Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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MONITOR DA IMPRENSA >

Maré ética toma conta dos jornais

Por Edição de Leticia Nunes (com Dennis Barbosa) em 10/05/2005 na edição 328

Uma onda ética toma conta do jornalismo americano, afirma Howard Kurtz em artigo para o Washington Post [2/5/05]. Trapaças que há alguns anos teriam passado despercebidas, hoje levam seus autores a serem punidos. Apenas no mês passado, quatro repórteres de grandes jornais dos EUA foram demitidos e um colunista foi suspenso por problemas éticos. Os pecados cometidos por eles surgem de diversas maneiras: casos de informações inventadas, plágio e negligência têm destruído a reputação da mídia e, em conseqüência, provocaram a criação de uma política de tolerância zero no jornalismo americano.

‘Há pessoas em cargos importantes, respeitadas por seus colegas e leitores, que cometeram erros como estes há 30 anos e não tiveram suas carreiras arruinadas’, diz Daniel Okrent, ombudsman do New York Times. Para ele, a imprensa americana vive um clima de ‘hipersensibilidade’. Mas por que comportamentos aceitos há alguns anos são hoje inadmissíveis?

Eles estão de olho

Segundo Kurtz, a comunicação online possibilitou que fosse estabelecida uma corrente de pressão feita por observadores externos – blogueiros, em especial. ‘Na era da internet’, diz ele, ‘não há tapete para onde estes problemas possam ser varridos’.

Há 10 anos, conta Julia Wallace, editora do Atlanta Journal-Constitution, descobriu-se que um editor do Chicago Sun-Times havia plagiado um texto do Washington Post. Em vez de punido, o tal editor foi promovido posteriormente. Já no ano passado, um crítico foi demitido do Miami Herald depois de plagiar um trabalho que ele próprio havia feito para o San Francisco Chronicle. Em abril deste ano, o Los Angeles Times demitiu um jornalista depois da publicação de uma matéria cheia de erros factuais. O Boston Globe descartou uma repórter freelancer depois que ela escreveu uma matéria sobre um evento antes que ele acontecesse – para o azar da jornalista, o evento foi adiado. O Boston Herald desligou o colunista Charles Chieppo, que tinha contratos com o governador do Massachusetts e uma agência estatal.

Efeito Romenesko

Os casos de transgressões da ética jornalística são muitos, e repercutem na Rede. Okrent, que ganhou sua função no Times após o escândalo do repórter-plagiador Jayson Blair, cita o ‘Efeito Romenesko’, em referência à página de Jim Romenesko no sítio do Poynter Institute. Romenesko faz buscas na internet e publica informações sobre estes ‘pequenos pecados’ dos jornalistas. Sua página virou ponto de referência para profissionais de mídia nos EUA e, infelizmente para os ‘pecadores’, o que ele publica ganha destaque na imprensa nacional. Alguns destes transgressores de hoje ‘não seriam demitidos há cinco anos, pré-Romenesko’, diz Okrent. O trabalho deste observador da imprensa é simples (ele usa o sistema de busca do Google para encontrar os mau comportamentos jornalísticos), mas tem um grande impacto na mídia americana.

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