Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > THE WASHINGTON POST

Lições aprendidas com fontes anônimas

12/08/2008 na edição 498

Em sua coluna de domingo [10/8/08], a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, escreveu sobre a repercussão causada por uma citação do candidato presidencial democrata Barack Obama. No dia 29/7, Obama estava em um encontro fechado e teria dito – segundo uma fonte anônima presente no local – que a multidão que estava em Berlim, em julho, não estava lá apenas para escutá-lo, mas também porque ele se tornou um símbolo ‘da possibilidade dos EUA retornarem às melhores tradições’.

A frase veio por email, com base em notas tomadas por uma fonte confiável do repórter político Jonathan Weisman, que cobre há muito tempo o Congresso, e também do colunista Dana Milbank. Weisman estava em um avião, viajando com Obama, quando recebeu o email por meio de seu blackberry. Logo em seguida, a citação estava em um post do blog político do Post, o The Trail, que funciona como um diário da campanha. Ele mandou a informação via email para Milbank, ação comum entre repórteres do jornal, porque Weisman sabia que a frase tinha o perfil da coluna.

Cerca de 160 leitores e partidários reclamaram que a citação de Obama estava fora de contexto e que foi mal-interpretada. A maior parte das críticas foi direcionada a Milbank, que aproveitou a fala do candidato para usar como parte de sua coluna, claramente crítica ao candidato.

Fora de contexto

No dia seguinte à divulgação da citação, fãs de Obama e partidários escreveram para corrigir a frase. Segundo eles, o candidato teria dito: ‘Ficou claro para mim na viagem que a multidão e o entusiasmo de todos em Berlim não foram direcionados a mim. Foram direcionados aos EUA. Eu só me tornei um símbolo’. Como a citação não foi gravada, não havia como confirmar o que ele realmente falou e, portanto, os editores do Post se recusaram a publicar uma correção.

Milbank e Weisman não chegaram a ligar para a fonte, que não teve sua identidade revelada. A fonte costuma sempre contar aos repórteres o que acontece em encontros fechados e espera por anonimato. Na opinião de Deborah, o caso apresentou algumas lições: fontes anônimas só devem ser usadas em casos estritamente necessários – neste, em especial, não valeu a pena; se o repórter não estava no local, é difícil julgar o contexto.

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