Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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MONITOR DA IMPRENSA >

Jornalista anglo-sueco assassinado em Cabul em ataque incomum

Por lgarcia em 12/03/2014 na edição 789

O jornalista Nils Horner, de 51 anos, foi assassinado na manhã de terça-feira [11/3], no Afeganistão, em um ataque sem precedentes em um bairro rico de Cabul, onde vivem e trabalham muitos estrangeiros e há extensa presença policial. Horner, que tinha dupla nacionalidade britânica e sueca, era um conhecido correspondente da rádio pública sueca Sveriges Radio. Ele já havia reportado do Afeganistão outras vezes, mas chegara a Cabul dois dias antes do ataque.

O assassino disparou apenas um tiro contra o jornalista, como em uma execução. Horner seguia de seu hotel para as ruínas de um restaurante bombardeado pelo Talibã no início do ano, no bairro de Wazir Akbar Khan, na esperança de entrevistar sobreviventes do ataque. Dois homens se aproximaram a pé quando ele descia de seu carro e o atacaram à queima-roupa. Segundo uma testemunha, o correspondente foi atingido na cabeça. Ele foi encaminhado a um hospital próximo, mas não resistiu. O crime foi condenado pelas Nações Unidas, pelo embaixador britânico e por diversas autoridades suecas.

Ainda não se tem confirmação oficial da identidade dos assassinos. O Talibã negou que tenha tido participação no crime. Na quarta-feira [12/3], a imprensa sueca reportou que um grupo insurgente identificado como Movimento Islâmico Fidai Mohaz alegou responsabilidade sobre o ataque. Em uma declaração na internet, o grupo afirmou que Horner não era jornalista, e sim espião do MI6, serviço de inteligência britânico.

Região conturbada

Ainda que Cabul sofra com ataques regulares a bomba a edifícios governamentais, diplomáticos e militares, que provocam a morte de dezenas de pessoas, e ainda que haja tentativas de assassinatos de políticos de destaque, não havia precedentes para um ataque deste tipo a um civil em uma área central e abastada da cidade em plena luz do dia.

O ataque suicida ao restaurante para onde Horner seguia ocorreu em janeiro e abalou a comunidade amplamente estrangeira que trabalha em escritórios diplomáticos nas proximidades. Um homem matou policiais e motoristas do lado de fora e todos os fregueses – entre eles o representante do Fundo Monetário Internacional no país e um oficial do alto escalão da ONU que negociava acordos de paz com insurgentes. Foram 21 vítimas fatais, 13 delas estrangeiras.

O Afeganistão ainda é considerado um lugar mais seguro para jornalistas do que outros países da região, segundo grupos em defesa da proteção de profissionais de imprensa. Ataques a jornalistas ocorrem, em sua maioria, longe da capital, e jornalistas afegãos que tiveram contato recente com Horner no Afeganistão alegam ser improvável que ele tenha provocado alguém com o que apurava nesta última visita. “Nils Horner foi a nosso escritório no domingo para discutir suas pautas, histórias leves e de interesse humano como direitos das mulheres e eleições”, escreveu no Twitter a agência Pressistan, que trabalha com correspondentes estrangeiros.

No dia do assassinato de Horner, era enterrado um dos vice-presidentes do país, Marshal Mohammad Qasim Fahim, que morreu vítima de um ataque cardíaco. O Afeganistão vive um momento importante politicamente, já que no início de abril serão realizadas eleições presidenciais para a escolha de um novo líder. Dez candidatos disputam o posto ocupado por Hamid Karzai desde a queda do Talibã, em 2001, já que, segundo a constituição, ele não pode disputar um terceiro mandato. 

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