Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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ENTRE ASPAS >

Lula acusa repórter de preconceito

02/12/2010 na edição 618


Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


 


PRESIDENTE


Lula acusa repórter de preconceito e o manda ‘se tratar’


Durante o fechamento simbólico da primeira de 14 comportas da Usina Hidrelétrica Estreito, no rio Tocantins, no Maranhão, o presidente Lula se irritou com uma pergunta sobre se agradeceria o apoio da ‘oligarquia Sarney’, acusando o repórter de ‘preconceito’.


Lula dividia o palanque com a governadora reeleita Roseana Sarney (PMDB) e seu marido, o empresário Jorge Murad, em cuja empresa a Polícia Federal encontrou, em 2002, R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo, cuja origem não foi identificada.


O presidente, durante seu discurso, voltou a mencionar um suposto golpe em curso contra seu governo, em 2005, na esteira das denúncias do mensalão, relatando uma conversa que teve com o senador José Sarney (PMDB).


Ele teria dito à época que era a ‘encarnação do povo’ e que seus adversários ‘não sabiam o que iria acontecer’ caso fosse dado ‘um passo além da institucionalidade’.


Após o evento, questionado por um repórter do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ se ‘agradeceria à oligarquia Sarney pelo apoio dado ao seu governo’, Lula se irritou, chamou a pergunta de preconceituosa, recomendou um tratamento de ‘psicanálise’ ao repórter e saiu em defesa da família Sarney.


‘Eu agradeço [aos Sarney] e a pergunta preconceituosa sua é grave para quem está há oito anos comigo em Brasília. Significa que você não evoluiu nada do ponto de vista do preconceito, que é uma doença’, disse Lula.


‘O presidente Sarney é o presidente do Senado. E o Sarney colaborou muito para que a institucionalidade fosse cumprida. Você devia se tratar, quem sabe fazer psicanálise, para diminuir um pouco esse preconceito’, concluiu.


 


 


VAZAMENTO


Elio Gaspari


WikiLeaks contra o Império


A DIPLOMACIA americana levará tempo para se recuperar da pancada que levou da WikiLeaks. Tudo indica que 250 mil documentos sigilosos foram copiados por um jovem soldado num CD enquanto fingia ouvir Lady Gaga, cantarolando ‘Telephone’: ‘Pare de ligar, eu não quero falar’. Um vexame para um país que gasta US$ 75 bilhões anuais num sistema de segurança que agrupa 1.200 repartições, contrata 2.000 empresas privadas e emprega mais de 1 milhão de pessoas, das quais 854 mil têm acesso a informações classificadas.


A WikiLeaks não obteve documentos que circulam nas camadas mais secretas da máquina, mas produziu aquilo que o historiador e jornalista Timothy Garton Ash classificou de ‘sonho dos pesquisadores, pesadelo para os diplomatas’. As mensagens mostram que mesmo coisas sabidas têm aspectos escandalosos.


A conexão corrupta e narcotraficante do governo do Afeganistão é velha como a Sé de Braga, mas ninguém imaginaria que o presidente Karzai chegasse a Washington com um assessor carregando US$ 52 milhões na bagagem. A falta de modos dos homens da Casa de Windsor é proverbial, mas o príncipe Edward dizendo bobagens para estranhos no Quirguistão incomodou a embaixadora americana.


O trabalho da WikiLeaks teve virtudes. Expôs a dimensão do perigo representado pelos estoques de urânio enriquecido nas mãos de governos e governantes instáveis. Se aos 68 anos o líbio Muammar Gaddafi faz-se escoltar por uma ‘voluptuosa’ ucraniana, parabéns. O perigo está na quantidade de material nuclear que ele guarda consigo. A revelação do interesse chinês na reunificação das Coreias chega a ser um fator de alívio.


Os seis telegramas relacionados com o Brasil já divulgados cumpriram uma escrita apontada domingo por Garton Ash. Revelaram a boa qualidade dos relatórios dos diplomatas americanos. Falta ver os 1.941 restantes. O embaixador Clifford Sobel narrou a inconfidência do ministro Nelson Jobim a respeito de um tumor na cabeça do presidente boliviano Evo Morales. Seu papel era comunicar. O de Jobim era não contar. Faz bem a Pindorama saber que seus sabiás gorjeiam impertinências.


A vergonha americana pede que se relembre o trabalho de 10 mil ingleses, entre eles alguns dos maiores matemáticos do século, que trabalharam em Bletchley Park durante a Segunda Guerra, quebrando os códigos alemães. O serviço dessa turma influenciou a ocasião do desembarque na Normandia e permitiu o êxito dos soviéticos na batalha de Kursk (o maior enfrentamento de blindados da história, apesar de haver gente acreditando que isso aconteceu no morro do Alemão).


Terminada a guerra, o primeiro-ministro Winston Churchill mandou destruir os equipamentos e apagar todos os vestígios da operação, mantendo o episódio sob um manto de segredo. Ele só foi quebrado, oficialmente, nos anos 70.


Com a palavra Catherine Caughey, que tinha 20 anos quando trabalhou em Bletchley Park: ‘Minha grande tristeza foi ver que meu amado marido morreu em 1975 sem saber o que eu fiz durante a guerra’. Alan Turing, um dos matemáticos do parque, matou-se em 1954, condenado pela Justiça por conta de sua homossexualidade, mas nunca falou do caso. (Ele comeu uma maçã envenenada. Conta a lenda que, em sua homenagem, esse é o símbolo da Apple.)


 


 


Fernando Rodrigues


WikiLeaks


Há alguns julgamentos apressados sobre o atual vazamento de documentos diplomáticos por meio da ONG WikiLeaks. Criou-se uma expectativa a respeito de escândalos com força para derrubar vários líderes mundiais.


