Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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ENTRE ASPAS >

Marina Silva diz apoiar controle social da imprensa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 18/06/2010 na edição 594


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 18 de junho de 2010


 


ELEIÇÃO


Marina apoia ‘controle social’ da imprensa


‘Em debate com estudantes da Universidade de Brasília, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, foi questionada sobre seu posicionamento a respeito do ‘monopólio dos meios de comunicação’, especialmente de rádios e televisões, e sobre ‘controle social’ da mídia.


A candidata respondeu que é preciso ter ‘cuidado para que essa ideia de controle não nos leve a qualquer tipo de aparelhamento que possa ser confundido com cerceamento da liberdade de expressão, com cerceamento da liberdade de informação que as pessoas devem ter’.


Marina disse ainda que ‘o controle social é uma conquista da sociedade brasileira que precisa ser aprofundada’. Segundo ela, o controle pressupõe ‘o acesso às informações para que a sociedade saiba em relação a que ela está se colocando’.


A Folha questionou Marina a respeito de uma eventual criação de um conselho nacional para jornalistas, tema de ampla polêmica no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A candidata disse que não defende sua concepção.


Marina afirmou que apoia, porém, o melhor funcionamento do conselho de comunicação que analisa, no âmbito do Congresso Nacional, as outorgas e concessões de rádios e televisões.’


 


 


João Carlos Magalhães e Márcio Falcão


Serra critica recusa de Dilma em ir a debates


‘José Serra, candidato do PSDB à Presidência de República, sugeriu ontem que Dilma Rousseff, candidata do PT, não comparece a debates por ter algo a esconder.


‘Você não acha estranho que ela deixe de debater? Não é esquisito se ela quer ser presidente? O que ela tem para esconder?’, questionou, em entrevista a emissoras de TV de Teresina (PI). Serra chamou a atitude de Dilma de ‘curiosíssima’.


Na semana passada, Dilma cancelou a presença em uma sabatina promovida pela Folha e pelo UOL, alegando conflitos na agenda. Ela está em viagem à Europa.


Serra negou que, caso eleito, pretende parar a obra de transposição do rio São Francisco. Ele disse que a informação provém de uma ‘indústria da mentira’ criada pelo governo Lula.


Serra disse que a escolha do vice em sua chapa não é problemática, e sim uma preocupação da imprensa. E minimizou a importância da definição: ‘A população não sabe que o Michel Temer [PMDB] é vice da Dilma.’


PTB TAMBÉM QUER


Depois do DEM, ontem foi a vez de o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmar que seu partido também está disposto a entrar na briga pela indicação do vice.


‘Não nos imporão vice do DEM. Vamos brigar pela vice de Serra. Temos nomes: Benito Gama, da Bahia’, afirmou no Twitter.


Além de tesoureiro do PTB, Gama é pré-candidato a deputado federal. No sábado, o partido realiza, em São Paulo, sua convenção para oficializar apoio ao tucano.’


 


 


Catia Seabra e Breno Costa


Na TV, Serra vira ‘Zé’ e fala em ampliar Bolsa Família


‘Exatamente um mês depois de acusar o PT de uso eleitoral do horário político por promover Dilma Rousseff, o PSDB repetiu a fórmula e dedicou ontem os dez minutos de seu programa partidário à candidatura de José Serra à Presidência.


Chamado de ‘Zé’ -numa clara tentativa de humanização-, Serra monopolizou o programa, fazendo até promessas de campanha.


A primeira fala de Serra foi uma ‘vacina’ ao discurso de que pretende acabar com os benefícios sociais se eleito: ‘O Bolsa Família deve ser ampliado, fortalecido’.


Ele também prometeu ampliar programas de saúde e o ensino profissionalizante. ‘Vamos juntos. O Brasil pode mais’, conclamou, usando o slogan de campanha.


Serra falou por três minutos e apareceu em imagens durante 5min45s. Mas seu nome e sua trajetória consumiram todo o tempo, incluindo 17 depoimentos elogiosos. ‘Espero que, quando ele for presidente, refaça isso [as AMEs] em todo o Brasil’, afirmou o eleitor identificado como Mário Franco Jr.


