Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > UOL

Mara Gama

20/01/2009 na edição 521

‘O UOL lançou a área de notícias traduzidas com artigos do ‘The New York Times’ em abril de 1996, quando iniciou as atividades como portal. A seção é, portanto, dos mais tradicionais serviços oferecidos para os internautas.

Na semana passada, a página UOL Mídia Global deixou de existir. Desde setembro de 2001, ela reunia os textos traduzidos, que passaram a ser publicados agora apenas em UOL Notícias – Internacional, página que foi reorganizada recentemente, no dia 6 de janeiro.

Segundo a Redação, a mudança objetiva ‘uma navegação mais contextual, colocando em um mesmo ambiente textos de agências e de jornais internacionais’. A Redação informou que os links para UOL Mídia Global serão mantidos por um tempo, ‘até que os internautas se acostumem com a nova organização da informação’. A página tem mais espaço para chamadas editoriais e fotos.

Dá mais visibilidade aos artigos e temas variados. Segundo a Redação, ‘haverá aumento superior a 20% no volume de traduções. Até o fim do mês, será lançada uma área com colunistas do New York Times. Entre os nomes estão Noam Chomsky, Mikhail Gorbatchov e Umberto Eco’.

Apesar destas melhorias na aparência da página, leitores apontaram problemas graves de navegação na reformulação.

A internauta Maíra detalhou os pontos críticos:

‘O diferencial do UOL Mídia Global era uma combinação de conteúdo e formato. O grande diferencial era a seleção dos artigos e a formatação que permitia uma navegação em todos os jornais e por jornal. O formato anterior facilitava a busca, por mostrar as principais publicações à esquerda. Quando se clicava em uma publicação, o usuário tinha acesso a todas as notícias e artigos à direita -o que permitia abrir a notícia em outra aba. Assim, todos os dias se conseguia passar por todos os jornais internacionais e mapear os artigos interessantes por jornal e em todos os jornais’.

‘O box no meio é uma tentativa de fazer com que essa navegação ainda seja possível, mas não é tão bem-sucedido. Não é possível navegar em todos os jornais de uma só vez por abas. Tornou-se necessário ir e voltar para o site principal. Além do mais, aquele box está incompleto. No UOL Mídia Global tinha ‘Der Spiegel’ e ‘Prospect’. Agora nem consigo ver quais são todas as notícias dos dias do ‘Der Spiegel’ porque quando clico na notícia que está na capa não tenho a alternativa de saber quais outras matérias do ‘Der Spiegel’ foram traduzidas aquele dia. Mesmo quando clico na palavra ‘Der Spiegel’ acima do título da notícia, abre o site da notícia e não do ‘Der Spiegel’ com suas notícias elencadas por dia’, escreveu Maíra, que se definiu como usuária freqüente da página.

É verdade. Com a mudança do menu específico do lado esquerdo (veja página interna com o layout antigo, abaixo), várias publicações ficaram mais escondidas.

Um menu com jornais foi adicionado no canto inferior esquerdo da página, após o menu genérico da área de notícias.

Para ver as revistas, é necessário abrir outra aba.

Se não for por esta via, que considero sem destaque adequado, as publicações só são acessíveis através das caixas que se situam acima da listagem de notícias:

Dentro das páginas de texto também foram feitas modificações. O internauta José Luis escreveu: ‘Gostaria de saber a razão pela qual não há mais acesso direto aos sites dos jornais estrangeiros. Até recentemente,se podia acessar o site do jornal estrangeiro via link ao final da tradução. Gostaria de pelo menos ser avisado desta mudança. Esta facilidade era uma das grandes vantagens do UOL’.

Houve também críticas à falta de atualização de algumas publicações, como a Cox News Service, sem novidades desde outubro.

A Redação recebeu todas as críticas. Se comprometeu a analisar e buscar melhor forma de navegação para este conteúdo especial.

***

Pouso na água e resgate espetaculares (15/1/09)

De arrepiar o que aconteceu nesta quinta, 15 de janeiro.

