animados para chamar a atenção das crianças palestinas no canal al-Aqsa.

Há alguns meses, a emissora levou ao ar uma espécie de Mickey Mouse, marca registrada de Walt Disney, que depois foi seguido por uma abelha falante e, agora, pelo coelho, batizado de Assud – que significa Pequeno Leão. ‘Eu quero que o Ocidente ouça isto. Eu quero que os dinamarqueses que ofenderam o grande profeta ouçam isto’, afirmava o personagem na semana passada depois que a co-apresentadora do programa Pioneiros do Amanhã, uma menina de 12 anos chamada Sarra, condenou os jornais por republicar um dos desenhos de Maomé.

Os jornais estamparam o cartum – que mostra o profeta com uma bomba no lugar do turbante – como forma de protesto pela liberdade de expressão depois que três homens foram presos por suspeita de planejar a morte do dinamarquês Kurt Westergaard, autor do desenho. ‘Onde estão vocês, muçulmanos? Onde estão vocês, árabes?’, dizia a menina. ‘Nós todos somos sacrifícios para o profeta. Os soldados do Pioneiros do Amanhã irão redimir o profeta’, completava ela. Informações de Nidal al-Mughrabi [Reuters, 15/2/08].

Jornais aderem a protesto por liberdade de expressão

Pelo menos 17 jornais dinamarqueses – dentre eles os três maiores do país – publicaram, na semana passada, uma das controversas charges do profeta Maomé que tanta polêmica renderam em 2005 e início de 2006. A espécie de protesto coletivo ocorreu um dia após a polícia ter prendido os três suspeitos de tramar um plano para assassinar Kurt Westergaard, cartunista autor do desenho – publicado originalmente em setembro de 2005 pelo jornal Jyllands-Posten.

Até mesmo o Politiken, jornal de centro-esquerda que, na ocasião, foi extremamente crítico à decisão do Posten de publicar os cartuns do profeta, juntou-se ao protesto a favor da liberdade de expressão. Westergaard vive escondido, com proteção policial, há três meses. A charge mostra Maomé com uma bomba no lugar do turbante. ‘Com este desenho, eu quis mostrar como terroristas e islâmicos fanáticos usam a religião como arma espiritual. Mas nunca imaginei este tipo de reação’, contou ele, que é ateu. Informações de Slim Allagui [AFP,13/2/08].

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