Até agora, a divulgação de parte dos telegramas provocou constrangimentos, mas nenhuma queda de políticos. Criou-se uma miragem com cheiro de frustração.


Nas próximas semanas e meses, serão divulgados mais de 250 mil despachos da diplomacia dos EUA ao longo de várias décadas, sobretudo dos últimos dez anos. Pouquíssimo veio a público até agora.


Ontem, a jornalista Natalia Viana, responsável pela divulgação do WikiLeaks em português, escreveu: ‘Nas próximas semanas, [os documentos] vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo’.


É material explosivo, embora o mais relevante nesse vazamento seja a possibilidade de ler, em documentos oficiais, aquilo que muitos intuem a respeito de relações diplomáticas. A forma franca com a qual os governos tratam uns aos outros ajuda a compreender um pouco mais o processo de tomada de decisões dentro do poder.


Mesmo não resultando em políticos presos ou em um líder mundial deposto, os documentos divulgados pelo WikiLeaks já representam um avanço inaudito na transparência entre os países. Como escreveu o jornalista Timothy Garton Ash, é o sonho dos historiadores e o pesadelo dos diplomatas.


 


 


GOVERNO


Paulo Bernardo vai assumir as Comunicações


O atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vai assumir no próximo governo o Ministério das Comunicações.


A informação foi confirmada ontem por Dilma Rousseff, durante reunião com a cúpula do PMDB, da qual participaram o seu vice, Michel Temer, e os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL).


O destino de Bernardo, apontado para diversos cargos na Esplanada, dependia de uma negociação com o principal partido da aliança em torno de Dilma.


No encontro, a petista informou aos peemedebistas que os ministérios das Comunicações e da Integração Nacional deixarão de ser da cota da legenda.


A princípio não houve resistência, já que o PMDB espera ser recompensado com outras pastas de peso, como Cidades.


A ida de Bernardo para as Comunicações significará uma mudança radical na estrutura dos Correios, empresa vinculada ao ministério. Dilma quer substituir o presidente e diretores da estatal, alvo de diversos escândalos desde o primeiro mandato de Lula.


Hoje, o titular do ministério é José Artur Filardi, ex-chefe de gabinete de Hélio Costa (PMDB) -que deixou o cargo disputar o governo de Minas Gerais.


A presidente eleita sinalizou ainda a aliados que pretende devolver a Integração Nacional ao PSB.


Para o cargo, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) deseja indicar seu secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho.


O PT do Nordeste, que pede mais espaço no governo, também se interessa pela pasta. Ontem, os governadores Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE) levaram a insatisfação do grupo a Dilma.


No Pará, Lula foi irônico ao comentar a avaliação de continuísmo das nomeações de Dilma. ‘Ela indicou companheiros que foram ministros junto com ela. Você queria que ela convidasse o Serra para a Fazenda?’, questionou.


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também pode ser convidada a ficar no posto.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Juros e o maremoto


No topo das buscas de Brasil no Google News, com Reuters, ‘Próximo governo focará redução de juros’. A nova equipe decidiu fazer ‘grande esforço’ fiscal para derrubar as taxas, ‘temendo que, do contrário, será vítima de um maremoto de dinheiro’, citando a ‘flexibilização quantitativa’ nos EUA.


Em entrevista destacada em diversos despachos da Bloomberg, Guido Mantega afirmou que o ‘Brasil vai congelar US$ 12 bilhões para ajudar a derrubar taxa’. Os cortes incluiriam PAC e BNDES.


Antes, o ‘Financial Times’ postou que o ‘Ritmo da alta no crédito cria temor no Brasil’. Destaca, de um executivo financeiro: ‘O crescimento veio das classes C, D e E. Essas famílias não têm educação financeira e tomam crédito indiscriminadamente’.


Na capa, Assange ‘quer espalhar os seus segredos corporativos’. No destaque interno, é descrito como ‘o profeta de uma era de transparência involuntária para governos e empresas’


//OS PRÓXIMOS VAZAMENTOS


Na nova ‘Forbes’, o editor do WikiLeaks, Julian Assange, avisa que o próximo ‘megavazamento’ vai atingir ‘um grande banco dos EUA’. No final da tarde, a Reuters despachou que pode ser o Bank of America, citado por ele em entrevista à ‘Computerworld’. ‘Estamos sentados em 5 gigabytes do Bank of America, um disco rígido de executivo’, disse, há um ano.


Na longa entrevista à nova ‘Forbes’, que priorizou os futuros vazamentos corporativos e ecoou por ‘FT’ e outros, ele diz que divulga os documentos ‘no início do ano que vem’. Que eles mostram ‘como os bancos funcionam no nível executivo’ e devem levar a ‘investigações e reformas’.


Acrescentou que tem material sobre ‘espionagem industrial’ em tecnologia por um ‘grande governo’. Citou os EUA.


//ASSANGE VS. CLINTON


‘De algum lugar não revelado’, via Skype, Assange falou ontem à ‘Time’. No destaque, ele afirma que a secretária de Estado ‘deveria se demitir, se ficar demonstrado que ela foi responsável pela ordem, aos diplomatas americanos, de espionagem na ONU, em violação dos tratados assinados pelos EUA’.


Relata que o WikiLeaks têm processado ‘cerca de 80 documentos por dia’, mas ‘isso vai crescer gradualmente conforme entrarem outros parceiros de mídia’, pelo mundo.


O ‘Guardian’ noticiou que a Interpol colocou Assange em uma lista internacional de procurados. E que ele, segundo amigos, ‘estaria em algum lugar secreto perto de Londres, junto com outros hackers e aficcionados do WikiLeaks’. Seu estado de espírito, contam, está leve, alegre.


