Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 1/2

Morre o crítico literário Wilson Martins

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 03/02/2010 na edição 575


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


 


LITERATURA


Crítico Wilson Martins morre, em Curitiba, aos 88 anos


‘O crítico literário paulista Wilson Martins morreu anteontem, aos 88 anos.


O escritor estava radicado em Curitiba e morreu em razão de complicações cirúrgicas no hospital Nossa Senhora das Graças, onde estava internado desde o último dia 20, após fazer uma operação para extrair a bexiga em virtude de um câncer.


O corpo será cremado hoje em cerimônia reservada.


Nascido em São Paulo, em 1921, Martins teve uma carreira acadêmica nos EUA, lecionando na Universidade de Nova York por 26 anos, até se aposentar, em 1992.


Entre seus livros mais famosos, estão os volumes de ‘História da Inteligência Brasileira’, que lhe renderam dois Prêmios Jabuti. Também foi agraciado pela Academia Brasileira de Letras com um prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra em 2002.


Outras obras incluem ‘A Ideia Modernista’, que faz um balanço da Semana de Arte Moderna de 1922, ‘A Crítica Literária no Brasil’ e ‘A Palavra Escrita’.


Em 2006, lançou ‘O Ano Literário’ (ed. Topbooks), em que reúne textos publicados entre 2000 e 2001 em jornais como ‘O Globo’, do Rio, e ‘Gazeta do Povo’, de Curitiba, onde atuou como crítico literário.


Um dos grandes nomes do gênero ainda em atividade, também colaborou na revista ‘Joaquim’, criada em 1946 por Dalton Trevisan e reeditada em 2001.’


 


 


Álvaro Pereira Júnior


‘O Apanhador…’ e a morte de Lennon


‘Não concordo com o chavão inglês ‘ignorance is bliss’, algo como ‘a ignorância é uma beleza’. Assim, com nenhum orgulho revelo: li ‘O Apanhador no Campo de Centeio’ aos 17 anos, e o romance me deixou impressão zero. Só me lembro do nome do tradutor, Jorio Dauster, que depois se tornaria um conhecido diplomata. Da história, não faço ideia.


Leio no ‘New York Times’ um epitáfio elogioso de JD Salinger, autor de ‘O Apanhador…’, morto na semana passada, aos 91 anos. O texto é de Michiko Kakutani, que já começa arrepiando: ‘O que realmente arrebatava os leitores em ‘O Apanhador’ era a voz maravilhosamente urgente que Salinger moldou para Holden Caulfield -uma voz que permitiu a Salinger incorporar os pensamentos e ansiedades e frustrações de um rejeitado de 16 anos; uma voz que, ceticamente, avaliava o mundo e denunciava os falsos e hipócritas e chatos’.


Como escreve bem essa mulher (Holden Caulfield é o protagonista da parada).


Talvez o que tenha me afastado de ‘O Apanhador…’ seja o culto intenso em torno do livro. Com 17 anos, espírito de porco, devo ter lido ‘O Apanhador…’ para não gostar. O romance é o maior destaque da obra de Salinger, recluso e improdutivo. A personalidade amalucada só fez aumentar a veneração em torno dele.


Não há como não lembrar de ‘Juliet, Naked’, o livro mais recente de Nick Hornby, em que manés reúnem-se em um site para adorar o cantor Tucker Crowe. O fictício Crowe é tipo Salinger: lançou poucos discos, sumiu, virou objeto de culto.


Só para constar: Mark Chapman, o assassino de John Lennon, era fanático por Holden Caufield. Ao fuzilar o beatle, Chapman trazia o romance consigo. Depois dos tiros, alucinado, enfiou a cabeça no livro aberto. Queria literalmente entrar no ‘Apanhador…’ para escapar da polícia. Dessa história eu me lembro.’


 


 


ELEIÇÕES


Raphael Gomide


Políticos antecipam campanha em blogs


‘As eleições são só em outubro, mas no Rio os pré-candidatos já usam diferentes ferramentas da internet para tentar influenciar a opinião pública e antecipar temas da campanha. Mais do que se promover, os postulantes ao Executivo usam a internet para atacar os adversários. O alvo principal é o governador Sérgio Cabral (PMDB), líder nas pesquisas.