Serra evitou críticas duras ao governo Lula. ‘A saúde está ruim. A educação precisa melhorar muito. E a segurança, em muitos lugares, está péssima’, disse, sem nunca culpar o presidente.


Insistindo na estratégia de comparar biografias com Dilma, o programa martelou por quatro vezes a expressão ‘aprovado’ para se referir a Serra nos cargos que ocupou.


Numa tentativa de nacionalizar sua atuação e dissociá-lo de São Paulo, sua ação no Ministério da Saúde teve muito mais destaque que a como governador do Estado.


Apesar do risco de ações do PT, a Folha apurou que o PSDB avaliou que não poderia perder a oportunidade para tentar reverter o quadro de empate nas pesquisas.


‘ZÉ’ E AVÔ


Descrito como avô coruja, Serra apareceu com os olhos marejados ao falar da neta.


Além das cenas em família, o programa ressaltou a origem humilde de Serra, um ‘homem simples’, ‘filho de família pobre’ que ‘estudou em escola pública’.


Numa repetição da campanha de 2006, quando Alckmin virou ‘Geraldo’ também pelas mãos do jornalista Luiz González, Serra é chamado de ‘Zé’ e aparece bem-humorado: ‘Não consegui descobrir o genérico para a careca’, diz a eleitores.


Segundo tucanos, a incorporação do José ao nome de Serra irá acontecer durante a campanha.’


 


 


Mariana Barbosa


Só 23,3% se lembram de propagandas do governo, diz pesquisa


‘Apesar de o governo federal gastar mais de R$ 1 bilhão por ano com a veiculação de propaganda, apenas 23,2% da população se lembra espontaneamente de algum comercial governamental.


É por meio dos telejornais e dos jornais impressos que a população mais se informa sobre notícias relacionadas ao governo federal.


Os dados fazem parte de um estudo sobre hábitos de consumo de mídia encomendado pela Secom (Secretária de Comunicação Social da Presidência).


Os telejornais são de longe o meio mais importante para a formação de opinião da população sobre o governo federal: são os preferidos de 73,6% dos entrevistados.


Em segundo lugar, praticamente empatados, estão as conversas com amigos e parentes (12,9%) e os jornais impressos (12,7%). A internet vem em seguida, com 10%.


Entretanto, para a maioria da população (57,2%), assuntos de política ou de governo não entram nas conversas do cotidiano.


As notícias consideradas mais interessantes são ‘assuntos sociais’ (54,3%). Mas 52,1% também se interessam por notícias sobre programas e benefícios do governo. Os temas econômicos despertam mais interesse (47,8%) do que os políticos (32,5%).


A televisão e o rádio são de longe os meios de maior abrangência -96,6% dos entrevistados assistem televisão e 80% ouvem rádio.


Os jornais fazem parte do cotidiano de 46,1% dos entrevistados, mesmo índice obtido pela internet.


INTERNET E LAZER


Mas o principal interesse da população quando acessa a internet ou liga o rádio é o lazer. No caso da web, a preferência é pelo Orkut (65,4% dos entrevistados que costumam acessar a rede navegam pelo site de relacionamento). Mas o buscador Google é o site mais acessado, com 71,6%.


O rádio é mais usado para ouvir música. Quando querem buscar informação, as pessoas recorrem aos telejornais e aos jornais.


O estudo ouviu 12 mil pessoas, maiores de 16 anos, em 539 cidades de todo o país.’


 


 


TSE manda Google revelar responsável por blog pró-Serra


‘A ministra Nancy Andrighi, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que o Google Brasil revele em 24 horas, a partir do recebimento da informação, quem são os responsáveis pelo blog euqueroserra.blog spot.com, hospedado pela empresa.


A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral, que solicitou que o site seja retirado do ar, sob a alegação de que faz propaganda antecipada em favor de José Serra (PSDB).


O Google Brasil informou que, até o fechamento desta edição, não havia sido notificado e não se manifestaria.


No blog, Danillo Oliveira, que diz ser o criador do site, afirma que a coordenação de campanha de Serra não tem vínculo com a página.’


