Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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MONITOR DA IMPRENSA >

Imprensa reage com surpresa a anúncio do Nobel

09/10/2009 na edição 558

A imprensa americana reagiu com surpresa ao anúncio da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao presidente Barack Obama. Colunistas foram rápidos em publicar artigos online classificando o prêmio de prematuro.


‘O trabalho de Obama no Oriente Médio é sensato, mas ainda não produziu resultados. E certamente não se compara aos intensos esforços de Bill Clinton com suas negociações pela paz no Oriente Médio em 2000. Da mesma forma, os esforços de Obama pelo desarmamento nuclear são importantes, mas são basicamente uma aspiração. Todo o trabalho duro ainda está por vir’, escreveu Nicholas Kristof, no site do New York Times.


No Washington Post, David Ignatius afirma que o Nobel concedido ao presidente parece meio ridículo. ‘Mesmo se você for um fã [de Obama], você tem que admitir que ele ainda não fez muito pela paz’. O colunista destaca, entretanto, que o prêmio valida a estratégia tomada pela Casa Branca desde o primeiro dia de Obama no poder: a idéia de que os maiores problemas dos EUA com o resto do mundo vêm do ‘antiamericanismo’ e de que a falta de popularidade do país no exterior é um grande problema de segurança nacional. O governo se concentrou, então, em posicionar Obama como o oposto de George W. Bush, ressaltando o fim da tortura, a ordem para o fechamento de Guantánamo, a data para a saída do Iraque, as negociações sobre as mudanças climáticas. A Europa, e os juízes do Nobel, parecem ter gostado do discurso, diz Ignatius. ‘É por isso que ele foi homenageado: por reconectar os EUA ao mundo e nos tornar populares novamente’.


‘Ele ganhou! Pelo que?’, questiona a correspondente-chefe da Associated Press na Casa Branca, Jennifer Loven. ‘O comitê do Nobel citou como seu principal feito ‘um novo clima na política internacional’. O presidente se tornou ‘o principal porta-voz do mundo’, afirmou o comitê’. Jennifer ressalta que, para um dos mais jovens presidentes americanos, no poder há tão pouco tempo – são menos de nove meses –, o prêmio é uma tremenda honra, mas lembra que ele ‘parece ser mais pela promessa representada por Obama do que por sua atuação’.


Nancy Gibbs, da Time, concorda. ‘A última coisa de que Barack Obama precisa neste momento de sua administração e da nossa política é um prêmio por uma promessa’, escreveu no site da revista. No Twitter, a editora e blogueira Ana Marie Cox afirmou que, ‘aparentemente, o Nobel agora é dado a qualquer um que não seja George Bush’. Com informações de Greg Mitchell [Editor & Publisher, 9/10/09] e Garance Franke-Ruta [Washington Post, 9/10/09].

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