Cabral apanha de todo lado: do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), do deputado federal Fernando Gabeira (PV) e até do ex-prefeito Cesar Maia, pré-candidato do DEM ao Senado, que apoia o verde.


Garotinho armou uma guerra de guerrilha contra o hoje arquirrival, em seu portal, com chamadas para colunistas aliados que se dedicam a criticar o governo. Usa na rede o deputado federal Geraldo Pudim (PMDB-RJ) e Fernando Peregrino, seu ex-secretário de Estado, entre outros.


De 15 notas na página inicial do blog na semana passada, 9 eram sobre Cabral e 3 sobre o prefeito Eduardo Paes, todas negativas. Fotos se alternavam com títulos como: ‘Caos no Metrô: Trens calorentos, superlotados e solução só em 2011 -Povo reclama. Mas Cabral prorrogou concessão até 2038’ e ‘Escândalo: Cabral vai torrar R$ 180 milhões em propaganda este ano. Aumento de 80%’.


Gabeira postou em seu canal no YouTube animação com um mapa-múndi em que mostra ponto a ponto o roteiro de países para os quais Cabral viajou. Garotinho reproduziu o vídeo.


A Folha mostrou que o governador passou mais de cinco meses (158 dias) de três anos em viagens internacionais.


Uma seta vermelha aponta o percurso saindo do Brasil e passando por países como Portugal, Inglaterra, Dinamarca, Alemanha e França, enquanto um contador abaixo da tela roda rapidamente, com o número de dias do mandato no exterior.


O coordenador de propaganda do TRE-RJ, Luiz Márcio Pereira, disse que os blogs não são propaganda política eleitoral extemporânea, a não ser que peçam votos ou exponham plataformas antes de 6 de julho.


Ele ressalva, porém, que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avalia que, quando alguém se compara a outro, faz pedido implícito de voto. A multa varia de R$ 5.000 a R$ 25.000.


Um dos pioneiros no uso de ferramentas da internet, Cesar Maia tem uma newsletter para 37.000 cadastrados e perfil no Twitter há um ano. Ele considera que o impacto desses blogs na opinião pública e em votos é ‘imprevisível’.


‘Mas ninguém se elege com blog. Exageram muito para vender este tal marketing de guerrilha’, diz o ex-prefeito.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


China vs. EUA


‘Manchete do ‘China Daily’, ‘Ministro do exterior cobra que EUA parem de vender armas a Taiwan’. Diz que o negócio ‘fere a segurança nacional da China e os esforços de reunificação pacífica’ com Taiwan.


No também chinês ‘Global Times’, ‘China suspende as visitas militares com os EUA’. O ministério da defesa fala em ‘dano severo’ e ‘indignação’.


Ainda no ‘China Daily’, o artigo ‘Responda quando atacado’ descreve o negócio como ‘despertador’ para o país, que ‘não pode ignorar os valentões’ [bullies]. ‘A China ainda é fraca, econômica e militarmente, comparada aos EUA. Mas uma mensagem tem que ser enviada: De agora em diante, os EUA não devem esperar cooperação da China num amplo espectro de questões regionais e internacionais.’


Foi manchete on-line no ‘Financial Times’, ‘China ameaça EUA’, e no ‘New York Times’.


De Davos, no ‘Wall Street Journal’, a consultoria Eurasia Group avisou que o confronto ‘só vai piorar’ e que os perdedores serão as empresas americanas. ‘Os vencedores serão o Brasil, a potência emergente da América do Sul, e a Índia.’


OUTRO MUNDO


A ‘Newsweek’ dá longo artigo de Nader Mousavizadeh, do londrino International Institute for Strategic Studies, avisando que ‘o mundo que criou o ‘eixo do mal’ acabou, quanto mais cedo Washington reconhecer, melhor’. Diz que ‘Brasil, Turquia, Rússia, China: nenhum faz segredo da resistência à diplomacia americana anti-’rogue states’. Resistem à escalada contra o Irã.


Na sexta, o Departamento de Estado dos EUA cobrou sanções da China contra o Irã. E ontem o Departamento de Defesa, destaque no ‘New York Times’, já começou a posicionar mísseis no golfo, diante do Irã.