Sob ataque 1 A home do ‘Washington Post’ destacou que o procurador-geral Eric Holder abriu uma ‘investigação criminal’ de Assange, que pode levar a uma acusação de ‘espionagem’.


Sob ataque 2 Sites diversos destacaram a informação, dada pelo WikiLeaks no Twitter, de que seu site enfrentou um ataque de ‘10 gigabits por segundo’, mas se manteve no ar.


APOIO Na CNN e na BBC, Daniel Ellsberg, que vazou os Papéis do Pentágono em 1971, defendeu Assange. Diz que sofreu as mesmas críticas. ‘Silêncios e mentiras’, argumenta, é que arriscam vidas


//CHINA VS. WIKILEAKS


O ‘Guardian’ deu na manchete de papel, com WikiLeaks, que a ‘China ‘está pronta para abandonar Coreia do Norte’.


Ato contínuo, o site da ‘Computerworld’ noticiou ontem que a China havia bloqueado o acesso às páginas do WikiLeaks.


Na ‘Forbes’, Assange relata que chegou a contatar uma versão chinesa do Wiki Leaks, mas desistiu pois o grupo não tinha ‘segurança’ nem ‘reputação’.


//CHINA & BRASIL, EM CANCÚN


Sem permitir cobertura e agora acesso ao WikiLeaks, a China se volta a assuntos como a esvaziada conferência do clima em Cancún. O estatal ‘China Daily’ entrevistou ontem o diplomata brasileiro Luiz Figueiredo, que deu como ‘prioridade’ para os emergentes no encontro uma extensão do Protocolo de Kyoto.


‘GOOD NEWS’ A nova ‘Foreign Policy’ lista ‘As notícias que você perdeu’ no ano, como ‘o fim da política de uma criança’ na China. E a ‘Boa notícia da Amazônia’, da redução no desmatamento


 


 


AIDS


Elton John é editor convidado do jornal ‘The Independent’


O músico será o responsável pela edição de amanhã do diário britânico.


Segundo o ‘Guardian’, também do Reino Unido, John chamou personalidades como Bill Clinton e Elizabeth Taylor para participar da edição. O objetivo é chamar a atenção para o Dia Mundial contra a Aids. Em 2006, Bono Vox (U2) editou o jornal por um dia.


 


 


INTERNET


Facebook tem valor de mercado de US$ 50 bi, diz site


O site TechCrunch, especializado em tecnologia, calculou o valor com base no leilão de venda de ações que aconteceu na semana passada.


Na ocasião, foi comercializado 1,9 milhão de papéis a US$ 20,76. Como a companhia possui atualmente 2,5 bilhões de ações em circulação, valeria cerca de US$ 50 bilhões, ou 25% do Google, segundo o site.


 


 


Leila Coimbra e Andreza Matais


Telebrás adia o início do plano de banda larga


Sem dinheiro, a estatal Telebrás adiou ontem a sua meta de implantação do Plano Nacional de Banda Larga para abril de 2011.


A previsão era conectar as cem primeiras cidades à internet de alta velocidade neste mês de dezembro, mas a estatal está com o seu orçamento de R$ 1 bilhão congelado por falta de aprovação de projetos no Congresso.


Está à espera de votação um aporte para aumento de capital da empresa no valor de R$ 600 milhões neste ano.


Outros R$ 400 milhões referentes ao orçamento de 2011 da estatal também dependem de aprovação.


Além disso, o dinheiro que o governo tinha em 2010 para investir em operação do sistema de banda larga não foi todo gasto. Dos R$ 72,6 milhões, apenas R$ 24,151 milhões foram empenhados.


Na semana passada, a Telebrás realizou três pregões eletrônicos para a compra de equipamentos e serviços no valor total de R$ 349,7 milhões, mas teve que adiar o resultado do pregão por falta de dinheiro para as compras.


O presidente da estatal, Rogério Santanna, disse que, além da falta de verba, o plano sofreu atrasos por conta de dificuldades durante a licitação, além da falta de mão de obra devido à demora na transferência de empregados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para o quadro da estatal.


‘Em dezembro, vamos apenas iniciar o atendimento a essas cidades’, afirmou Santanna. As primeiras cidades atendidas serão as localizadas próximas a Brasília.


Na segunda etapa entram os municípios próximos aos anéis de fibra ótica do Sul e do Sudeste, além do Distrito Federal.


Há também dificuldades em conseguir o índice de nacionalização desejado pelo governo.


A medida provisória 495 determina a preferência para produtos manufaturados e serviços nacionais cujo processo de fabricação seja majoritariamente desenvolvido no país.


 


 


James Kanter e Eric Pfanner, New York Times, Bruxelas


Europa investigará se Google privilegia seus serviços em buscas


A principal agência antitruste da Europa iniciou ontem uma investigação sobre o Google, a fim de examinar alegações de que o gigante da internet havia abusado de sua posição dominante no mercado de buscas on-line.


A decisão se segue a queixas de companhias especializadas do ramo de buscas sobre ‘tratamento desfavorável de seus serviços nos resultados de busca não pagos e patrocinados do Google’, informou a Comissão Europeia em comunicado.


A comissão anunciou que averiguaria se o Google pode ter dado aos seus serviços ‘colocação preferencial’ nos resultados de busca.


Além desse serviço, o Google opera número crescente de outros negócios on-line, como mapas, tradução, vídeo e comércio, muitos dos quais, como o de buscas, são bancados por publicidade.


Os EUA já examinam aquisições e atividades do Google em busca de indicações de que abuso de poder de mercado, mas não abriram processos formais. O Google também enfrenta ações antitruste em Itália, Alemanha e França. E recebeu críticas em outras frentes, como a de proteção a direitos autorais, em diversos países europeus.