As imagens de passageiros sobre as asas de um avião da companhia aérea americana US Airways que caíra nas águas do rio Hudson, em Nova York, nos Estados Unidos, e da manobra de embarcações de resgate foram impactantes.

Foi um salvamento vitorioso e espetacular. Todos os passageiros do vôo saíram do avião com vida, segundo o que se noticiou nos portais brasileiros a partir das 20h (horário de Brasília), com base nas declarações da FAA (Agência Federal de Aviação) e do porta-voz da empresa de aviação para redes de TV americanas e agências.

Os sites que contaram com fornecedores de vídeo e TVs ágeis se deram bem na cobertura. Imagens ao vivo montadas com imagens emocionantes de passageiros com coletes salva-vidas e o áudio de entrevistas telefônicas com especialistas em aviação foram bons diferenciais para manter presa a atenção do público, que esperava a confirmação do salvamento.

O UOL cobriu o assunto cuidadosamente, esperando até ter certeza que, entre suas fontes confiáveis, havia a confirmação de que todos os passageiros tinham sobrevivido à queda. Outros sites cravaram a manchete de que todos haviam sobrevivido antes do UOL.

A Redação divulgou suas ferramentas de participação do público e convidou os internautas a mandarem imagens para o ‘Você Manda’ e discutirem o tema no seu Grupo de Discussão.

A participação do público não elimina, porém, a necessidade de uma rede de informação ativa, azeitada e acionável.

Faltou reportagem. Independentemente do formato que seria escolhido para a publicação – áudio, vídeo ou texto- faltou mostrar ao público mais sobre a espetacular operação de resgate, o clima dos moradores da cidade, histórias de passageiros. Vida real.

O UOL ficou devendo neste primeiro dia. Pode recuperar valorizando bons relatos, mas deve se preparar para reagir mais rapidamente com reportagem quente quando os fatos pedirem.

Baratas

‘Dá para, por favor, tirar aquelas baratas horripilantes que ficam sobre o alimento na publicidade do repelente? O anúncio de muito mau gosto fica no UOL mail e me faz muito mal’, escreveu Norma, em mensagem para a ombudsman.

‘Horrível o anúncio de repelente eletrônico na página do UOL Mail – envio de e-mails. Ninguém quer ver baratas em sanduíche. De quem foi a idéia? Horripilante! O UOL deveria retirar o mais rápido possível. Suponho que outros assinantes já se manifestaram. Peço-lhes considerar’, escreveu Maria Carmen.

A leitora Elisa também manifestou sua aversão: ‘Estou satisfeita com o provedor e acho realmente que tem o melhor conteúdo da Internet. Venho, porém, fazer uma solicitação ou reclamação. Na página de web mail há uma propaganda de inseticida, de extremo mau gosto, onde baratas aparecem e se mexem. Isso mesmo, elas se mexem! Tenho pavor desses insetos, não posso nem ver fotos. Quando vou acessar o e-mail já sinto arrepios ao saber que tenho encontro marcado com aquelas anteninhas apavorantes. Sei que é um espaço comprado pelo anunciante, mas não dá pra jogar essas nojentas em outro lugar?’.

Fizeram coro a estas críticas os leitores Paulo, Renato, Solange, Mirian, Cati, Zilah, Alexandre, Andrea, Vera, Regina e outros mais, somando mais de 20 internautas que também inseriram seus comentários no Grupo de Discussão do web mail do UOL, entre os dias 8 e 11.

Todas as críticas foram encaminhadas à área de Publicidade do UOL, que analisou o caso e retirou o anúncio que tinha as tais baratas andando sobre a comida na noite de terça-feira, 13 de janeiro. A queixa foi em parte ouvida. Continuam no ar anúncios com baratas mais estilizadas.

Além da aversão pelas baratas, acho que as críticas mostram como a área de administração dos e-mails pessoais é importante e valorizada pelos internautas. Por isso mesmo, deve ser cuidada com redobrada atenção. Alterações drásticas e interferências invasivas devem ser evitadas.

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Temporada perigosa (14/1/09)

Começou a ser exibida no último dia 13 a nona temporada do programa Big Brother Brasil, na Rede Globo.