CONSENSO DE PEQUIM


De Davos, Thomas L. Friedman, ontem no ‘NYT’, sob o título ‘Nunca ouvi isso antes’, relata que a ‘instabilidade política’ dos EUA foi tema recorrente no Fórum. E cita ‘outra frase que nunca ouvi antes: o Consenso de Pequim está substituindo o Consenso de Washington?’. Em suma, a estabilidade ‘confúcio-comunista’ já seria vista como alternativa. Friedman acha que não. E que o problema é a divisão partidária em Washington.


RECESSÃO HUMANA


Sob o título ‘Mercados emergentes tomaram o palco central em Davos’, o ‘WSJ’ resumiu o evento opondo as perspectivas divergentes de EUA e Brasil -expressas por Lawrence Summers e por Guido Mantega.


O conselheiro de Obama vê ‘recuperação estatística, mas recessão humana’ nos EUA. O segundo ‘desenhou um dos melhores cenários’ e afirmou que ‘o crescimento já está forte o bastante para retirar parte do estímulo’.


NÃO É O ÚNICO


A ‘Economist’ antevê, para a semana, uma operação de ‘resgate’ [bail-out] da Grécia pela União Europeia. E ‘não é o único país da eurozona com finanças cambaleantes’.


POR OUTRO LADO


No canal CNBC, no final da semana, o chefe da OCDE, o ‘clube dos ricos’, declarou que ‘há risco de uma bolha de papéis em lugares como o Brasil ou a Índia e temos que ser cuidadosos’. Insistiu que ‘é uma ameaça real’.


SEQUESTRO DE CRIANÇAS


Por aqui, foi manchete no site da Reuters Brasil, mas mal noticiado por outros, ‘Haiti prende norte-americanos que deixavam o país com crianças’. Os dez americanos tentavam sair do país com 33 crianças e são ‘suspeitos de participar de esquema ilegal de doações’.


Nos EUA, Drudge Report e Huffington Post postaram a notícia no alto das páginas iniciais, com agências. Mas o ‘NYT’ também mal registrou.


‘AMAZONGATE’


O conflito entre ‘céticos’ do aquecimento global e seus proponentes divide a mídia londrina. Depois que o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da ONU, admitiu que as geleiras do Himalaia não vão acabar até 2035, surge agora um ‘Amazongate’, como apelidou o conservador ‘Telegraph’.


Questiona os dados do IPCC prevendo desaparecimento de ‘até 40%’ da floresta, com o aquecimento. No progressista ‘Observer’, o ministro do meio ambiente declarou ‘guerra aos céticos’.’


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos e Clarice Cardoso


Copa deve triplicar brasileiros com TV digital


‘A Copa doMundo deve mais do que triplicar o número de telespectadores de TV digital no país, na previsão do Fórum do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre), que reúne radiodifusores, fabricantes de equipamentos, membros do governo e pesquisadores.


Desde dezembro de 2007, quando as redes inauguraram a TV digital aberta no Brasil, até 2009, foram vendidos 2 milhões de unidades, entre TVs prontas para exibir canais digitais, ‘set-top boxes’ (caixas conversoras de sinal), celulares com TV digital, mini TVs digitais e outros aparelhos.


Em 2010, a expectativa é de que sejam vendidas mais 5 milhões de unidades, o dobro do que foi comercializado em dois anos. Seriam 7 milhões os aparelhos com TV digital no Brasil.


O ‘boom’ melhora o mercado, mas ainda é pouco para o país (menos de 4% da população).


O barateamento dos produtos ‘há conversores por R$ 300’ é outro fator a favor da popularização da tecnologia.


O aumento na venda de televisores digitais tende a estimular também a procura por assinaturas de pacotes HD (high definition ou alta definição).


‘Ver jogo em alta definição é uma experiência diferenciada. A Copa deve atrair mais gente ao HD e seus recursos, como gravar, parar e voltar a cena [fazer seu próprio ‘replay’]. Sem dúvidas, haverá aumento na procura’, diz Alexandre Annenberg, presidente executivo da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura).


MOLECADA 1


O Nickelodeon exibe em abril a novelinha teen ‘Isa TK+’ (‘te quiero más’), segunda fase do sucesso ‘Isa TKM’. Isa vira cantora desucesso e se muda com a banda da Venezuela para a Colômbia. O primeiro ano da série é exibido na Band.