 


 


AFEGANISTÃO


Claudia Antunes


Anos JK em Cabul


‘Existe na imprensa a ideia de que a maioria dos leitores e espectadores não se interessa por política internacional devido à dificuldade -muitas vezes real- de aproximar processos no exterior de sua própria história.


Decorre daí que uma estratégia para chamar a atenção para acontecimentos longínquos seja acentuar as diferenças, sobretudo as culturais e religiosas. Uma série de best-sellers lançados após o 11 de Setembro deve o seu sucesso ao fascínio do estranhamento.


Esse sentimento é desafiado por fotografias que um afegão, Mohammad Qayoumi, presidente de um dos campi da Universidade da Califórnia, postou no site da ‘Foreign Policy’. As imagens, dos anos 50, retratam homens e mulheres juntos na Universidade de Cabul, moças numa loja de música, operários têxteis e uma hidrelétrica recém-construída -até hoje a maior obra do tipo no Afeganistão.


Como reconhece Qayoumi, as fotos não mostram a vida como ela era para a maioria -vêm de um de livro de propaganda do governo da época. Mas cenas semelhantes poderiam estar num volume sobre a classe média urbana dos anos JK.


Como aqui, no país da Ásia Central havia no período forte crença no progresso técnico, comum ao capitalismo ocidental e ao comunismo soviético, depois falido.


Os afegãos usavam a Guerra Fria para captar investimentos tanto dos EUA quanto dos vizinhos russos. Existia, como no Brasil, polarização entre conservadores e esquerdistas. Forças religiosas se aliavam a um ou a outro lado.


Aqui, as contradições do desenvolvimentismo e da rivalidade bipolar explodiram no golpe de 1964. Lá, na invasão soviética para sustentar os comunistas que tomaram o poder em 1978.


Pouco antes, os EUA começaram a apoiar os religiosos, que viriam a ser dominantes. Mas essa é a história a que assistimos agora.’


 


 


TELEVISÃO


Andréa Michael


Rio Filme vai dar R$ 6 milhões para financiar produção de TV


‘A Rio Filme vai lançar em julho o seu primeiro edital voltado para a produção de TV. Serão R$ 6 milhões para financiar dez pilotos de programas, roteiros e plano de negócios para ficção, animação e documentário, além projetos multiplataforma.


O anúncio foi feito pelo diretor-presidente da empresa, Sérgio Sá Leitão, que participou anteontem do 11º Fórum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, em São Paulo.


Ele fez parte do painel Conta Dividida, que discutiu formas de as emissoras utilizarem recursos incentivados. Também participaram Mário Diamante (Agência Nacional do Cinema) e Luciane Gorgulho (BNDES).


‘O Rio tem uma situação única, que favorece esse tipo de iniciativa, que é o alinhamento entre governos do Estado e federal’, diz Marco Altberg, presidente da ABPITV, a associação que congrega as produtoras independentes de TV. Altberg mediou o painel.


O edital será lançado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Rio e terá ainda linhas de financiamento para videogames.


Também no Forum, a Rio Filme, que pertence à prefeitura da capital fluminense, fechou contrato com a TV pública de Moçambique para a venda de filmes brasileiros. Tem 200 longas no catálogo.


Vuvuzela 1 Levantamento do Controle da Concorrência mostra que, no dia de estreia da seleção, o ‘Jornal Nacional’ (Globo) dedicou 80% do seu tempo à Copa: foram 28 de um total de 35 minutos de reportagens. Doze anunciantes usaram o tema.


Vuvuzela 2 A análise informa também que o ‘Jornal da Record’ naquele dia dedicou 40% do tempo ao mundial. É que a emissora não detém, como a Globo, os direitos de transmissão da competição. Cada um na sua.


Vuvuzela 3 Paulinho da Viola se apresentará no ‘Tá na Área África’ de domingo, às 14h. Ele participará do pré-jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, direto do estúdio do SporTV no Rio. Promete levar o violão para animar os telespectadores.


Parabéns 1 No ritmo da Copa, a Record está produzindo um especial de uma hora sobre o centenário do Corinthians, que acontece no dia 1º de setembro.