No UOL, um site especial já havia sido lançado no dia 8, com a lista dos participantes, enquetes, perfis, fotos.

O UOL tem feito a cobertura do programa desde a sua primeira edição. Desloca equipe para assistir ao programa e produzir relatos.

A audiência cresce e isso mostra que há interesse por parte dos internautas no assunto.

Mas é sempre uma temporada perigosa. A pobreza das conversas entre os ‘confinados’ tende a contaminar os textos de acompanhamento do programa.

Na tarde desta quarta, 14, o UOL deu chamada na home page para o seguinte texto: ‘Naiá e Norberto, os brothers mais velhos, têm comportamentos distintos’.

Para quem não sabe, Naiá e Norberto são os participantes do programa que têm mais de 60 anos.

Então, segundo este título, há notícia – e ela consegue até chegar à home page do portal – no fato de uma mulher de mais de 60 anos e um homem de mais de 60 anos terem comportamentos diferentes um do outro.

Acho que a Redação tem de ficar alerta para não se colar ao viés e à infantilização que o programa difunde.

Enviei minha crítica à Gerente Geral de Entretenimento, Manoela Pereira, que assim respondeu:

‘A presença de dois competidores sexagenários na casa do ‘Big Brother Brasil’ é uma das novidades desta edição.

O programa nunca havia selecionado competidores pertencentes a esta faixa etária, e a Redação achou relevante publicar uma nota para salientar o comportamento desses participantes. O erro, neste caso, foi ter caído em comparação.

O UOL considera a importância de não diferenciar os participantes mais velhos apenas porque eles são os mais velhos. Ou deveríamos fazer o mesmo com os mais jovens por serem os mais jovens. Não é o caso em nenhum caso.

A Redação foi alertada a evitar também o uso de termos desnecessários e pejorativos em relação a esses participantes, como ‘vovó’, ‘sessentona’ e ‘terceira idade’, só para citar os termos usados no texto específico.

Desde a cobertura da primeira edição do ‘Big Brother Brasil’, temos tido a preocupação de evitar olhares e impressões passionais, a fim de não publicar textos tendenciosos ou mesmo ‘comprar’ gratuitamente as tais ‘estratégias’ do jogo que a dinâmica desta atração propicia.

Também sempre foi uma premissa da cobertura do UOL que o conteúdo produzido sob a retranca ‘BBB’ atinja todo tipo de público, não apenas o espectador regular do ‘reality show’, de modo a publicar conteúdo com didatismo.’

Exageros permitidos

O UOL deu destaque na home page de UOL Estilo para o texto ‘Imprensa alemã reivindica paternidade do salame’.

A leitura do texto mostra que o título engana. Não há um movimento da imprensa alemã em defesa da tese da invenção do salame por parte dos alemães, como o título leva a crer. Trata-se de uma história até interessante sobre a história da alimentação, história esta que será usada por uma empresa alemã para lançar um novo produto.

Segundo o texto, o jornal ‘Die Welt’ publicou, em sua primeira página, no dia 13, um texto em que um açougue ‘da tradicional vila de Thandorf’ afirma que o salame foi inventando pelo povo lombardo, originário do leste da atual Alemanha, próximo da fronteira com a Polônia. ‘Os inventores do salame após migrar para a Hungria acabaram se fixando na região correspondente à atual região da Lombardia, na Itália’.

O próprío texto mostra que o mesmo açougue anunciou ter inventado uma nova linguiça, inspirada no salame antigo, e que quer se aproveitar da história para fazer marketing. Cito: ‘O produto será apresentado na próxima semana, no Salão da Agricultura de Berlim e terá um artigo publicado pelo ‘Die Welt’. Os açougues de Thandorf já asseguraram que se utilizarão do fato para fazer publicidade’.

A ombudsman comunicou a agência que produziu o texto sobre o problema do título enganoso, no fim da tarde desta quarta, 14. Alertou também a Redação. A chamada foi reduzida, mas continua lá, na home page de UOL Estilo. Não deveria. Não há justificativa para dar visibilidade a um texto que engana o leitor. É preciso corrigir o que está errado ou jogar fora o que não é de boa qualidade.’

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