Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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MONITOR DA IMPRENSA >

Jornais se calam diante de declaração polêmica

16/12/2005 na edição 359

Os governos e as organizações de mídia dos países árabes mostraram-se relutantes em criticar os comentários polêmicos do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, nos quais afirmou que o Holocausto é um ‘mito’ usado por europeus para criar um estado judeu no centro do mundo islâmico, o Estado de Israel. Enquanto a reação oficial árabe nestes casos é, em geral, mais lenta do que a reação internacional, qualquer assunto que envolva a defesa de Israel é delicado para governos árabes, que se arriscam a ficar ‘contra a nação muçulmana’.


Os comentários do presidente foram ao ar ao vivo na quarta-feira (14/12), na televisão estatal iraniana, sendo rapidamente condenados por Israel, pela União Européia e pelos EUA. Entretanto, nos Emirados Árabes Unidos, os três maiores jornais em árabe ignoraram as declarações de Ahmadinejad nas edições de quinta-feira (15/12). Na vizinha Arábia Saudita, os jornais controlados pelo governo obtiveram a declaração através de agências de notícias internacionais e a publicaram sem destaque e sem comentários ou análises adicionais. Outros jornais de amplo destaque em língua árabe, como o al-Hayat, sediado em Londres, e o Asharq al-Awsat, noticiaram a polêmica na primeira página, mas não publicaram editoriais sobre o assunto.


Retrocesso


Alguns anos atrás, no governo do ex-presidente Mohammad Khatami, o Irã fez avanços no fortalecimento das relações com os vizinhos árabes. Mas as posições do presidente ultraconservador Ahmadinejad e sua retórica de propagar uma ‘nova revolução islâmica’, como a que aconteceu em 1979 e colocou clérigos xiitas no poder, fazem com que os países árabes vejam o Irã com cautela. Ainda assim, estes governos relutam em defender Israel contra o Irã.


Desde que assumiu o poder, em agosto deste ano, Ahmadinejad vem provocando polêmicas tanto no Irã quanto no exterior. Em outubro, ele foi criticado por falar que Israel deveria ser ‘riscado do mapa’. ‘As declarações de Ahmadinejad ofenderam os palestinos porque Israel e o Holocausto têm reconhecimento internacional, e qualquer negação do Holocausto e de Israel justifica qualquer ação israelense contra os palestinos’, afirmou Hani al-Masri, colunista do diário al-Ayyam, ligado à Autoridade Palestina. Meir Litvak, especialista sobre o Irã da Universidade de Tel Aviv, afirmou que, se as declarações do presidente são sérias, o programa nuclear do Irã e o apoio a palestinos militantes e grupos libaneses são ‘muito mais perigosos’ para a estabilidade do Oriente Médio do que se pensava. Informações de Tarek al-Issawi [Associated Press, 15/12/05].

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