Parabéns 2 Na trajetória do time que tem uma das maiores torcidas do país, o filme mostrará ex-jogadores, ex-técnicos, ex-presidentes, os grandes adversários, as conquistas e derrotas. Depois será transformado em DVD.


Boteco A partir de segunda, o ‘Top Top’ (MTV) terá um novo formato. Segue com o padrão das listas, mas em referencial noticioso. Leo Madeira e Marina Person estarão sempre num bar para eleger os dez fatos e notícias mais bombásticos do mundo pop na última semana. Além de música, a atração falará sobre internet, cinema e fofoca.’


 


 


TECNOLOGIA


França investiga Google Street View


‘A agência de proteção de dados CNIL afirmou que está investigando as informações coletadas pelo serviço de mapeamento da empresa norte-americana para decidir se vai acusá-la criminalmente ou se vai pedir outro tipo de sanção. O serviço vem sendo criticado em vários países por ter recolhido dados pessoais de redes Wi-Fi (sem fio) sem proteção.’


 


 


SAÚDE


Redes sociais e sites devem fazer campanhas de doação de sangue


‘O periódico ‘Lancet’ afirma em editorial que é possível aumentar os estoques mundiais de sangue com a ajuda de sites e redes sociais como o Facebook e o Google.


O jornal convoca os médicos a encorajar os jovens a doar sangue por meio de campanhas no Facebook ou anúncios de agências nacionais de doação de sangue no Google.


A expectativa é que os jovens se tornem doadores habituais no futuro.


‘Se cada doador de sangue usasse seu mural de recados do Facebook para recrutar amigos… a diferença entre demanda e provisão poderia ser eliminada’, diz o editorial.’


 


 


Publicidade de fitoterápicos é suspensa


‘A Anvisa suspendeu anúncios dos produtos Harp 100 (Ervas Life Harp 100), do Kit Aveloz e da pomada Aveloz, que não têm registro.


O Harp 100 é anunciado para tratar artrite, artrose, reumatismo e dor na coluna. Os produtos de aveloz eram vendidos como tratamento para câncer e aids. A suspensão é por tempo indeterminado.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 18 de junho de 2010


 


ELEIÇÃO


Andrei Netto e João Domingos


Dilma olha vitrines, passeia por Paris e se irrita com repórteres


‘A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, reservou a parte da manhã da quinta-feira, 17, seu terceiro dia em Paris, para fazer um demorado passeio pela Avenida Champs Elysées, onde olhou vitrines das lojas mais famosas do mundo. Ao chegar à Galeria Arcades des Champs, entrou em uma farmácia e comprou uma escova de cabelos.


Dilma caminhou também pelos arredores do Arco do Triunfo, logo depois do fim da Champs Elysées, próximo a outras avenidas que confluem ali, como a Friedland e a Grande Armée. Ela vestia jeans e agasalho preto e calçava tênis branco. Em todos as aparições públicas da ex-ministra, ela exibiu um tipo de combinação de roupas diferentes.


À tarde, ao embarcar para Bruxelas, onde teve um encontro com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, usava um terno cinza, sapatos envernizados sem salto – os mesmos da visita ao Museu Jaquemart-André, na véspera – e lenço colorido.


Nos três dias em Paris, Dilma mostrou-se cada vez mais arredia com os jornalistas. Queixou-se com a assessoria, alegando que fica constrangida por ser seguida por todos os lados. Acha que isso incomoda as pessoas nas ruas.


Dessa forma, resolveu mudar a agenda e o itinerário, recusou-se a confirmar horários em que pegaria trens e aviões para Bruxelas, Madri e Lisboa e causou muita confusão na logística dos repórteres. Chegou a ser anunciado que ela anteciparia a viagem no trem-bala para Bruxelas, na quinta-feira, na tentativa de se livrar dos repórteres que haviam comprado passagem no horário informado por sua assessoria.


Dilma, no entanto, não conseguiu mudar os horários. Chegou à Estação Gare du Nord, de onde sai o trem-bala, meia hora antes do previsto. Reclamou do ‘assédio’ dos repórteres e disse que eles exigiam entrevista o dia todo, além de tumultuar suas visitas, como a do museu, na quarta-feira. Propôs dar uma entrevista por dia, sem tumultos.