Em seu comunicado, a Comissão Europeia afirmou que não tinha ‘prova de violações’. A investigação surgiu das queixas de três empresas: Foundem, um serviço britânico de comparação de preços; Ciao, um serviço alemão de comparação de preços controlado pela Microsoft; e eJustice, um serviço francês de buscas jurídicas.


OUTRO LADO


Em nota, o Google afirmou que havia se esforçado para fazer ‘o certo’ para seus usuários e para o setor, como ‘garantir que os anúncios estejam sempre claramente identificados, facilitar que usuários e anunciantes possam levar seus dados com eles quando trocam de serviços, e investir pesadamente em projetos de fonte aberta’.


‘Mas sempre haverá como melhorar, e por isso trabalharemos com a comissão para resolver quaisquer preocupações’, acrescentou.


Tradução de PAULO MIGLIACCI


 


 


Fernanda Ezabella


Facebook e Google brigam por espaço


Uma batalha de Golias versus… Golias deu início após alguns anos de guerra fria no Vale do Silício, norte da Califórnia, onde se concentram as principais potências de tecnologia do mundo.


Em jogo, está a ‘portabilidade’ do perfil do internauta, chave para uma receita bilionária de publicidade.


Os gigantes em questão são o Google, líder das buscas que você faz na internet, e o Facebook, líder entre as redes sociais onde você coloca suas fotos, e-mail, cidade, preferência musical, amigos e ‘curte’ marcas como Coca-Cola e Havaianas.


Entre os feridos, até agora, só mesmo os usuários, bombardeados com propagandas que funcionam como mísseis teleguiados, baseadas nas preferências publicadas em sites de relacionamento.


Em agosto, o Facebook foi o site em que os americanos mais passaram tempo, na frente do Google, pela primeira vez.


A rede também foi líder de visualizações de propaganda no terceiro trimestre, com 23% do mercado, segundo a comScore.


No Brasil, apesar de o Orkut continuar sendo a rede social mais usada, com 36 milhões de visitas únicas em agosto, o Facebook cresceu de 1,5 milhão de visitantes para 9 milhões em um ano. No mundo, são mais de 500 milhões de usuários.


Todos os dados coletados pela empresa de Mark Zuckerberg, criada num dormitório de faculdade em 2004, por ali ficam, como uma mina de ouro, para uso do próprio internauta, seus amigos, publicitários e outros sites parceiros.


Cada vez mais, Zuckerberg tenta tornar públicos esses dados, a tal identidade on-line do internauta, que pode entrar em sites conectado simultaneamente ao Facebook e clicar em botões como ‘curtir’ ou ‘recomendar’, criando uma web dentro da web.


Porém a rede social sonega a portabilidade dessa identidade para sites rivais, como o Google. Você pode abrir uma conta no Facebook e importar todos os seus endereços de e-mail do Gmail, o e-mail do Google, para facilitar o encontro de amigos, mas não vice-versa -o Facebook não permite.


E foi aí que a batalha começou, em novembro. Primeiro, o gigante das buscas bloqueou a ferramenta que transferia os endereços do Gmail para a rede social.


‘Muitos sites permitem que seus usuários importem ou exportem suas informações, incluindo seus contatos, de forma rápida e fácil’, informou o Google via comunicado, ao anunciar o bloqueio. ‘Mas sites que não o fazem, como o Facebook, deixam o usuário num beco sem saída.’


Na sequência, a turma de Zuckerberg descobriu uma forma de driblar o cerco. O Google voltou atrás, liberou a importação, mas não sem deixar uma mensagem irônica ao usuário em busca da ferramenta, chamada ‘Trap My Contacts’ (jogue meus contatos numa armadilha), no qual afirma discordar da política de ‘protecionismo de dados’.


Para David Kirkpatrick, autor do livro ‘O Efeito Facebook’, uma espécie de biografia da empresa, ‘se a missão do Google é fazer buscas por toda a internet, e o Facebook está criando mais e mais uma internet por trás de cortinas, então o Google tem um problema crescente’.


De fato, o que falta ao império Google é uma rede social que vem há tempos sendo gestada, o famoso Google Me, segundo especuladores.


E poder carregar seus amigos de uma rede para outra, seria, sem dúvida, um desejo da dupla Page-Brin.


Para Kirkpatrick, ex-editor sênior de tecnologia da revista ‘Fortune’, além da receita publicitária, também está em jogo o futuro da ferramenta de buscas.


‘Ela vai evoluir para a busca social. E a Microsoft tem acesso aos dados do Facebook. Isso é uma grande vantagem estratégica, e o Google sabe disso.’


 


 


Luli Radfahrer


O ‘fim da web’ é relevante?


ESPECULA-SE MUITO hoje em dia sobre o fim da web, embora a questão seja de importância discutível. O nome WWW -sigla para ‘rede de alcance mundial’- sempre foi exagerado. A definição mais correta para ela seria a de um grande aplicativo, flexível, aberto e maleável, disponível pela rede, ao alcance de todos. A web não é nem nunca foi a internet, essa sim a grande revolução em tecnologias de comunicação que redefiniu boa parte dos processos do mundo atual, sem a qual seria dificílimo imaginar o cotidiano.


Nada disso. A tal ‘internet gráfica’ sempre foi, como o e-mail, mais uma dentre as várias funcionalidades da internet. Entre os especialistas, os dias dessas tecnologias, como os de tantas outras, sempre estiveram contados. O que poucos imaginavam é que seriam tão populares. Ou que durariam tanto. A web, afinal, sempre dependeu de computadores e browsers. À medida que surgem outros aparelhos e aplicativos, era natural que ela perdesse seu posto. Quem usa o Twitter a partir de seu BlackBerry ou manda e-mail a partir de um videogame usa informações da internet, sem passar pela web.


O fim da web, enfim, é tão relevante quanto o fim dos disquetes ou do PageMaker. O problema não está em sua morte, mas em quem vem para substituí-la. E talvez aí estejam motivos para preocupação.