MOLECADA 2


A segunda temporada da série britânica ‘Skins’, que tem no elenco Dev Patel (‘Quem Quer Ser um Milionário’) e Nicholas Hoult, tem data para estrear no VH1 Brasil: 10/3.


FOLIA


A MTV, que costuma ignorar o Carnaval, estreia hoje programetes sobre a folia. Outra novidade: contratou membros do grupo teatral Deznecessários (Talita, Rodrigo e Paulinho) para o novo ‘Quinta Categoria’, que era de Marcos Mion.


SALDÃO DA FEIRA 1


Na feira Natpe, de programação televisiva, que ocorreu na semana passada em Las Vegas, Silvio Santos foi com a mulher, Íris, e suas três filhas sondar oportunidades para o SBT. Johnny Saad,presidente da Band, assistiua palestras sobre mudanças de comportamento do público. Hélio Vargas, diretor artístico da emissora, procurou por novos formatos de programas. A Globo se concentrou em comprar filmes.


SALDÃO DA FEIRA 2


O clima era de otimismo. Foi grande a procura por produtos em alta definição e de tecnologia 3D, como óculos para os telespectadores. Dos 56 seminários, 21 foram sobre TV digital. A Natpe 2011 será em Miami.’


 


 


Rodrigo Russo


Novo reality acompanha rotina de ações da polícia de São Paulo


‘Como transformar mais de 2.000 horas de ações policiais, nas mais diversas áreas, em uma série de TV com episódios de 30 minutos? Esse foi o desafio da produtora Medialand no reality show ‘Operação de Risco’, a primeira estreia entre os formatos comprados pela RedeTV! para 2010.


O primeiro capítulo, que vai ao ar hoje, define as regras do jogo: a proposta é apresentar o trabalho policial (no caso, das polícias Civil e Militar do Estado de São Paulo), com câmeras em primeira pessoa e edição ágil. ‘Queremos que o público tenha a sensação de estar junto com a polícia’, conta Beto Ribeiro, que assina o roteiro.


‘Nossa intenção não é apontar falhas e fazer denúncias do trabalho policial -o que já é muito benfeito pelo jornalismo-, mas sim aproximá-lo do cidadão, mostrar os limites e a rotina das polícias, levantar questões sociais’, diz Carla Albuquerque, responsável pela direção-geral do projeto.


‘Isso não quer dizer que vamos mostrar uma polícia fofa’, complementa o roteirista Ribeiro, que lançará um livro com base na série.


No segundo caso do programa de estreia, durante uma operação do GOE (Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil) de combate ao tráfico em favelas, um policial pergunta a um suspeito se ele é Silvio Santos, para jogar dinheiro para o ar durante a fuga.


As questões sociais também ficam muito claras. Como resultado da operação, nove menores de idade foram presos.’


 


 


INTERNET


Fernanda Mena


Blog de drag queen faz sucesso na web e pode virar programa de TV


‘Katylene é uma ‘representantchy’ ‘guei’ que ‘ahaza’ na ‘internetchy’ e nas ‘redes socyais’ com um blog que fala de ‘muóda’, ‘creyças’ e ‘baphos’. Não entendeu nada?


Tente ler em voz alta, com a ajuda do glossário nesta página, para entender que Katylene Beezmarcky é uma drag queen blogueira, sucesso na internet distribuindo alfinetadas em assuntos de moda, fofocas e TV.


O site (katylene.com.br) tem 1 milhão de acessos por mês graças aos comentários feitos com gírias de grafias aberrantes: é o ‘katylenês’.


O blog tem como vitrine a imagem de uma drag queen nariguda, vestida de miss, sobre monograma, similar ao da Louis Vuitton, com as iniciais ‘KB’. Um ‘loosho’ (luxo), como diria a blogueira.


Agora, Katylene grava piloto para um programa semanal no canal pago Multishow, que deve ter formato de telejornal e conteúdo similar ao do site.


Mas as aparências enganam. Katylene é uma personagem criada pelo carioca Daniel Carvalho, 22. Ele divide o tempo entre a internet e a noite paulistana, em que atua como DJ despido do alter ego virtual.


