Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

Jornalista ligada aos protestos de 1989 está desaparecida

Por lgarcia em 07/05/2014 na edição 797

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Michael Forsythe e Chris Buckley [“Journalist Missing Ahead of Tiananmen Anniversary”, The New York Times, 29/4/14]

Gao Yu, uma jornalista chinesa de destaque que chegou a ser presa após a repressão aos protestos estudantis de 1989 na Praça da Paz Celestial, em Pequim, está desaparecida há mais de uma semana. Amigos acreditam que ela pode ter sido detida pelas autoridades devido ao 25º aniversário do massacre.

Na China, não é incomum que ativistas sejam presos antes de grandes comemorações, e o evento que marcará os 25 anos do massacre na Praça da Paz Celestial tem recebido muita atenção de estudiosos e ativistas que trabalham para preservar a memória do momento histórico – em contraste aos esforços do governo para proibir as discussões sobre o tema.

O desaparecimento de Yu parece ser o primeiro de muitos ocorridos antes do evento de 4 de junho. Na última segunda-feira [5/5], Teng Biao, advogado e ativista da área de direitos humanos, publicou um tweet listando diversos desaparecidos ligados aos protestos de 89.

Último contato

Yao Jianfu, um oficial aposentado do Partido Comunista e pesquisador político que é amigo de Yu, disse que a jornalista deveria participar de uma comemoração no último sábado [3/5], em Pequim. O encontro celebraria o aniversário da publicação do editorial de 26 de abril de 1989 do jornal Diário do Povo (impresso oficial do governo chinês publicado em escala mundial), o qual condenava os protestos, marcando assim o início do massacre.

O encontro também seria uma homenagem a Chen Yizi – ex-assessor de Zhao Ziyang (secretário do Partido Comunista) – e figura importante por ter sido contrário à repressão do governo em 1989. Chen faleceu em Los Angeles no dia 14 de abril de 2014, em decorrência de um câncer.

Segundo Yao, Yu chegou a confirmar presença no evento, porém não apareceu. “Logo depois, não conseguimos mais entrar em contato com ela”, declarou ele. “Ninguém atendeu às ligações feitas para o celular dela, e o filho de Gao Yu também não atendeu a nenhuma chamada”.

A edição em língua chinesa da agência de notícias alemã Deutsche Welle, que publica colunas de Yu, informou em comunicado que o último e-mail recebido da jornalista foi enviado na quarta-feira, 30/4, e que desde então ninguém havia conseguido contatá-la. Yu, que era ativa nas mídias sociais, postou sua última mensagem no Twitter em 23/4.

Advertências

Gao Yu chegou a receber advertência das autoridades chinesas para não falar com repórteres antes da comemoração de 4 de junho. Segundo Yao, alguns dos amigos de Yu especulam que seus comentários cândidos e suas entrevistas com repórteres estrangeiros possam ter irritado as autoridades num momento delicado.

Yu já foi presa diversas vezes por desafiar o governo chinês com seu trabalho. Passou 14 meses detida por causa de um artigo publicado em um jornal de Hong Kong, em 1988. O texto foi classificado pelo prefeito de Pequim como “o modelo perfeito para estimular tumultos e rebeliões”.

Posteriormente, entre 1993 e 1999, ela ficou encarcerada sob acusação de vazar segredos de Estado, e acabou recebendo liberdade condicional por motivos médicos. Enquanto estava na prisão, em 1995, Gao Yu recebeu o prêmio Courage in Journalism, da International Women's Media Foundation. E em 1997 recebeu da UNESCO o prêmio Guillermo Cano World Press Freedom, por suas contribuições à liberdade de imprensa.

As colunas que Yu escrevia para a Deutsche Welle muitas vezes continham críticas mordazes à liderança do Partido Comunista chinês. Os textos também expunham notícias e boatos – alguns deles em tom levemente conspiratório – sobre a elite política do país.

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