A web sempre foi um ambiente criativo, libertário, aberto, flexível, quase hippie. O cenário on-line que se vê hoje é bastante diferente. Nos EUA (leia-se: você, amanhã) os 12 sites mais acessados são responsáveis por 75% do tráfego. Não são muito diferentes de canais de TV. Google, Twitter e Facebook -onde a maioria está quando diz estar ‘na internet’- são empresas privadas e podem ser bloqueadas ou mudar de regras a qualquer instante. Neles, como em boa maioria do resto que defende a independência de conteúdo, o que se discute é cada vez mais raso e simplório.


A web é só mais uma tecnologia. Não é panaceia nem seria capaz de melhorar a humanidade, pelo menos não em tão pouco tempo. Talvez ao expor publicamente o que tanta gente (não) tem a dizer, mostre que qualquer revolução que se pretenda duradoura precisa de alicerces profundos e evolução mais consistente. Para se progredir no digital, é fundamental aprender a questionar o humano.


 


 


TELEVISÃO


Elvira Lobato


Senado acelera projeto que libera TV a cabo para as teles


Cinco comissões do Senado fazem, hoje, audiência conjunta para discutir o projeto de lei que libera a atuação das companhias telefônicas no mercado de TV a cabo. É uma tentativa de aprovar o projeto antes do final do ano.


A pressa do Senado em votar a matéria encontra resistência das emissoras de TV, dos programadores de canais estrangeiros e de parte das operadoras de TV paga. Eles consideram que a discussão na Câmara não resolveu os pontos de conflito e que precisa ser aprofundada.


A legislação atual proíbe as teles de oferecer TV a cabo em suas áreas de concessão de telefonia fixa e exige controle de capital nacional nas operadoras. O novo projeto derruba as duas barreiras, mas cria um sistema de cotas para a proteção de canais e conteúdo nacionais.


Na audiência pública de hoje, serão ouvidos os presidentes de entidades representativas de cada setor envolvido. Na próxima semana, haverá uma segunda audiência e, em seguida, os relatores de cada comissão farão relatório único para ir a votação no plenário.


As companhias telefônicas querem que o projeto seja votado sem modificações, para não ter de voltar à Câmara, e que seja transformado em lei na atual legislatura.


PACOTES


O interesse delas é oferecer pacotes completos de serviços (telefone, acesso à internet e TV paga) em suas redes de cabo, enquanto o governo diz defender o aumento da concorrência.


A Anatel pavimentou o caminho para as teles entrarem no mercado de TV a cabo. O novo planejamento de outorgas de canais pagos, aprovado na semana passada, acaba com a venda de concessões em licitações públicas (as licenças custarão só R$ 9.000) e com o limite de operadores por cidade.


No mesmo sentido, a Anatel já tirou do contrato de concessão das teles fixas a cláusula que as proíbe de explorar TV a cabo. A abertura final está pendente, apenas, do Senado.


PRORROGAÇÃO


As redes de TV aberta querem prorrogar a discussão, movidas por vários motivos.


O SBT discorda de que os canais pagos possam veicular a mesma quantidade de propaganda dos canais abertos, como previsto no projeto. A Folha apurou que a emissora enviará carta aberta aos senadores alertando sobre os prejuízos dessa medida para as TVs abertas.


A Rede Bandeirantes tem uma motivação adicional. Em agosto, comprou 90% do capital da TV Cidade (que tem operações de TV paga em 16 cidades). O projeto de lei limita em 50% a participação de radiodifusores em empresas de distribuição de TV paga, o que obrigaria a Band a se desfazer de parte da empresa em curto prazo.


A Globo está preocupada com a interpretação do conceito de controle de capital e quer que fique claro no projeto de lei que ele se refere ao conceito de controle da Lei das Sociedades Anônimas.


A Lei das S.A. qualifica como controle a posse de mais de 50% das ações com direito a voto. Mas a resolução 101/ 99 da Anatel inclui outros critérios, como a capacidade de indicar conselheiros.


O senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), acionista da TV Bahia, afiliada da Globo, diz que senadores estão sendo usados para fazer o jogo das teles e do governo. ‘O projeto tramitou por quase sete anos na Câmara. É absurdo querer aprovar sem emendas. Estão atropelando o Senado.’


 


 


Keila Jimenez


RedeTV! chega à França já de olho nos EUA e no Japão


A Rede TV! dá hoje o primeiro de três passos internacionais. Em parceria com a operadora de TV francesa Orange, a emissora estreia hoje seu sinal na França, com a exibição de sua programação -em português e em tempo integral para Paris e outros territórios franceses.


De olho nos brasileiros que vivem fora do país, a França inaugura o projeto internacional da emissora. Em 2011, a RedeTV! quer lançar seu sinal nos EUA, mais precisamente na Flórida, partindo, em seguida, em busca de parceiros no Japão.


‘Foram dois anos de negociação e quase lançamos o canal nos EUA. Mas o negócio com a Orange andou rápido’, disse o presidente da Rede TV!, Amilcare Dallevo.


Com uma plataforma de 421 mil assinantes na região, a RedeTV! contará com concorrência dentro da própria Orange, que já exibe a programação da Record Internacional na França.


Segundo Dallevo, com exceção de séries americanas e campeonatos internacionais de futebol, toda a programação da Rede TV! será exibida na Orange.


‘Mais adiante criaremos uma atração voltada para os brasileiros que vivem na França’, conta Dallevo. ‘Vamos também legendar alguns programas em francês. O Brasil virou alvo, todo mundo está de olho aqui.’


