Quinta-feira, 21 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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MONITOR DA IMPRENSA >

Jornalistas acusados de culpa por crise bancária

05/02/2009

Cinco jornalistas britânicos especializados em economia refutaram a acusação, feita pelo Comitê Parlamentar do Tesouro Britânico, de que teriam sido parcialmente responsáveis por uma crise bancária que acometeu o país no ano passado, devido ao modo como divulgaram as notícias da situação econômica. ‘Não tenho certeza que o mundo seria outro se não tivéssemos dado a notícia’, defendeu-se Robert Peston, editor de economia da BBC, durante audiência esta semana. O Comitê investiga o contexto da crise no banco Northern Rock. Na semana passada, foram interrogados gerentes de fundos livres e, na próxima semana, será a vez dos executivos bancários.


A BBC deu o furo de que o Northern Rock teria recebido um empréstimo emergencial do Bank of England – o Banco Central do Reino Unido –, em setembro de 2007. No dia seguinte à divulgação da notícia, clientes fizeram fila nas agências do banco para retirar seu dinheiro. Na ocasião, alguns acionistas, políticos e até jornalistas acusaram Peston de ser parcialmente responsável pela primeira corrida a um banco britânico em 150 anos.


Modelo de negócios falido


Segundo os jornalistas que participaram da audiência, a culpada não foi a mídia, mas o modelo de negócios do Northern Rock, e ainda a falha do governo em garantir imediatamente todos os depósitos. Alex Brummer, editor financeiro do Daily Mail, reconheceu que a cobertura sobre o Northern Rock pode ter sido alarmista na época, porém não havia nada de errado com ela. O tom das matérias ‘pode ter deixado as pessoas inseguras sobre o que elas iriam fazer, mas, quando volto atrás, penso que Robert fez a todos um favor’, afirmou. Para o editor do Financial Times, Lionel Barber, a crise ocorreu por conta do cenário regulatório fraco e dos modelos de negócios dos bancos. ‘Não se deve ver a mídia como responsável’.


Simon Jenkins, colunista do Guardian, afirmou esta semana que muitos, na época, chegaram a desconfiar que funcionários do governo estariam vazando informações para que os preços das ações caíssem, com o conhecimento de que o governo iria em breve comprá-las para evitar o colapso bancário. Os jornalistas que testemunharam negaram, no entanto, a idéia de que foram manipulados e observaram que o governo pouco ou nada ganhou com a queda nos preços, na medida em que foi necessário mais investimento para salvar os bancos. Informações de Pan Pylas [AP, 4/2/09].

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