Sábado, 21 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Jornal ganha batalha por proteção de fontes

31/07/2009 na edição 548

O Irish Times venceu, nesta sexta-feira [31/7], uma longa batalha legal para proteger a identidade de uma fonte que forneceu ao jornal documentos provando que o ex-primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern era investigado por suspeita de corrupção. A editora Geraldine Kennedy e o repórter Colm Keena, que em outubro de 2007 haviam se recusado a revelar a fonte, poderiam ser presos. ‘Pela primeira vez, o direito dos jornalistas protegerem suas fontes é garantido na lei irlandesa’, afirmou Geraldine, classificando o veredicto da Suprema Corte de ‘muito bom para o jornalismo investigativo’.


O caso teve início em setembro de 2006, quando o jornal usou os documentos fornecidos pela fonte anônima em uma reportagem afirmando que o então premiê era investigado por receber ilicitamente até 100 mil euros de empresários no início da década de 1990, quando atuava como ministro das Finanças. Ahern alegou, na ocasião, que se tratava de empréstimos de amigos próximos, mas se enrolou nas explicações quando mais pagamentos secretos envolvendo novos empresários e grupos começaram a surgir. O político acabou renunciando em maio de 2008.


Interesses


O juiz Alan Mahon interpretou que o Irish Times havia prejudicado a credibilidade pública da investigação por corrupção, pois surgiram suspeitas de que funcionários do tribunal estariam por trás do vazamento. Quando intimou Geraldine a revelar a fonte, ela declarou que os documentos vazados haviam sido destruídos, e se negou a fornecer a identidade. Mahon então processou a editora e o autor da matéria por desacato.


O caso chegou à Suprema Corte em dezembro. Nesta sexta, o juiz Nial Fennelly determinou que Mahon e o tribunal não conseguiram provar uma ligação lógica entre a destruição dos documentos pelo jornal e a questão tratada no julgamento – se, pela lei irlandesa, os jornalistas deveriam revelar a fonte. Fennelly declarou ainda que Mahon errou ao passar por cima do privilégio jornalístico de proteção de fontes em nome de interesses do tribunal. Informações de Shawn Pogatchnik [Associated Press, 31/7/09].

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