Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > GUERRA DOS JORNAIS

Independent lança versão em formato de tablóide

06/04/2004 na edição 271

Tablóides sempre foram considerados jornais menos importantes. A palavra logo remete aos famosos jornais sensacionalistas ingleses, cheios de escândalos e fofocas em suas páginas. Foi por causa desta associação imediata que a decisão do conceituado jornal Independent de mudar seu formato usual para o formato dos tablóides causou surpresa e espanto no meio editorial. Os executivos do jornal deixaram claro que modificaram apenas o formato do jornal, e não seu conteúdo ou linha editorial.

O experimento provou ter valido a pena. Com o custo de mais de US$ 10 milhões em produção, o feito superou expectativas e o Independent teve o primeiro aumento em sua circulação depois de alguns anos de declínio. ‘Nós superamos 10 anos de queda em apenas 10 semanas’, comemora Terry Grote, diretor-administrativo do jornal. Segundo dados do Audit Bureau of Circulation, em um dia de fevereiro o Independent vendeu 256.378 exemplares, apresentando um crescimento de 15% com relação ao ano anterior.

‘Eu não estou exagerando ao dizer que grupos editoriais de várias partes do mundo têm vindo nos visitar de três a quatro vezes por semana para estudar o que fizemos’, afirma, Grote. Enquanto isso, os outros grandes jornais de Londres observam o sucesso do Independent, tentando bolar soluções para responder a ele. E como Londres é a cidade dos jornais, a competição costuma ser acirrada.

Para se ter uma idéia, 11 jornais nacionais diários são publicados na capital britânica, desde o tablóide popular Sun até o sóbrio e respeitado The Financial Times. Segundo Sarah Lyall [The New York Times, 29/3/04], às vezes parece que existem jornais demais e notícias e publicidade de menos. Com isso, as vendas têm caído constantemente na última década, fazendo com que os jornais disputem os leitores por meio de artifícios como promoções, sorteios, brindes, fotos picantes e manchetes chamativas.

Em meio a esta ‘guerra’, o Guardian passa por um período problemático. Aparentemente, o conceituado jornal tem perdido seus leitores para o Independent, com seu novo formato. Em fevereiro, sua média de venda diária foi de 369.726 exemplares, com uma queda de 9,6% com relação a 2003. Mas de acordo com Alan Rusbridger, editor do Guardian, as vendas refletem um momento atípico, com o público atraído pela novidade no formato e influenciado pela conseqüente campanha de marketing do Independent. Agora, é esperar para ver se o sucesso irá realmente durar ou se não passa de uma fase.

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