PANDORA


Renata Castro Barbosa e Bruno Mazzeo se transformam em avatares no próximo episódio de ‘Junto e Misturado’ (Globo), que vai ao ar na noite de sexta-feira


Caveirão O filme ‘Tropa de Elite 2’ ganhará programetes neste mês no canal pago AXN. Em episódios do ‘AXN Flix’, que vão ao ar nos intervalos, o diretor José Padilha mostra os bastidores do longa e fala sobre a crítica social e o sucesso da saga.


Lento A volta do ‘Programa do Ratinho’ à faixa nobre, anteontem, rendeu 5 pontos de audiência ao SBT, apenas um ponto a mais do que registrava à tarde. O canal ficou em 3º lugar no horário (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande SP).


Jingle Aproveitando sua campanha de final de ano, com artistas da casa dando mensagens de paz, a TV Gazeta lança seu slogan: ‘Em 2011, conta com a gente!’.


Corte Com a saída de Fábio Assunção, a Globo não sabe o que fazer com as cenas gravadas em Florianópolis de ‘Insensato Coração’, próxima novela das 21h. As gravações na capital catarinense comprometem cerca de 60 capítulos da trama. Não podem ser totalmente cortadas. Também não há tempo hábil para regravar por lá com um outro ator. O folhetim estreia em janeiro.


Ponta Fugindo das novelas da Globo, Selton Mello gravou ontem participação no ‘Comédia MTV’.


Ao vivo Os shows de Amy Winehouse (em janeiro) e U2 (em abril) no Brasil já estão na mira do Multishow para transmissão na TV. O canal já garantiu em 2011 o Rock in Rio e o próximo festival SWU.


com SAMIA MAZZUCCO


 


 


Laura Mattos


‘Segredo de Gerson chocaria o público há 10 anos’, diz psicólogo


‘Era isso?!’, espantou-se um internauta quando Gerson (Marcello Antony) revelou ao psiquiatra ser viciado em pornografia, ‘sexo sujo’, gostar de ver homens transando em banheiro público e sentir ‘aquele cheiro’.


O tão aguardado capítulo de ‘Passione’ (Globo) de anteontem decepcionou telespectadores. Para o doutor em psicologia Jacob Pinheiro Goldberg, ‘as pessoas hoje aceitam mais a pornografia, são mais tolerantes com essas questões relacionadas ao sexo’. ‘Seria um escândalo há uns dez anos’, avalia.


Goldberg diz que a atração por sujeira é chamada de ripofilia e frisa que o fato de Gerson sentir prazer com sexo e escatologia ‘não é, em si, um problema’. ‘Uma pessoa pode fazer as mesmas coisas que ele e viver bem. O seu sofrimento com isso é que se torna uma neurose.’


Sua reação pode, para Goldberg, estar ligada a uma formação moralista. ‘Quem sabe ele tem um traço de Opus Dei.’ Pode ainda haver ‘desejo enrustido’ de participar da relação gay que vê.


Corredor de carros, Gerson é patrocinado pela Goodyear, que teve da Globo garantia de que o segredo não seria grave a ponto de prejudicar a marca. O capítulo manteve a média de ibope, com 38 pontos (2,28 milhões de domicílios na Grande SP).


 


 


OBAMA


Luciana Coelho


O jornalista e o presidente


No 20º andar do prédio envidraçado da Times Square onde trabalha, David Remnick suspira e jura que não vai fazer de novo.


Há dois anos, ele inventou para si a missão de escrever a biografia do presidente Barack Obama, ao mesmo tempo em que comandava a Redação da ‘New Yorker’, uma das revistas mais prestigiadas do país e semanal. Sem pedir licença.


O resultado de 16 meses extenuantes de trabalho é um estudo hiperdetalhado de 586 páginas (são 720 em português) sobre a vida do primeiro presidente negro dos EUA até o momento em que ele chegou ao poder, em janeiro de 2009.


Lançado em abril nos EUA e agora no Brasil, ‘A Ponte -Vida e Ascensão de Barack Obama’ é calcado em fatos e entrevistas.


Não bastassem as complicações inerentes à biografia de um filho de uma americana branca do interior e de um estudante de intercâmbio queniano e negro no início do movimento pelos direitos civis nos EUA, criado em Seattle, no Havaí e na Indonésia, o personagem é o presidente dos Estados Unidos.


‘Obama chegou ao cargo com 47 anos, tendo sido senador estadual e organizador comunitário e perdido uma eleição local. Aí, foi para o Senado [federal] americano, fez um discurso. E, quatro anos depois, virou presidente. Como? Quem é esse cara?’, afirma Remnick.


Pelo texto fluido e a pesquisa exaustiva do jornalista, descobre-se um Obama humano, com pequenezas e ambições distintas da figura sebastianista da campanha e mais próxima do homem que pena para tornar real, sob tormenta, as promessas feitas a um país enlevado pela esperança que viu nele.


Na obra, há simpatia pelo democrata (Remnick diz ser de centro-esquerda e aprovar o governo), mas nenhuma condescendência com lapsos ou distorções biográficas feitas pelo próprio.


O jornalista, que vê a questão racial como tema subjacente do livro, recebeu a Folha para uma conversa sobre o presidente americano.


Folha – O que o surpreendeu mais durante a pesquisa?


David Remnick – Muita, muita coisa. Sobre seus pais, a vida em Chicago. Não é que eu tenha descoberto algo enorme, mas milhares de detalhes me surpreenderam.


Você faz um retrato mais humano e menos etéreo da mãe de Obama, Ann Durham, que os da imprensa ou do filho.


É, a imagem de uma hippie de meia-idade, sonhadora. Na verdade, ela era uma mulher interessada em temas nos quais nem as pessoas na esquerda americana estavam interessadas, uma acadêmica séria e de certa forma uma feminista antes de haver o movimento feminista.


Obama parece ter herdado mais o temperamento dela que o do pai.