‘Meu analista tem muito trabalho porque não sei mais separar o que é a Katylene e o que sou eu.’ Em cinco minutos de conversa, a confusão fica evidente: Carvalho ora fala de si no masculino, ora no feminino.


E de onde surgiu a blogueira? ‘Nunca me vesti de mulher e não tenho amigos drag nem travestis. Resolvi assinar com um codinome bagaceiro: Katylene Beezmarcky, escrito assim por causa da numerologia’, brinca. ‘Katy é uma desculpa maravilhosa porque é escrachada. Então não preciso dar uma de chique ou fina.’


‘Katylenês’


Em tempos de ‘Big Brother Brasil’ fora do armário (a atração tem dois homossexuais assumidos e uma drag queen entre os participantes), Katylene apelidou o programa de ‘GLBBBT’, uma brincadeira com a sigla GLBT, de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. ‘Agora só falta colocarem uma ‘beesha’ bonita’, provoca.


O uso do ‘katylenês’ virou mania entre fãs do blog. ‘Sempre recebo mensagens de gente que preencheu cheque em ‘reaish’ ou escreveu ‘katylenês’ no trabalho da escola’, diverte-se. ‘A reforma ortográfica da Katylene é pornográfica.’


Em um ano e meio de blog, Carvalho coleciona amizades e desafetos entre as celebridades. Carolina Dieckmann, Preta Gil, Reynaldo Gianechini, Xuxa e os ex-BBBs são seus alvos preferenciais.


‘Recebi um e-mail da Xuxa Produções dizendo que, se não tirar do ar as menções a ela e a Sasha, vou ser processada. Mas implicava na medida em que mereciam. Não era nada pessoal’, diz. ‘Queria que a Xuxa autografasse o e-mail pra colocá-lo numa moldura. É um sinal de ‘xuxesso’!’’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


 


LITERATURA


Luiz Zanin Oricchio


Morre o crítico literário Wilson Martins


‘O crítico literário Wilson Martins morreu anteontem à noite, em Curitiba, aos 88 anos. Ele faleceu após passar por uma cirurgia para retirada da bexiga, no Hospital Nossa Senhora das Graças, na capital paranaense, cidade onde Martins era radicado havia muitos anos, apesar de nascido em São Paulo, em 1921.


O corpo do escritor será cremado hoje, em cerimônia reservada à família, no Crematório Vaticano, na capital paranaense. Wilson Martins trabalhou em vários periódicos brasileiros, assinando seu rodapé de crítica literária no Estado, onde teve seu primeiro emprego. Também escreveu no Jornal do Brasil, O Globo e Correio do Povo, entre outros.


Autor de diversas obras, destacou-se pela fundamental História da Inteligência Brasileira, com diversos volumes. Igualmente fundamental é a Crítica Literária no Brasil, história da atividade crítica no País. Com suas obras, Martins ganhou alguns dos principais prêmios literários nacionais, como o Jabuti e o Prêmio Machado de Assis.


Martins foi também professor de Literatura Francesa na Universidade Federal do Paraná e lecionou por 26 anos em Nova York. No entanto, apesar da sólida carreira acadêmica, era na crítica literária jornalística que se sentia mais em casa.


Era um crítico de ‘linha de frente’, que analisa obras no calor da hora, assim que os livros saem do prelo, ao contrário de colegas acadêmicos, que esperam décadas antes de se pronunciar.


Foi no âmbito jornalístico que se tornou conhecido e amealhou respeito geral – mesmo daqueles que desaprovavam suas opiniões.


Martins nunca deixou de escrever o que pensava, como quando desaprovou o romance O Fotógrafo, de Cristóvão Tezza, que admirava, mas dizia conter palavrões em excesso.


Quando completou 80 anos, a editora Top Books lançou um volume em sua homenagem, significativamente intitulado Mestre da Crítica. Nele, escrevem colegas ilustres como Affonso Romano de Sant’Anna, Moacyr Scliar, Edson Nery da Fonseca, Antonio Candido e outros, tendo por tema a carreira do crítico Wilson Martins ou assuntos literários em geral.


Mas o melhor dos ensaios do livro é assinado pelo próprio homenageado. Com o título de O Crítico por Ele Mesmo, Martins faz um resumo de sua vida profissional. O texto serve como testamento de uma carreira e também pode funcionar como inspiração a quem pretenda segui-la, apesar dos percalços atuais do jornalismo cultural.


