Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > JEAN DOMINIQUE

Impunidade ronda sexto aniversário de assassinato

03/04/2006 na edição 375

A morte do jornalista haitiano Jean Dominique completou seis anos na segunda-feira (3/4). O mais famoso radialista do Haiti foi assassinado a tiros em Porto Príncipe em 2000, na entrada da estação de rádio Haiti Inter, que dirigia. Comentarista político, Dominique era bastante popular entre os ouvintes. Por abordar freqüentemente questões ligadas a posse de terra, narcotráfico e abuso de poder, o radialista possuía também uma vasta lista de inimigos. O crime chocou o Haiti.

A organização Repórteres Sem Fronteiras [31/3/06] pede a reabertura do caso. A investigação inicial sobre o assassinato foi concluída em março de 2003 e resultou na acusação e prisão de seis suspeitos. Três deles, entretanto, apelaram da decisão e a acusação foi anulada poucos meses depois.

‘O modo como as autoridades têm lidado com o caso do assassinato de Dominique nos últimos seis anos é escandaloso, visto que seus supostos assassinos foram identificados mas nenhum deles foi levado a julgamento, e três dos atiradores suspeitos são hoje fugitivos’, afirma a organização.

Acusados

O ex-vice-prefeito de Porto Príncipe Harold Sévère e agente de segurança Ostide ‘Douze’ Pétion foram presos em março de 2004 suspeitos de serem os mandantes do crime. Mais um suspeito foi acusado em março de 2005. Mas nenhum destes três foi interrogado. Nunca foi verificada a veracidade do depoimento de um dos atiradores suspeitos de que teria recebido US$ 10 mil pelo assassinato de Dominique. Também a morte em circunstâncias suspeitas de duas testemunhas nunca foi explicada.

Três dos acusados fugiram da prisão durante um motim em fevereiro de 2005. Um deles escapou para a Argentina, de onde entrou em contato com a RSF e insistiu em sua inocência. Durante uma visita a Porto Príncipe em setembro de 2005, uma delegação da organização soube por diversas fontes que os outros dois fugitivos circulavam impunemente no bairro de Martissant, onde lideravam uma gangue.

A Suprema Corte ordenou a reabertura do caso em junho de 2004. Mas demorou quase um ano para que um novo responsável pela investigação fosse indicado. O novo juiz não teve acesso aos arquivos do processo e não recebeu os materiais e fontes necessários para dar prosseguimento à investigação. Por estas razões, nenhum progresso foi feito no caso.

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