Eu acho. Tem um livro novo que coloca Obama como o produto do socialismo queniano do pai dele. Mas a personalidade do Obama é radicalmente diferente da do pai – alcoólatra, errático, gritalhão, carismático e fracassado. Obama está longe de ser um fracasso e longe de ser socialista. No contexto americano, ele é de centro-esqueda. Presidentes não se elegem sendo totalmente de esquerda neste país.


Democratas mais ao centro reclamam que ele forçou a barra para a esquerda com a reforma na saúde e que essa é uma das razões pelas quais ele está tendo problemas agora. O sr. não concorda?


Concordo, as pessoas têm problemas diferentes com Obama. Acho que ele conseguiu muito. Não tem opção fácil no Afeganistão e, sem pacote de estímulo econômico, as coisas estariam piores -um pacote maior não passaria. Já o avanço na saúde pode parecer pequeno, mas, para nós, é enorme.


A PONTE – VIDA E ASCENSÃO DE BARACK OBAMA


AUTOR David Remnick


TRADUÇÃO Celso Nogueira e Isa Mara Lando


EDITORA Companhia das Letras


QUANTO R$ 65 (736 págs.)


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


 


VAZAMENTO


Denise Chrispim Marin


EUA restringem acesso a rede de dados secretos


O governo americano identificou no SIPRNet, o sistema de troca de informações secretas entre os Departamentos de Estado e de Defesa, a fonte do vazamento dos 250 mil telegramas diplomáticos ao site Wikileaks e de dois episódios anteriores. No final da semana passada, alertado sobre a divulgação do material, o Departamento de Estado pediu à Casa Branca para desconectar-se temporariamente do SIPRNet, segundo a revista Time.


O sistema permitia o acesso de 2,5 milhões de funcionários civis e militares americanos a informações ‘secretas’ do governo. Essa é a classificação para o material com potencial de causar sério perigo à segurança nacional. A suspensão do uso do SIPRNet pela diplomacia americana não tem prazo para terminar.


Apesar do embaraço, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, defendeu a diplomacia americana. ‘Os governos lidam com os EUA porque é do interesse deles, não porque nos apreciem ou porque tenham confiança em nós, nem porque creiam que possamos guardar segredos’, disse Gates.


Ele também reduziu a importância das últimas revelações. ‘São embaraçosas? Sim. É delicado? É, mas as consequências para a política exterior são bastante modestas.’


O FBI, a polícia federal americana, trabalha na identificação do responsável pela divulgação dos documentos. Em conjunto com o Pentágono, o Departamento de Justiça conduz uma investigação criminal contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que pode ser acusado de violar a Lei de Espionagem, de 1917. O governo americano também pressiona outros países a mover processos judiciais contra o WikiLeaks.


O soldado Bradley Manning, de 23 anos, analista da área de inteligência do Exército, apontado como suspeito do vazamento de 92 mil documentos militares secretos para o WikiLeaks em julho vem sendo investigado há meses. Manning também teria passado para o mesmo site um vídeo que mostra o ataque feito por soldados americanos, que estavam em um helicóptero Apache, em Bagdá, no ano passado. O ataque resultou na morte de 12 civis iraquianos e de 2 jornalistas. Por sua função, Manning tinha acesso ao SIPRNet.


O acesso ao sistema tinha sido ampliado depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, como meio de facilitar o trabalho de inteligência. Nesse período, passou a ser usado por quase todas as embaixadas americanas. A tecnologia é similar à da internet, e as medidas de proteção são equivalentes às adotadas por empresas privadas, como o registro e aprovação dos usuários e a troca periódica das senhas. Mas, no SIPRNet, a conexão com a internet regular somente é permitida de houver aprovação superior.


O diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, Jacob Lew, instruiu os departamentos e agências do governo a restringir o acesso de seus funcionários às redes eletrônicas apenas ao nível necessário para a execução de suas tarefas. Também determinou a restrição do uso de CDs e pen drives.


 


 


INTERNET


Edna Simão


Plano de banda larga do governo fica para 2011


A internet rápida e mais barata vai demorar um pouco mais para chegar às 100 primeiras cidades contempladas pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O prazo para instalação da banda larga nessas localidades foi prorrogado de dezembro deste ano para abril de 2011.


Segundo o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, a prorrogação foi necessária porque não foram concluídas as licitações para contratação de empresas que asseguram o funcionamento da rede de fibra óptica – essencial para a prestação de serviços à população. A expectativa é de que todo esse processo seja finalizado até o dia 15 de dezembro.


Lançado em maio deste ano, o PNBL tem o objetivo de universalizar os serviços de internet rápida no País. O custo da tarifa deve ser de R$ 15 para o plano com incentivos, com velocidade de até 512 kbps (quilobits por segundo) e limitação de downloads; e de R$ 35 para o plano comum, com velocidade entre 512 e 784 kbps. Hoje, paga-se em média R$ 50 pela banda larga com velocidade de 256 kbps.


A meta do programa é atender 4.283 municípios até o final de 2014, beneficiando 162,8 milhões de pessoas. Santanna explicou que esse cronograma não será mudado por conta do atraso inicial. ‘Não significa alteração no cronograma de 2011. O que vai acontecer é que serão atendidas mais cidades no ano’, explicou o presidente da Telebrás. A meta para 2011 é de atender 1.063 municípios. Com a prorrogação de prazo, passarão a ser contemplados 1.163.


Campinas. Ele não descarta, porém, a possibilidade de fornecimento de internet rápida, antes de abril, para algumas cidades próximas ao Distrito Federal e no município de Campinas (SP). A Telebrás assinou ontem um termo de cooperação técnica com a Informática de Municípios Associados (IMA), que tem como sócio majoritário a prefeitura de Campinas, para fornecimento de banda larga para prédios públicos de interesse do governo federal. Essa parceria também pode acelerar a chegada da banda larga ao público de menor renda da cidade.


