Domingo, 13 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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Moradores de cidade nos EUA faturam com entrevistas

02/09/2009 na edição 553

A rua na cidade de Antioch, na Califórnia, onde Jaycee Lee Dugard viveu em cativeiro por 18 anos após ter sido sequestrada por Phillip e Nancy Garrido, está tomada por equipes de mídia. Desde que a menina – hoje com 29 anos – desaparecida desde 1991 identificou-se em uma delegacia, na semana passada, os moradores passaram a conviver com caminhões de satélite para transmissão ao vivo e cinegrafistas e fotógrafos de plantão, tentando obter depoimentos de vizinhos. Mas o ‘circo’ da mídia acabou se transformando em um verdadeiro mercado por informações.


Damon Robinson é um dos vizinhos do casal Garrido, acusado de manter Jaycee – e as duas filhas que ela teve com Phillip – em abrigos improvisados no jardim aos fundos da casa. Nos primeiros dias de cobertura, Robinson foi bastante acessível aos repórteres de veículos como CNN e Associated Press, contando sobre os anos em que viveu ao lado da família. Em uma destas conversas, cercado de jornalistas, Robinson contava que, certa vez, sua namorada telefonou para a polícia para falar sobre suas suspeitas de que algo estava errado na casa ao lado. No meio do relato, um repórter britânico abriu caminho e falou a Robinson que, se parasse de falar com os outros jornalistas naquele momento e lhe desse uma entrevista exclusiva, receberia um cheque de US$ 2 mil ali, na hora. O vizinho aceitou o acordo, e fechou a boca.


Desde então, esta tem sido a rotina da vizinhança dos Garrido. Jornalistas – americanos e estrangeiros – passaram a oferecer milhares de dólares por informações e fotos dos sequestradores de Jaycee. Em meio à crise econômica no país, o dinheiro é tentador.


Quer pagar quanto?


A princípio, Manuel Garrido, pai de Philip, falou de graça com a mídia sobre o passado de seu filho. Agora, quer receber para dar entrevistas. ‘Não dou mais informações de graça. Todos os outros estão recebendo’, afirmou o homem de 88 anos que já recebeu US$ 2 mil por uma exclusiva. ‘De agora em diante, só aceito [falar] se for mais do que este valor’.


Marc Lister, que conheceu Phillip, vendeu um de seus cartões de visita com uma foto de Jaycee por US$ 10 mil. E justificou sua atitude: sua mãe, que morreu em 2000, ajudou mulheres violentadas por anos em sua casa e agora ele planeja usar o dinheiro para ajudar a causa. ‘Não me sinto culpado por cobrar pela informação, pois isso irá beneficiar outros. Eu tenho moral. Isto deixaria minha mãe feliz’, declarou. Já Cheyvonne Molino não vendeu as fotos das filhas de Phillip, mas as teve ‘roubadas’ em sua página no site social Facebook. Ambas tinham ido à festa de sua filha no mês passado. Seu telefone agora não pára de tocar, com repórteres querendo mais fotos e dispostos a pagar por elas. ‘Sou cristã. Esta é a vida de outras pessoas, não posso vender’, recusou Cheyvonne. Informações de Molly Hennessy-Fiske, Maria L. LaGanga e My-Thuan Tran [Los Angeles Times, 1/9/09].

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