Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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MONITOR DA IMPRENSA >

Imprensa britânica debate sistema regulatório

Por lgarcia em 12/07/2011 na edição 650

Além do modelo de jornalismo de Rupert Murdoch e da reputação do primeiro ministro britânico, o órgão independente e auto-regulatório que fiscaliza o conteúdo editorial de jornais e revistas no Reino Unido também está em baixa depois do escândalo que levou ao fim do tabloide mais vendido do país. Situação e oposição não tem dúvidas de que a Press Complaints Commission (PCC) precisa de renovação. O premiê David Cameron a classificou de ausente e ineficiente; o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, disse se tratar de um “poodle desdentado”. Se o órgão tivesse sido mais enérgico em questionar e investigar as alegações de grampos telefônicos, talvez tivesse como se defender das críticas que vem recebendo na última semana.

Segundo artigo na revista britânica Economist [8/7/11], apesar de se envolver quando questões específicas, como o impacto das notícias nas crianças e a perpectiva de processos contra publicações, estão em jogo, a Press Complaints Commission nunca se concentrou em fazer o básico: estabelecer e cobrar da imprensa padrões mínimos de comportamento. E isso facilitou o crescimento do jornalismo ao estilo do News of the World.

Novo sistema

Cameron concordou que algo precisa mudar no que diz respeito ao controle sobre as ações da mídia, ressaltando que é preciso um novo órgão e um novo sistema regulatório. O que importa, defende a Economist, não é exatamente o formato deste novo órgão, e sim quais serão seus poderes. Uma coisa é certa, afirma a revista: a Press Complaints Commission, como é hoje, vai acabar.

Na segunda-feira [11/7], o editorial do jornal The Telegraph alertava contra um novo sistema que venha a proteger os ricos e poderosos. “A PCC, ou o seu sucessor, deve ter o poder de investigar acusações a fundo. Mas o plano de David Cameron para um novo sistema de regulação imposta pelo governo também tem seus perigos”, afirma o artigo. “A lei dá àqueles com dinheiro a habilidade de sufocar discussões e evitar a publicação de fatos considerados inconvenientes”.

No Independent, artigo de Tim Luckhurst também critica a possibilidade de que políticos venham a regular a imprensa. “As barbaridades feitas pelo News of the World criaram uma oportunidade para intensificar e reforçar os padrões do jornalismo britânico. Nossa democracia irá sofrer se políticos explorarem isso como um cavalo de Troia para introduzir uma regulação estatutária. A democracia britânica chegou à maturidade em parceria com uma imprensa livre.”

No Guardian, Jeff Jarvis sugere que, em plena era da internet, o público em geral poderia ajudar a regular a imprensa. “Nós deveríamos ver todas as organizações de notícias colocar um espaço perto de todas as suas matérias convidando para a checagem de fatos: leitores alertando para afirmações dúbias, e jornalistas e leitores enfrentando o desafio de investigar”. Ele diz ainda que esta pequena ação elevaria os padrões e as expectativas para o trabalho dos jornalistas e abriria o processo jornalístico para o público, convidando-o a agir como observador e colaborador. Com informações da BBC News [11/7/11].

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