Martins se dizia educado pelo ‘sistema antigo, de rigor, disciplina e obediência, sem excessos de complacência’. Sua base cultural foi formada em especial pelo autodidatismo. Lia sem parar, desde criança, e, mais tarde, escrever sobre aquilo que lia lhe pareceu tão natural como beber um copo d’água.


Seu primeiro emprego como crítico foi no Estado, em substituição ao então mitológico Sergio Milliet.


Desde o início, Martins não negligenciou o fato de que para apreciar uma obra era preciso compará-la. E o cânone literário, hoje descartado como politicamente incorreto, seria a melhor tábua de comparação disponível. Mesmo porque ele não foi formado de maneira arbitrária, mas por um consenso que vem de um longo assentimento. Shakespeare, Proust, Machado de Assis não ocupam o lugar que ocupam por acaso.


O alvo dessas críticas de Martins era o multiculturalismo e o relativismo, que coloca toda e qualquer obra em pé de igualdade. Isso seria nivelar a cultura por baixo, segundo entendia. Portanto, é a qualidade da obra que deveria nortear a crítica, mesmo que seja tão difícil distinguir, no novo, o que é bom do que não é.


Tentá-lo, e chegar o mais próximo possível da ‘verdade’, é a tarefa do crítico, como ele a concebia. E apontar o que é bom em sua época, o maior desafio daquele que escreve sobre obras alheias. O crítico faz suas apostas. A posteridade julga as obras, e o próprio crítico. Nesse ponto, Martins valorizava seu ofício de crítico ‘de fronteira’, distinguindo-se claramente dos colegas de universidade.


Sempre provocativo, Martins se dizia ‘o último crítico literário em atividade’. Talvez tenha sido mesmo.’


 


 


PUBLICIDADE


Marili Ribeiro


O comercial é brasileiro, mas o cenário é do país vizinho


‘No para-brisa do antigo carro azul, estacionado em frente a um prédio dos anos 50 em estilo neoclássico, há uma multa. A motorista chega e não titubeia. Pega o papel, prende a um balão vermelho que surge ao vento e fica observando ele subir aos céus. Não dá para identificar o lugar. Poderia ser o centro velho de Porto Alegre, Rio ou São Paulo. Mas é Montevidéu, no Uruguai. O país vizinho – que exporta trigo, malte, tubarões azuis congelados, carnes e leite em pó para o Brasil – passou a imprimir suas paisagens nos comerciais vistos por brasileiros.


A escolha do Uruguai para a filmagem do novo comercial da Neosaldina não é um fato isolado. Nos últimos quatro anos, tem se intensificado o trânsito de produções para o país. E há vários motivos para isso. Mas o que mais pesa é o bolso. Filmar lá pode ficar até 50% mais barato que no Brasil.


‘Por 30 anos a Argentina foi um destino solicitado para realização de comerciais. Como locação e também graças ao menor custo. Porém, nos últimos tempos, tem ficado inviável produzir lá’, diz Maximiliano Fox, produtor internacional de RTV da agência NeogamaBBH. ‘O Uruguai ganhou adesões.’


Argentino, há três anos vivendo no Brasil, Max, como é conhecido, não tem perdão para com seus conterrâneos: ‘No Uruguai, as paisagens são semelhantes às argentinas, os talentos bem menos exigentes e inexiste burocracia dificultando o trabalho. Na Argentina, o governo torna uma tortura interditar algum espaço público, ainda que por algumas horas. Os sindicatos fazem exigências dignas de Hollywood para contratação de figurantes’, conta Max.


A facilidade de deslocamento e a agilidade na tomada de decisões são fatores que reduzem os custos. Isso sem contar impostos e aluguel de equipamentos que também são mais baratos. ‘O Uruguai é pequeno, tem uma economia limitada e precisa de qualquer atividade que gere receita’, diz o diretor da produtora Paranoid BR, Egisto Betti. ‘O Film Comission deles, órgão facilitador de filmagens presente em vários países, é um dos mais eficientes que conheci. Consegue liberar uma rua para tomadas cinematográficas em 24 horas. No Brasil, isso levaria uns dez dias, e ainda haveria o pedágio embutido nas inúmeras instâncias fiscais de aprovação.’


