Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > MÍDIA E RELIGIÃO

Jornalista espanhol pode se tornar santo

09/03/2010 na edição 580

Tudo bem que colocar edições de jornais recheadas de notícias diariamente nas bancas por vezes parece milagre, mas, segundo o clichê cinematográfico, repórteres e editores nunca chegaram perto da imagem de santos. Não é que a situação vá mudar, mas o jornalismo está prestes a se aproximar um pouquinho mais da igreja: um jornalista espanhol pode, ainda este ano, ser nomeado santo pelo Vaticano.

Na semana passada, o bispo Ramón del Hoyo López anunciou que o secretariado do Vaticano marcou a beatificação do espanhol Manuel Lozano Garrido, conhecido como Lolo, para dia 12/6 – trata-se do estágio anterior à canonização. Em dezembro, o papa Bento 16 autorizou o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão de Lolo, determinado anteriormente pelo Vaticano como ‘cientificamente inexplicável’.

Mesmo sendo Garrido o primeiro jornalista a ser beatificado, o fato tem sido pouco divulgado pela imprensa. Ele tem uma relação antiga com a Igreja. Quando garoto, juntou-se à Ação Católica e, na guerra civil espanhola, secretamente levava hóstia aos crentes, até ser preso. Depois da guerra, escreveu para o Ya, jornal da conferência de bispos da Espanha, e também para duas revistas católicas, Telva e Vida Nueva. Garrido fundou, ainda, uma revista para doentes e escreveu nove livros. Ele teria escrito o seu primeiro artigo para uma revista chamada Cruzada, título pesado para o regime do então ditador Francisco Franco, pois se referia à campanha do general contra aqueles que tinham opinião contrária ao fascismo.

Mas as ‘virtudes heróicas’ reconhecidas pelo papa têm mais a ver com sua atitude diante da dor e sofrimento do que com a sua profissão. Em 1942, Lolo começou a sofrer de espondilite, doença inflamatória crônica, o que o deixou em uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Quando sua mão direita ficou paralisada, ele aprendeu a escrever com a esquerda. Quando perdeu os movimentos desta mão, passou a ditar seus artigos. Em 1962, quase 10 anos antes de sua morte, ele perdeu a visão. Informações de John Hooper [The Guardian, 25/2/10].

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