Sexta-feira, 24 de Março de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº937

MONITOR DA IMPRENSA > AFEGANISTÃO

Jornalistas acusam militares de apagar fotos

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 06/03/2007 na edição 423

Jornalistas afegãos que cobriam um ataque suicida seguido de tiroteio no leste do Afeganistão, no domingo (4/3), tiveram fotos e vídeos apagados de suas câmeras por soldados americanos, que ainda os alertaram a não publicar imagens de militares ou de um carro onde três homens foram mortos a tiros.

Testemunhas do ataque e vítimas do tiroteio afirmaram que os soldados atiraram em civis que estavam em carros e a pé em uma estrada na província de Nangarhar logo após um ataque a bomba contra um comboio da Marinha. Já soldados americanos alegam que militantes atiraram nas forças dos EUA durante o ataque suicida. Segundo o Exército e autoridades locais, oito afegãos morreram e 34 ficaram feridos no violento incidente. Um fuzileiro naval americano também ficou ferido.

Material deletado

Um fotógrafo freelancer que trabalha para a Associated Press e um cinegrafista da AP Television News contaram que um soldado americano apagou suas fotos e gravação de vídeo que mostravam o veículo com três pessoas mortas, próximo ao local do atentado a bomba.

‘Quando cheguei perto do veículo, vi os americanos tirando fotos, então comecei a tirar também. Dois soldados vieram com um tradutor e perguntaram por que eu estava tirando fotos, já que eu não tinha permissão’, disse o fotógrafo. Segundo nota da AP, não ficou clara a razão para que jornalistas precisassem de permissão para fotografar um carro de civis em uma estrada pública.

Após conseguir permissão de um outro soldado americano, o fotógrafo teve suas novas fotos apagadas pelo mesmo soldado que deletou as primeiras. Um repórter da emissora afegã Ariana também teve suas imagens apagadas. ‘Eles me disseram que se as imagens fossem ao ar eu teria problemas’, afirmou. O cinegrafista da APTN contou que um soldado disse a ele que não poderia chegar perto do local da explosão, mas poderia fazer imagens. ‘Então eu comecei a filmar o local do ataque suicida, onde havia um corpo e soldados americanos e, mais longe, o carro onde as três pessoas haviam sido atingidas’. Mas, enquanto fazia as imagens, um outro soldado americano, acompanhado de um tradutor, ordenou que não se movesse. Este soldado apagou as cenas da câmera.

O tenente-coronel David Acceta, porta-voz do Exército americano, afirmou não ter confirmação de que algum soldado tenha ‘se envolvido na confiscação de câmeras ou em apagar imagens’. Informações da AP [4/3/07].

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