Na gravação do comercial da Neosaldina, Murilo Lico, sócio e diretor de criação da agência SantaClaraNitro, viu que essa combinação de fatores faz diferença na prática. ‘Uma das locações fundamentais para o filme não estava funcionando e, por isso, fomos visitar uma segunda opção. No caminho, vimos um prédio perfeito. O produtor uruguaio desceu, tocou o interfone, fez meia dúzia de telefonemas e, com algumas horas de negociação com os proprietários, o prédio estava liberado. Nunca tinha visto isso na vida’, conta Lico.


A escolha de Montevidéu, como conta Lico, foi muito motivada pelo roteiro, que requeria várias tomadas externas e tinha prazo de gravação curto. ‘A luz daquela cidade é menos dura do que em grande parte do Brasil, e a arquitetura abre possibilidades para imprimir lugares diferentes num mesmo contexto’, explica. ‘Outro ponto interessante é que se consegue um elenco desconhecido no Brasil, o que ajuda a evitar atores manjados de comerciais. Um recurso que se pode usar quando não há diálogos.’


Foi para sair da mesmice que o diretor de filmes Pedro Becker começou a sugerir o Uruguai. Foi por lá que ele dirigiu, em 2007, o comercial criado pela agência AlmapBBDO para o Golf, da Volkswagen. A campanha é uma paródia do filme Forrest Gump, um personagem abobalhado que corre o mundo sempre envolvido em situações inusitadas e históricas.


Da mesma agência e para o mesmo cliente, outro comercial mais recente rodado no Uruguai é o premiado Cachorro-Peixe, que abocanhou troféus em todos os festivais que concorreu no último ano. Nele, um motorista sonha que seu cachorro é um misto de peixe. ‘Foi rodado na praia de Jose Inácio, embora achem que é no litoral brasileiro’, conta Betti, que, na época, trabalhava na AlmapBBDO.’


 


 


MEMÓRIA


Marcos Guterman


Arquivo do Estado põe acervo na internet


‘O Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou um site no qual é possível consultar mais de 250 mil páginas de seus documentos. As imagens incluem jornais e revistas dos séculos 19 e 20, anuários estatísticos, cartas e até um alentado censo paulistano dos séculos 18 e 19. A ideia, segundo a direção do Arquivo, é ampliar o acesso público a esse material, para que não fique restrito apenas a pesquisadores profissionais, através do www.arquivoestado.sp.gov.br.


O resultado ainda é incipiente – falta, por exemplo, um sistema de busca mais preciso para facilitar a consulta. A digitalização atingiu por enquanto somente uma pequena fração dos mais de 50 milhões de documentos do acervo. Mas a iniciativa é promissora.


O processamento dessa primeira parte da coleção envolveu uma equipe de 70 pessoas, entre junho e novembro do ano passado. Custou cerca de R$ 400 mil, bancados parcialmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e em parceria com diversas entidades, entre as quais a Imprensa Oficial e o Ministério da Justiça. ‘O trabalho só foi possível com apoio externo’, diz Lauro Ávila, diretor do Departamento de Preservação e Difusão do Arquivo.


A parte mais vistosa do trabalho aparece no site em três páginas temáticas. Em Memória da Imprensa é possível ler, numa edição de 1867 do jornal Correio Paulistano, a grave notícia sobre um acidente na novíssima ferrovia Santos-Jundiaí e um anúncio de recompensa para quem encontrasse uma ‘besta fugida’, ‘grande e nova, ferrada nos quatro pés’, que atende pelo nome de Boneca e que é ‘muito mansa’.


Há também revistas como A Vida Moderna, que em 1914 registrava a entusiasmada visita de militares alemães a São Paulo pouco antes da 1ª Guerra Mundial – e atestava que ‘não há em São Paulo um rapaz elegante que não conheça a casa Hat Store’.


Na divisão Imigração em São Paulo, há dados sobre os núcleos coloniais que receberam grandes levas de trabalhadores estrangeiros a partir de meados do século 19, além de imagens de imigrantes e informações estatísticas. Uma das raridades é a lista original dos passageiros do Kasato Maru, o primeiro navio a trazer trabalhadores japoneses ao Brasil, em 1908. Outra são os documentos pessoais de alguns imigrantes, como certidões de casamento e passaportes, que em certos casos integram prontuários dos estrangeiros considerados perigosos pelo governo, reunidos no Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), criado em 1924.


