Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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MONITOR DA IMPRENSA >

Jornalistas estrangeiros são marginalizados

05/10/2004 na edição 297

Neste último e crucial mês de campanha presidencial nos EUA, o que importa é ser objetivo e fazer a coisa certa, pensam os organizadores dos partidos. A premissa é verdadeira quando se trata da relação dos presidenciáveis e daqueles que os cercam com a imprensa. Consegue a melhor entrevista quem tem mais a oferecer em troca. Nesta espécie de jogo, os jornalistas estrangeiros saem perdendo.

Leitores, telespectadores e ouvintes de fora dos EUA não dão votos para os EUA. Está feita a matemática: nada de votos, nada de tratamento vip. Gerald Baker, editor no país para o Times, de Londres, sentiu na pele a falta de cooperação dos organizadores da campanha presidencial com os veículos de comunicação estrangeiros. O jornalista foi informado de que repórteres estrangeiros estavam proibidos de entrar no avião de campanha do senador democrata John Kerry. Baker informou a eles, então, que era da revista americana Weekly Standard, para a qual também escreve, e ganhou um lugar no avião.

Na campanha presidencial de 1996, Bob Dole dispensou o repórter Jonathan Freeland, do Guardian, com a frase: ‘sem votos em Liverpool’. Mesmo assim, a imprensa estrangeira continua a cobrir amplamente as eleições presidenciais americanas. Principalmente agora, quando a atenção do mundo inteiro se concentra no país e quando a campanha aposta pesadamente em relações internacionais. ‘Eu acho que as campanhas não têm noção da importância desta eleição para o resto do mundo’, afirma Regis Le Sommier, correspondente da revista francesa Paris Match. ‘Elas deveriam prestar mais atenção à mídia internacional’.

Zona franca

Deveriam, mas não prestam. E a mídia internacional já sabe disso. ‘Não somos uma prioridade’, diz o repórter da agência France-Presse Jerome Bernard. Por isso, jornalistas estrangeiros gostam tanto dos momentos que se seguem aos debates presidenciais. Durante uma hora, assessores, porta-vozes, organizadores e articulistas das campanhas republicana e democrata se encontram com a imprensa em um território livre de preconceitos. A hierarquia do acesso da mídia é subvertida durante esta preciosa hora dentro de uma sala. ‘Você pode ir a qualquer lugar da sala e falar com quem quiser’, vibra Le Sommier.

Mas fora deste momento mágico, os jornalistas estrangeiros não estão sozinhos. Neste estágio final, principalmente, seu status se equipara ao de alguns colegas da própria imprensa americana. ‘Qualquer um da imprensa escrita é um jornalista estrangeiro durante o último mês de campanha’, diz o colunista do USA Today Walter Shapiro. A batalha é simples, clara e nada pessoal: quem oferece mais, ganha mais. Informações de Mark Leibovich [The Washington Post, 1/10/04].

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