No trem, ela e quatro assessores, além do secretário-geral do PT, José Eduardo Martins Cardozo, tomaram um vagão na segunda classe. Nos 20 minutos finais da viagem de uma hora e vinte e sete minutos, Dilma dormiu tranquilamente, sentada na última poltrona do vagão 25.


Ela lembrou que o projeto do trem-bala entre o Rio de Janeiro e Campinas está indo adiante e, pelas informações de que dispõe, a licitação aguarda apenas um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU).


No hotel em que Dilma ficou todos esses dias – o Champs Elysées Plaza –, um cinco estrelas em que as diárias variam de 390 a 2,2 mil, os repórteres foram proibidos de entrar.’


 


 


Rodrigo Alvares


Vice-procuradora eleitoral representa contra Serra e PSDB por propaganda antecipada


‘‘A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, propôs ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) duas representações por propaganda eleitoral antecipada contra José Serra, candidato à Presidência da República pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Numa das representações, ela pede a aplicação de multa de R$ 25 mil a Serra e ao Diretório Estadual do partido em São Paulo. Na outra, requer a multa, de mesmo valor, a Serra e ao Diretório Estadual do PSDB na Bahia. O valor corresponde à multa máxima determinada pela Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições) nos casos de propaganda eleitoral antecipada.


A vice-procuradora-geral eleitoral afirma que durante inserções de TV e rádio veiculadas em 29 de março deste ano, José Serra personificou e enalteceu suas supostas realizações quando exerceu o cargo de ministro da saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso e quando foi governador de São Paulo.


De acordo com a representante da Procuradoria Geral Eleitoral, Serra ‘não apenas divulgou a ação política que pretende desenvolver, mas, também, difundiu mensagem ao eleitor, no sentido de que, em face de seu ‘currículo’ político e como administrador público, seria a pessoa ideal para ocupar o cargo de presidente da República, por ele pleiteado’.


Sandra Cureau observa que o único integrante do partido que aparece e fala aos espectadores é Serra que, inclusive, adianta um possível slogan de campanha: ‘Vontade de fazer, experiência de vida e o Brasil no coração’. ‘É evidente, portanto, o caráter eleitoreiro das malsinadas inserções, pois não faria o menor sentido a divulgação, em pleno ano eleitoral, dos alegados feitos de José Serra no Governo Estadual de São Paulo e no Governo FHC, bem como de suas alegadas virtudes, que não o de realizar propaganda eleitoral extemporânea em seu favor’, complementa a vice-procuradora.


Além disso, Sandra Cureau assevera que o TSE vem reconhecendo a prática de propaganda irregular ainda que não haja pedido explícito de votos.


Bahia – Já no dia 19 de maio deste ano, o PSDB veiculou inserção partidária estadual na Bahia. Segundo Sandra Cureau, José Serra passou a mensagem de que é a pessoa ideal para ocupar o cargo de presidente da República. Isso porque, além de divulgar a ação política que pretende desenvolver, fez comentários sobre a segurança e a saúde públicas. E complementou que o País avançou, ‘mas ainda tem muita coisa a fazer’.


A vice-procuradora-geral eleitoral explica, ainda, que Serra e o PSDB tinham que ter aproveitado o espaço para difundir, entre outros assuntos, o programa partidário; transmitir mensagens aos filiados sobre a sua execução; os eventos com este relacionados e as atividades congressuais do partido. Sandra Cureau salienta que Serra foi o único integrante do PSDB que aparece e fala aos espectadores.


A vice-procuradora destaca, nas duas representações, que José Serra já era notório pré-candidato ao cargo de presidente da República e, atualmente, foi confirmado como candidato na convenção do partido realizada sábado passado.’’


 


 


INTERNET


Facebook: US$ 800 milhões em 2009


‘A performance financeira do Facebook é mais forte do que se imaginava. O explosivo crescimento no número de usuários e de anunciantes da rede social deram ao Facebook uma receita de Us$ 800 milhões, de acordo com duas fontes familiarizadas com a situação financeira do site.


