Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > PROFISSÃO PERIGO

Imprensa mexicana enfrenta a narcocensura

24/08/2010 na edição 604

O narcotráfico no México parece cada vez mais dominar algumas regiões do país. Em cidades onde é grande a atuação dos cartéis, a imprensa acaba tendo que se submeter às leis paralelas. Jornalistas que cobrem temas policiais são, muitas vezes, por medo ou precaução, forçados a escrever o que os traficantes ordenam ou permanecer em silêncio. A situação já ganhou até expressão jornalística, ‘narcocensura’, cunhada por uma repórter do jornal americano Los Angeles Times. ‘Você ama o jornalismo e a procura pela verdade. Você ama desempenhar um serviço cívico e informar sua comunidade. Mas você ama mais ainda sua vida. Não gostamos do silêncio, mas é questão de sobrevivência’, diz um editor de um jornal da cidade de Reynosa, no estado de Tamaulipas.

Cerca de 30 repórteres foram mortos ou desapareceram desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva liderada pelo Exército contra os cartéis de drogas, em dezembro de 2006, tornando o México um dos países mais perigosos do mundo para a prática jornalística. Há 10 dias, a ONU enviou sua primeira missão ao país para examinar as ameaças da narcocensura à liberdade da expressão.

Ameaças

Os profissionais que cobrem os cartéis se queixam da impunidade – poucos são os assassinatos investigados – que leva a mais violência. ‘Não é a falta de valores da parte dos jornalistas. É falta de apoio. Se eles me matarem, nada acontece’, diz o jornalista Jaime Aguirre. Em abril, quando traficantes atacaram militares em Reynosa, a notícia foi capa do Los Angeles Times – mas nada foi publicado na cidade.

Editores e repórteres contam que recebem, frequentemente, ameaças por telefone quando publicam algo que os traficantes não gostam. Ao saber que estão sendo monitorados, acabam não divulgando nada que consideram delicado. Além disso, o traficantes passaram a usar redes sociais na internet para espalhar rumores e provocar ainda mais pânico. Com informações de Roy Greenslade [The Guardian, 17/8/10].

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