Por fim, na divisão Viver em São Paulo, há documentos sobre o cotidiano da região entre os séculos 18 e 20. Um dos mais significativos são os Maços de População de São Paulo, levantamento censitário realizado de 1765 a 1850 e que revela dados úteis para compreender as relações econômicas e sociais básicas na então província. É um dos registros mais consultados pelos historiadores.


Ávila diz que a intenção do Arquivo agora é obter recursos para digitalizar mais 1,5 milhão de imagens. O projeto foi encaminhado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). ‘Com isso, teremos o maior site de pesquisa do Brasil’, diz o diretor. Ele adianta que fontes pouco conhecidas dos pesquisadores, como o jornal anarquista O Combate, vão se tornar disponíveis, e tesouros como a coleção completa do Correio Paulistano estarão no ar. Segundo Ávila, o que está no site agora é ‘só um aperitivo’.


DEOPS ONLINE


Um outro investimento desejado pelo Arquivo é abrir para consulta online o acervo do Deops, iniciativa que é objeto de projeto no Congresso. Hoje, por força da lei, o pesquisador que quiser ter acesso aos documentos produzidos pela polícia política brasileira precisa fazer um cadastro, responsabilizando-se pelo uso que fizer das informações, e tem de consultá-los pessoalmente. Ávila diz que a ideia é fazer com que o pesquisador, uma vez cadastrado, receba uma senha para pesquisar os documentos na internet. São mais de 7 milhões de imagens.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Dança antitemporal


‘A Band vai contratar o cacique que Roberto Carlos chamou para evitar que chovesse em seu show de 50 anos de carreira, no Maracanã, no ano passado. Bom, o cacique não, afinal, a chuva estragou a chapinha do Rei, mas a emissora aceita qualquer ajuda do tipo para evitar temporais no dia 14 março, data da tão esperada etapa da Fórmula Indy em São Paulo.


Mérito da Bandeirantes, que lutou para trazer o evento para o Brasil, a Fórmula Indy estreia na capital paulista em um circuito conhecido pelo carnaval e pelos transtornos causados por alagamentos.


Três dos principais pontos do circuito, que envolverá o sambódromo do Anhembi, na zona norte, alagam: Avenida Assis Chateaubriand, Rua Olavo Fontoura, e um trecho da Marginal Tietê. O trajeto será recapeado pela Prefeitura, que não tem como evitar as enchentes.


Com ou seu chuva, a Band, que transmite a Indy com exclusividade, vai direcionar boa parte de sua cobertura jornalística ao evento. Tanto é que o tema eleições só começará a ganhar mais força na rede depois que os carros – que não são anfíbios – cruzarem a linha de chegada no sambódromo.’


 


 


Entrelinhas


‘Boninho ficou querendo. Já Amaury Jr. pode ter Beyoncé em seu programa na RedeTV!. Detalhe: o apresentador conseguiu o approach com a cantora via E! Entertainment, canal onde ele comanda uma atração.


O longa de A Lei e o Crime, da Record – que chegou até a ter o astro Matt Damon convidado para o elenco – subiu no penhasco. O autor Marcílio de Moraes e a emissora não chegam a um acordo financeiro.


Senso de oportunidade? O SBT está anunciando a exibição de Gossip Girl – A Garota do Blog, como Silvio Santos prefere, em blogs que oferecem downloads clandestinos de séries.


A Band quer, a Endemol quer e a Volkswagen (patrocinadora) quer. Agora falta convencer Otávio Mesquita a não pular do barco do Zero Bala em uma nova temporada.


Inimigos há meses, a Record levou um pito do Ibope na semana passada. Desta vez, por conta de seu portal, o R7. No comunicado, o instituto diz que a rede distorceu dados relacionados a rankings na Web e proibiu o canal de citar, em divulgação externa, números de pesquisas e seus concorrentes.


O BBB 10 já está longe das médias de audiência das edições passadas na Globo. Até a semana passada, a média da atração era de 28,4 pontos de ibope. O BBB9, a pior audiência do reality até então, fechou com média de 32,4 pontos.’


 


 


 


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