A empresa também teve um sólido lucro líquido, na casa dos dez milhões de dólares, no último ano, disse uma das fontes consultadas pela Reuters.


O crescimento em lucro e receita demonstra como o Facebook está cada vez mais tirando dinheiro do seu serviço, com apenas 6 anos de existência, que é considerada a maior rede social do mundo, com quase meio bilhão de usuários.


Esse tipo de performance estimula o apetite de investidores entusiasmados por uma participação na empresa, apesar da insistência do Facebook de dizer que uma oferta de ações na bolsa não é uma prioridade no curto-prazo.


Criado por Mark Zuckerberg e seus amigos em um dormitório de Harvard em 2004, o Facebook é uma companhia privada e tem divulgado apenas informações limitadas sobre suas finanças.


Os resultados de 2009 são significativamente maiores do que alguns dentro do Facebook já haviam sugerido no ano passado, e também são maiores do que as estimativas de analistas.


Em julho do ano passado, o ex-membro do conselho da empresa Marc Andreessen disse à Reuters que o Facebook estava a caminho de superar uma receita de US$ 500 milhões ao fim do ano. E em setembro, o Facebook disse que o fluxo de caixa havia sido positivo, o que significava que a empresa estava gerando lucro suficiente para cobrir suas despesas.


Estimativas de diversos relatórios diziam que o Facebook teria uma receita entre US$ 550 milhões e US$ 700 milhões.


As duas fontes disserram, porém, que a receita em 2009 foi na verdade entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões.


‘Eles estão jogando para baixo sua performance’, disse uma fonte, acrescentando que em 2009 a receita foi mais do que o dobro do que no ano anterior. ‘Não há vantagens em criar altas expectativas nas pessoas, é sempre melhor trabalhar um valor menor’.


O Facebook se negou a comentar.’


 


 


Tatiana de Mello Dias


‘Lei de direitos autorais precisa tratar do P2P’


‘Começou nesta semana a consulta pública que definirá a reforma da Lei de Direitos Autorais (LDA) no País. Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (GPOPAI) é ativista pela cultura livre há tempos. Ele diz que a reforma proposta pelo MinC traz avanços importantes, mas a reforma ainda poderia ir além.


O processo do projeto foi satisfatório?


Eu acho que o processo demorou bastante, bem mais do que o previsto. Poderia ter sido concluído há um ano e meio. Agora a reforma está atropelando o calendário eleitoral e esse não é o melhor cenário (para aprová-la). No que diz respeito ao contorno geral do processo, são mudanças super positivas.


Alguns problemas não são fundamentais, mas é importante que sejam resolvidos, pelo menos nesse processo de consulta. Um deles é o prazo de duração do direito autoral, que vai permanecer 70 anos (pela proposta). Para gente isso é um absurdo. O direito internacional só obriga 50 anos, o que já é um limite alto. Não tem porque permanecer nesse nível. Do ponto de vista jurídico não há dificuldade de mudar isso.


Outro ponto, que aparentemente vão incluir, é a taxa para o xerox. A cópia de livros deveria ser fruto de uma limitação sem cobranças, porque é um setor muito sensível. O acesso aos livros é impossível para os nossos estudantes. E, do jeito como está sendo pensada, a taxa do xerox deve encarecer o orçamento dos estudantes a mais ou menos 60 reais por ano. É desnecessário. O direito internacional também permite uma limitação que os estudantes possam fazer cópias para fins educacionais, não-comericais, livremente. Esses são os dois principais pontos. De resto a reforma é muito positiva. Ela criminaliza o jabá e permite cópias para fins de preservação, permite mudança de formato.


As propostas apresentadas são atuais?


A reforma vai adiante no sentido de permitir mudança de formatos, o que é fundamental. É absurdo que eu não possa comprar legitimamente um DVD e copiá-lo. Nesse sentido é um avanço. Agora, ela não trata de uma questão difícil — e perde a oportunidade de tratar dela — que é a legalização do P2P (troca de arquivos na internet). Está na hora de aproveitar essa oportunidade para tentar encaixar um mecanismo que legalize o P2P e tire 70% dos usuários da internet da ilegalidade. Isso não está previsto nesse projeto de lei.


