Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > UOL

Mara Gama

22/12/2009 na edição 569

‘No dia 10, a ombudsman recebeu protestos de leitores sobre o enunciado de uma entrevista destacada na home page do portal no dia 25 de novembro.

`Jaques Wagner – Judeu, governador da BA aprova vinda de iraniano`

A entrevista concedida por Wagner (PT-BA), em vídeo, tinha um outro título na página interna.

`Ahmadinejad é desserviço à paz`

Parte das mensagens citava conteúdo publicado em página de um site que critica o UOL pela manchete.

Cito algumas mensagens que recebi:

`Senhores, estou chocada! Como é que deixam acontecer uma rata desse tamanho! Só pode ser um tremendo deslize, pois não acredito que sejam racistas e antissemitas! Mais cuidado, hein? Isso pega mal`, disse Lucila.

`Eu acho que um pedido de desculpas do UOL pelos erros cometidos seria o mínimo. Mas o importante também é saber se esse erro foi feito com má intenção ou foi somente incompetência de quem elaborou o texto. Aguardo seu julgamento em defesa dos leitores e usuários do UOL`, cobrou Luiz.

`Caro amigo, sou assinante deste site, e como tal me acho no direito de indagá-los. Por que a expressão `judeu` na chamada da matéria sobre a `aprovação` de Jaques Wagner à visita do sr. Ahmadinejad ao Brasil? Por acaso, vocês estão pensando em identificar as pessoas, a partir de agora, seguido de sua religião ou origem étnica? Caso pensem em fazê-lo, desde já, lhes peço que avisem. Não pretendo ‘patrocinar’ o racismo com minha assinatura`, disse David.

`Receba o meu protesto pela deselegante, preconceituosa e mentirosa manchete, veiculada na home page do UOL, sobre suposta `aprovação do judeu Jaques Wagner à visita de Ahmadinejad ao Brasil’. Com que intenção o jornalista, autor da manchete, enfatizou que o governador é judeu? É repugnante`, disse Martha.

Marcelo pondera:

`Partindo do princípio de que realmente Jaques Wagner tivesse aprovado a vinda do iraniano (o que veremos não ser verdade na sequência deste comentário), estaria correta esta chamada? Eu deixo bem explícita a pergunta: seria correta, ética esta chamada?

Explico. É óbvio que chamaria a atenção uma chamada destas (em sendo verdade). Um político judeu apoiando a vinda do presidente iraniano? Chama a atenção. Holofote. Mas é correto?

Alguém já viu chamadas ao estilo: Celso Pitta, afro-descendente, etc…, Lula, cristão, etc…, até mesmo, presidente Ahmadinejad do irã, muçulmano, etc…. Nunca vimos, não é verdade?

Então deve ser porque tem algo errado ai. Rotular Jaques Wagner de judeu, destacando sua religião, é discriminação, racismo e antissemitismo.

Afinal esta se entrevistando:

– Jaques Wagner, o governador? – Jaques Wagner, o politico? – Jaques Wagner, o membro do partido governista, o PT?

Ou um ‘judeu’?????

Se for o judeu Jaques Wagner, posso arranjar muitos outros judeus (a maioria por sinal) que são contra esta visita. Fato é que se tratou de apelação baixa, sensacionalismo ralé, que não condiz com um veículo do porte da UOL.

Agora, como se isso por si só não bastasse, adivinhem? A chamada da UOL é completamente errônea, porque é inversamente proporcional ao conteúdo da matéria: Jaques Wagner desaprova Ahmadinejad.

Vejam só:

Ahmadinejad é desserviço a paz: Cadê a aprovação????

É preciso dizer mais alguma coisa? Além de discriminatória, a manchete é errônea, e por consequência, mentirosa.

Um veículo como a UOL se transformando em imprensa marrom? Tem cabimento?`

****

Encaminhei as críticas à Redação, que admitiu que houve erro na chamada e publicou uma errata hoje.

A Redação não menciona o destaque dado à religião do governador

O erro de informação é tão grave que compromete a análise dos outros aspectos da questão. Mas acho importante tratar aqui neste espaço.

Não é mesmo comum que se aponte a religião de um entrevistado.

A não ser que este assunto seja pauta ou circunstância tratada na reportagem. No caso da entrevista de Jaques Wagner, a condição de judeu era fundamental para a entrevista e isto é mostrado de forma clara.

O entrevistador, jornalista Fernando Rodrigues, diz: `O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, esteve no Brasil. Ele, como se sabe, tem dito que o Holocausto jamais existiu e que o Estado de Israel será varrido do mapa em breve. O senhor é judeu, seus pais vieram ao Brasil fugindo da perseguição nazista na Polônia. O que o senhor acha? O presidente Lula deveria, da forma como recebeu tão amigavelmente, ter recebido o presidente do Irã no Brasil?`

Ao que Jaques Wagner responde que considera que o presidente do Irã presta um desserviço à causa dos palestinos e à causa do Oriente Médio. Wagner conta também que Lula pedira a ele, `único governador judeu do Brasil, que sou eu` que recebesse o presidente da Palestina.

Wagner foi entrevistado por ser governador, do partido governista (PT) e judeu.

A chamada discrimina o entrevistado. Ela de fato distingue a religião do governador.

Considero, no entanto, que o erro não está em atribuir a religião. O que mostra viés é a formulação que, em tom de denúncia, aponta uma imaginada contradição entre e religião e a posição política do governador, baseada, quem sabe, na idéia de que um judeu não poderia estar de acordo com a visita. Assim, os judeus pensariam todos de um jeito só.

Acho importante, portanto, ressaltar, que não está proibido mencionar a religião de alguém em título em toda e qualquer circunstância. O que não pode haver é preconceito, segregação e racismo.

O sangue de Berlusconi

Leitores enviaram mensagens para a ombudsman nesta segunda criticando a exibição continuada da foto do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, ferido e com sangue no rosto, após ter sido agredido durante um comício em Milão, na Itália, no domingo, 13.

`Passei o fim de semana vendo a foto do Berlusconi ensanguentado na 1ª pagina. Hoje, segunda-feira, continua. Ninguém merece.`, escreveu o leitor Naldinho.

`Por favor, poderiam retirar a fotografia do Berlusconi da página principal? Além de representar um jornalismo de péssima qualidade, a cena causa enjoo e não traz qualquer significado que possa contribuir para a formação do senso crítico no leitor. Parece que voltamos ao ‘Notícias Populares’, mas agora na versão da mídia hegemônica`, pediu Marcelo.

`Hoje ao acessar o site do UOL dei de cara com a foto do primeiro ministro da Itália sangrando. Acho uma falta de respeito ao assinante a colocação de alguém naquela situação. Afinal, acredito que não sejam favoráveis ao quanto mais sangue melhor`, ponderou Wenilton.

O assunto tem importância e acho correto que seja acompanhado. Mas, de fato, considero que a exibição continuada desta foto é apelativa e não traz informação.’

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