Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > GUERRA NO IRAQUE

Iraque liberta 2 jornalistas franceses, 3 tchecos e um japonês

Por Beatriz Singer em 20/04/2004 na edição 273

Talvez Alexandre Jordanov só esteja vivo porque soube, sob imensa pressão, desenhar um mapa da França e, assim, provar sua nacionalidade. O repórter francês, seqüestrado em 11/4/04 na cidade xiita de Karbala ao filmar ataques a um comboio do Exército americano no Iraque para a agência de TV francesa Capa, foi libertado no dia 14/4.

O cameraman que o acompanhava, Ivan Ceriex, também capturado, foi libertado no dia seguinte. Os dois estavam sob fogo cruzado e se separaram ao correr em direções opostas para se protegerem. Ceriex disse ter sido amarrado, espancado e acusado de espionagem para os EUA. Conseguiu ser libertado após convencer os algozes, presumidamente sunitas, de que era um jornalista francês. Então a situação praticamente se inverteu: os seqüestradores chegaram a lhe dar dinheiro para pagar um táxi até Bagdá.

Apesar de ter sido bem-alimentado, Jordanov disse em entrevista à CNN que a principal técnica utilizada pelos terroristas para intimidá-lo era a humilhação. ‘Fizeram-me acreditar que me matariam’, disse. Infelizmente, a ameaça foi cumprida com um dos quatro italianos que também foram seqüestrados por rebeldes iraquianos. Fabrizio Quattrocchi foi morto com uma bala na nuca. A cena foi filmada, mas nenhuma emissora a exibiu, de tão chocante. Com a fita, o grupo, chamado Batalhão Verde, enviou comunicado informando que o refém fora executado porque o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi se recusou a retirar suas tropas do Iraque. Em resposta à nota, Berlusconi disse que não é a morte de um civil que o fará mudar de idéia. Quattrocchi, assim como os outros italianos seqüestrados, era segurança de uma empresa americana. Esta foi a primeira execução desde o início da onda de seqüestros de estrangeiros no país.

Três jornalistas tchecos, seqüestrados no dia 11/4, também foram libertados. Michal Kubal e o cameraman Petr Klima, ambos da emissora pública Czech Television, e Vit Pohanka, da rádio pública Czech Radio, foram capturados quando iam de Bagdá a Aman, na Jordânia. O ministro de Relações Exteriores do país garantiu que os três passam bem.

O jornalista japonês Soichiro Koriyama, também seqüestrado, foi libertado na semana passada. O Comitê de Proteção a Jornalistas [16/4] anunciou que está tentando confirmar o status do jornalista free-lance japonês Jumpei Yasuda, do jornal Tokyo Shimbun, supostamente seqüestrado em 14/4 quando se dirigia de Bagdá a Abu Ghraib para filmar o abate de um helicóptero americano.

Pseudo-alívio

As libertações são um alívio aos profissionais de imprensa trabalhando no Iraque, mas, ao mesmo tempo, o temor pela segurança de outros estrangeiros no país cresce, à medida que novos profissionais e civis são feitos reféns. Os governos da França, Japão e República Tcheca, segundo reportagem de Patrick Barrett [The Guardian, 15/4/04], alertaram todos os seus cidadãos para que saiam do Iraque e aconselhou os que planejam visitar o país a adiarem a viagem.

Até o dia 15/4, havia cerca de 40 reféns de 12 países sendo mantidos em cativeiros no Iraque. Muitos jornalistas decidiram ficar apenas em Bagdá, já que a hostilidade contra estrangeiros em cidades como Faluja é crescente.

Bagdá sitiada

No dia 9/4, Bagdá foi palco de outro protesto antiamericano. Tropas americanas tiveram de trancar e proteger o Hotel Palestina, que hospeda vários jornalistas estrangeiros, devido à manifestação que ocorreria na região. Ninguém pôde entrar ou sair do hotel durante o período, segundo uma fonte. Nesse ínterim, o adjacente Hotel Sheraton foi atingido por um obus. Com informações de Michele Greppi [Television Week, 12/4].

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