A reforma prevê um ‘fair use’, um uso amigável, para remix. Isso é um avanço?


A proposta tem as exceções e limitações sobre os usos livres que você pode fazer. E ela está introduzindo várias possiblidades de uso livre. Você vai poder ter reproduções (de vídeos e músicas) em sala de aula, que é um absurdo que hoje você não possa. Ela prevê uma série de outras circunstâncias que não estavam previstas, como preservação. A Cinemateca tem um filme dos anos 20. Se o dono não é localizado, em tese a Cinemateca tem de deixar o filme estragar. Agora vai haver um sistema para usar obras órfãs, que chegam a ser 70% dos casos. Nunca se sabe se (a obra) já é domínio público, e às vezes é tão arriscado usar que é melhor deixar de lado.


Alguma lei de direitos autorias pode servir como exemplo ideal?


O ideal é pegar um pedaço da lei de cada país. Hoje a mais avançada é a da Índia. A própria legislação americana é muito avançada. É um paradoxo porque os EUA têm internamente uma legislação que permite vários usos livres e externamente têm um mecanismo que impõe as piores leis de direito autoral na sua política de comércio exterior por meio dos tratados bilaterais. A Consumers International listou o Brasil como a sétima pior legislação no que diz respeito ao acesso à educação. Os países asiáticos estão bem colocados, como os EUA, mas eles têm pontos positivos diferentes. A estratégia seria compor os melhores pontos da nossa lei. Eu acho que a nossa nova lei, com as mudanças que vimos, é forte candidata ao primeiro lugar. Resolvendo alguns problemas, e principalmente resolvendo o problema do P2P, o Brasil vai liderar essa discussão no mundo.’


 


 


 


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O Globo


Sexta-feira, 18 de junho de 2010


 


FRANÇA


‘Monde’: grupo de telefonia quer fatia do Lagardère


‘O grupo francês Lagardère informou ontem que a operadora de celular Orange está interessada em sua fatia no jornal ‘Le Monde’. A notícia suscita temor de interferência do governo no jornal, pois Stéphane Richard — presidente da France Télécom, controladora da Orange — é amigo de Nicolas Sarkozy.


O site da revista ‘Le Point’ informou, citando fontes, que o Lagardère estaria pedindo C 40 milhões pelos 17,3% que tem no ‘Monde’ e por seus 34% no Monde Interactif, a divisão de internet do jornal. Mas, ainda segundo o site, a Orange só estaria disposta a pagar C 30 milhões.


O ‘Le Monde’, com dívidas de C 100 milhões, busca um sócio para se capitalizar. O grupo Lagardère já avisou que não quer participar da operação.


— Stéphane Richard é o único a ter uma abordagem pragmática na questão do ‘Monde’. Ele começou por verificar, junto a Arnaud Lagardère, se estávamos vendendo — disse um portavoz do grupo à agência Reuters, depois que a ‘Point’ divulgou o interesse da Orange.


O grupo foi fundado por JeanLuc Lagardère, que foi casado com a brasileira Bethy Lagardère, sendo hoje comandado por seu filho Arnaud. Seus negócios incluem a fabricante de aviões Airbus e a editora Hachette.


A France Télécom, que há duas semanas havia manifestado interesse em uma parceria com o ‘Monde’, não comentou o assunto’


 


 


ELEIÇÃO


Isabela Martin


Blogueiro Daniel se chama Dirceu


‘Servidor do governo do Ceará, Dirceu Bezerra, de 51 anos, confirmou ontem que é o idealizador do ‘blog da Dilma’ (www.dilma13.blogspot.com ). Dirceu identifica-se na página virtual como Daniel. Segundo ele, a troca ocorreu na infância, motivada pela origem judaica da família, e é dessa forma que é mais conhecido.


O blogueiro disse ter ficado assustado com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acha que está sendo vítima de censura. Ele nega que seja o único responsável pelo conteúdo, que disse contar com a colaboração de outras 150 pessoas.