Mas não foi apenas a instalação da banda larga em 100 municípios que ficou para 2011. O 3.º Fórum Brasil Conectado mostrou que muitas ações estabelecidas para estimular a implementação do PNBL ficarão para o governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Dentre as ações previstas para estimular o fomento e o barateamento da banda larga nada foi feito no que diz respeito à isenção tributária.


Além disso, a criação de linhas de crédito para ajudar municípios e pequenas empresas a fomentar a banda larga do País não avançou: ainda depende de negociação com o Ministério da Fazenda e bancos públicos, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.


Outros atrasos. A situação é ainda mais grave quando se trata do novo Plano Geral de Metas de Universalização, o PGMU 3 – uma tarefa da Anatel. O plano, que enfrenta questionamentos judiciais, ainda precisa de aprovação do conselho diretor da Anatel, do Ministério das Comunicações e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor a partir do próximo ano. Apesar disso, o presidente da agência reguladora, Ronaldo Sardenberg, ressaltou que 50% das ações que deveriam ser realizadas pela agência reguladora no âmbito do PNBL neste ano estão ‘concluídas ou bem encaminhadas’.


O balanço apresentado no fórum mostra que muitas das ações iniciadas, porém, não tiveram desfecho. Para o coordenador de Programas de Inclusão Digital do Governo Federal, Cezar Alvarez, muitos podem dizer que não houve avanços entre a realização do 1.º e o 3.º fóruns. ‘Mas decretos, medidas provisórias não existiam há seis meses. O debate, por si só, já representaria um avanço’, frisou Alvarez.


PARA LEMBRAR


Governo queria plano para a eleição


O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) foi anunciado em maio deste ano, a poucos meses da eleição presidencial. Serviria para mostrar que o governo vinha fazendo algo para ampliar o acesso da população à internet rápida.


Cercada de polêmica, a volta da estatal Telebrás foi a principal medida do plano, que sofre acusações de ilegalidade. O SindiTelebrasil, sindicato das operadoras privadas de telecomunicações, resolveu ir à Justiça contra o decreto que trouxe de volta a Telebrás.


As empresas questionam a determinação de que a estatal seria responsável por operar os serviços de telecomunicações da administração pública e de estatais, sem a necessidade de licitação.


 


 


TELEVISÃO


Novela do SBT sobre ditadura quer ouvir Dilma


Se Dilma Rousseff aceitar gravar depoimento sobre a ditadura, sua fala fechará o 1º capítulo de Amor e Revolução, novela de Tiago Santiago para o SBT sobre a repressão no País. A ideia é encerrar cada capítulo com um depoimento. O ex-ministro Waldir Pires já topou dar palestra ao elenco e gravar testemunho – Franklin Martins, José Dirceu, Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, Alex Polari e Frei Betto serão convidados. ‘Vamos convidar gente que resistiu à ditadura e parentes de mortos e desaparecidos, como Rubens Paiva, Carlos Marighella e Carlos Lamarca’, diz o autor. ‘Do outro lado, Delfim Netto, generais e capitão Maurício também terão oportunidade de dar seu depoimento.’


Torcida civilizada F.C.


Bruno Mazzeo e Fábio Porchat debocham de Débora Lamm, avessa aos palavrões em estádio de futebol, no Junto e Misturado que a Globo exibe nesta sexta. Os rapazes ensaiam o que seria uma torcida de classe e ‘xingam’ o time de ‘bobo’ ou ‘chato’ quando não gostam da jogada.


9 de dezembro, 5ª feira, 21h45, vai ao ar a última edição do 15 Minutos na MTV Brasil. Marcelo Adnet se despede de sua sala para ganhar novo programa em 2011


‘Gerson revelou seu segredo mas não deu nenhuma dica de site de sacanagem maneiro!’ Do casseta Beto Silva, no Twitter, sobre um dos (ex) mistérios de Passione


José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, comemorou seus 75 anos entre Washington Olivetto, José Nêumanne Pinto, Nilton Travesso, Guga de Oliveira e o advogado Aranha Neto, entre outros.


Regada a vinhos de custo fora do alcance dos mortais, a festa do Boni começou como almoço, no ‘puxadinho’ reservado apenas a amigos de Toninho Buonerba, dono do restaurante Jardim Di Napoli, e estendeu-se até as 6 da tarde, anteontem


Rendeu 38 pontos de média na Grande São Paulo a revelação de que Gerson (Marcello Anthony) – é viciado em ‘sexo sujo’ em Passione, anteontem. Entre o total de aparelhos ligados 60% sintonizaram o capítulo.


Como parâmetro de que a realidade tem chocado mais que a ficção, o Jornal Nacional de quinta-feira, o Dia D no Rio, obteve 40 pontos de média na Grande SP.


Aliás, esta coluna patinou no crossmídia: o que se multiplicou por dez em função da cobertura no Rio foi o site, e não o canal da GloboNews, entre quinta e sexta-feira.


A pane no avião de Mr. Coppola (Francis Ford) acabou com os planos da produção do Jô para uma entrevista ao programa: ao reagendar seus compromissos no País, o cineasta não encontrou espaço para baixar em São Paulo.


Deborah Wood, que aparece amanhã no seriado Clandestinos, da Globo, como atriz que sonha em interpretar a mocinha e parar de fazer papel de gordinha hilária, já perdeu 40 quilos na vida real, desde a época das gravações.


A troca de Fábio Assunção por outro ator na próxima novela das 9 da Globo não implicará novas gravações em Florianópolis, onde ele já havia dado expediente. Fábio foi afastado da produção após faltar às gravações, assim como aconteceu com Ana Paula Arósio.


 


 


 


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