Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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MONITOR DA IMPRENSA >

Jornal japonês se desculpa por cobertura falha de Fukushima

12/09/2014 na edição 815

O Asahi Shimbun, segundo maior diário do Japão, publicou na quinta-feira [11/9] uma retratação em uma grande reportagem sobre o acidente na usina nuclear de Fukushima depois de receber diversas críticas de outras organizações de mídia. Em março de 2011, o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão danificaram os reatores da usina, o que causou explosões, incêndios e o vazamento de radiação.

Em maio de 2014, o Asahi Shimbun citou os depoimentos dados pelo então diretor da central de Fukushima, Masao Yoshida, para investigadores do desastre para afirmar que cerca de 650 funcionários da planta nuclear haviam desobedecido ordens de superiores e fugido. Yoshida, que morreu em 2013 vítima de um câncer na garganta, era visto como um herói por muitos no Japão, por ter evitado um desastre maior ainda.

O ex-diretor havia pedido que o conteúdo de seus depoimentos nunca fosse divulgado. Há algumas semanas, outros jornais japoneses reportaram sobre o tema, afirmando que seus comentários teriam sido diferentes do que foi apresentado pelo Asahi Shimbun. Segundo eles, a saída dos funcionários da planta nuclear teria acontecido por uma falha de comunicação.

Apesar do pedido de Yoshida por sigilo, o governo decidiu divulgar, na quinta-feira [11/9], o conteúdo das entrevistas com os investigadores, que somam 400 páginas, com a justificativa de que era importante elucidar os fatos. “Apenas uma parte dos registros do depoimento do senhor Yoshida havia sido vista e reportada por vários jornais”, afirmou o principal porta-voz do governo, Yoshihide Suga. “Sua preocupação original de que sua história pudesse ganhar vida própria sem comprovação acabou se tornando realidade. Nós acreditamos que o resultado disso contrariaria sua vontade se não revelássemos [as entrevistas]”.

Editor demitido

Desde o desastre de Fukushima, em 2011, o Asahi Shimbun, de inclinação liberal, se posiciona, em suas páginas editoriais, contrário ao uso de energia nuclear, afirmando que se arrepende de tê-lo apoiado anteriormente. Já o jornal conservador Yomiuri Shimbun critica a cobertura do Asahi Shimbun, dizendo que ela provocou diversos equívocos na mídia internacional.

Em nota, o diário pediu desculpas pelo erro. O presidente do Asahi Shimbun, Tadakazu Kimura, afirmou em uma coletiva de imprensa que o jornal “feriu a confiança dos leitores” e afirmou que o editor-executivo Nobuyuki Sugiura seria demitido. Kimura disse também que pretende punir outros editores envolvidos na reportagem e fazer uma “reestruturação drástica”, e que ainda decidiria se ele próprio irá se demitir.

Precedente

Em agosto, o Asahi Shimbun teve de publicar retratações para 16 matérias – a primeira delas publicada em 1982 – que citavam um veterano do Exército Imperial Japonês que afirmava ter obrigado mulheres coreanas a atuar como escravas sexuais durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda que grande parte dos historiadores concorde que o Japão teria forçado dezenas de milhares de mulheres a trabalhar em uma rede de bordéis durante a guerra, alguns questionam os depoimentos do soldado Seiji Yoshida, que posteriormente se tornou escritor.

Seiji Yoshida morreu em 2000 e, desde que surgiram alegações de que suas histórias eram fabricadas, recusou-se a ajudar a investigá-las. Entre abril e maio de 2014, o Asahi Shimbun enviou repórteres para a Coreia do Sul para verificar as afirmações do soldado publicadas em diversas matérias. Após entrevistar 40 pessoas, no entanto, os jornalistas não conseguiram confirmá-las. Após críticas de leitores e de seus próprios funcionários, o jornal publicou um artigo retratando as 16 reportagens.

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