Anteontem, o TSE deu prazo de 24 horas à Google Brasil Internet Ltda para fornecer a identificação completa dos responsáveis pelo conteúdo. O Ministério Público Eleitoral acusa o blog de fazer campanha antecipada para a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, e de fazer pedido expresso de ajuda financeira, fora do prazo.


Funcionário do departamento de gestão documental no Palácio de Iracema, Dirceu diz que é ‘fanático’ pelo presidente Lula e que o blog não está sob coordenação da campanha petista. Ele não é filiado ao PT. O servidor é proibido de acessar a página durante o expediente.


Segundo ele, em três meses, foram arrecadados pouco mais de R$ 4 mil, usados na compra de uma câmera filmadora, um notebook e um microfone.


Ontem, o Ministério Público Eleitoral apresentou mais uma ação cautelar no TSE pedindo para que a Google Brasil retire do ar sítio hospedado pela empresa que promove propaganda eleitoral antecipada em favor de Dilma. Desta vez, o blog questionado é o amigosdopresientelula.blogspot.com.’


 


 


Gerson Camarotti e Efrém Ribeiro


Programa do PSDB vira propaganda de Serra


‘Com um tom emotivo e um discurso leve, o PSDB usou ontem o programa partidário de dez minutos na televisão para humanizar o candidato tucano para a sucessão presidencial, José Serra. Como já fizera o PT com Dilma Rousseff, o PSDB usou todo o programa para fazer propaganda de Serra, em clara campanha antecipada.


O programa evitou ataques diretos à pré-candidata petista e fez apenas críticas sutis à situação do país em áreas como educação, saúde, segurança pública e combate às drogas. O tucano, única estrela do filme de dez minutos, foi apresentado no programa como ‘Zé Serra’ — que fez mais pela saúde e educação — marca que deve ser explorada na campanha tucana.


Logo na abertura do programa, Serra fez uma espécie de discurso preventivo contra ataques do PT e garantiu que ampliaria o Bolsa Família. O comando da campanha tucana identificou que os petistas estão usando esse argumento em discursos e entrevistas.


— O Bolsa Família deve ser ampliado e fortalecido. O ensino técnico, o ensino profissionalizante é fundamental no mundo de hoje. Quando digo que o Brasil pode mais, é porque pode mais. Agora, é preciso saber fazer daqui para frente. Eu acho que eu sei — afirmou Serra.


O lado familiar e a biografia do candidato foram apresentados na primeira parte do programa de dez minutos dirigido pelo marqueteiro Luiz Gonzalez. Serra aparece em cena reunido com sua família: a mulher, dois filhos e três netos. Numa das cenas, está abraçando a netinha: — Quando a tua netinha te liga — ela não me chama de vovô, mas de José — ‘José você não vem visitar!’, o que você fala? — disse Serra, se emocionando.


Ao ser apresentado como ‘Zé Serra’, um sujeito simples e de bem com a vida e com seu povo, o candidato tucano conhecido no mundo da política como um homem sério e sisudo, aparece fazendo piada com populares ao afirmar na rua que não consegue um genérico para tratar a sua careca.


Num outro momento do programa, Serra tem um encontro em Curitiba com ‘Seu Maneco’, que foi curado há dez anos depois de ser atendido num mutirão de cirurgia do câncer de próstata. Há grande destaque no programa para as realizações de Serra como ministro da Saúde e governador.


E muitos populares elogiando suas gestões.


Em Teresina ontem, Serra declarou que programas sociais como o Bolsa Família foram criados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, e que o presidente Lula apenas batizou de Bolsa Família.


— Esse nome Bolsa Família foi colocado pelo presidente Lula, mas esses programas sociais foram criados através do governo de Fernando Henrique.


O Lula chegou e botou o nome Bolsa Família.


Serra disse ainda achar ‘curioso, curiosíssimo’, que Dilma não participe de debates eleitorais. Ele declarou que ‘parece ter algo a esconder’.


— Dilma está se recusando a participar dos debates. É muito estranho que ela não esteja participando dos debates até aqui realizados. Eu acho que chega a ser até curioso, curiosíssimo, ela até parece ter algo a esconder — disse Serra, pouco antes de ministrar palestra a jovens empresários do Piauí’


 


 


 


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