Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Jornal vende câmeras para estimular participação

05/12/2008 na edição 514

O Bild, jornal mais vendido na Alemanha, decidiu estimular o jornalismo cidadão. O diário fechou parceria com a cadeia de supermercados Lidl para vender câmeras digitais básicas a preços mais em conta. Com 2 GB de memória, as câmeras custam 69,99 euros (cerca de 230 reais) e vêm com um software e um adaptador USB que permite que os ‘leitores-repórteres’ enviem conteúdo diretamente para editores que terão a função de analisar o material.


‘Nós não temos como cobrir tudo’, afirma o chefe de redação Michael Paustian. ‘Achamos que isso representa um avanço para o jornalismo’. Segundo o porta-voz do Bild, Tobias Fröhlich, o intuito do projeto é estimular pessoas que têm câmeras a ampliar a visão dos fatos. ‘Isso não tem a ver com exclusividade’, diz.


Outro objetivo é aperfeiçoar o sistema de colaboração de leitores, que enviam milhares de informações por dia por e-mail e mensagens de texto. O jornal já publicou mais de nove mil destas imagens desde 2006, diz Fröhlich, ressaltando que, ainda que os detalhes não tenham sido definidos, o Bild pode vir a pagar pelas melhores fotos ou organizar um concurso entre o melhor conteúdo de cada semana.


Problemas


Há quem tema o excesso de confiança no jornalismo cidadão. ‘A quantidade de fotos de não-profissionais empurradas ao mercado, enquanto há imagens de profissionais disponíveis, representa uma ameaça ao jornalismo de qualidade’, afirma Eva Werner, porta-voz da Associação de Jornalistas da Alemanha.


O uso de conteúdo gerado pelo público tem crescido consideravelmente nos últimos anos. No Brasil, o jornal O Globo mantém em seu sítio a seção ‘Eu, repórter’, com material enviado por leitores. Recentemente, uma gafe atingiu a CNN, que criou o sítio i-Report especialmente para a participação popular no jornalismo. Um internauta – que, descobriu depois, tinha 18 anos – divulgou a informação de que o presidente da Apple, Steve Jobs, havia sofrido um ataque cardíaco. A notícia falsa, ainda que tenha ficado apenas na internet e tenha sido desmentida com rapidez pela rede americana, levou à queda instantânea das ações da companhia. Paustian diz que o cuidado no projeto do Bild será redobrado. ‘Não somos o YouTube’, afirma. ‘Toda contribuição será verificada, revisada e avaliada jornalisticamente’. Informações da AP e do Guardian [4/12/08].

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