Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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MONITOR DA IMPRENSA >

Morte de adolescente tem ‘cobertura irresponsável’

06/10/2009 na edição 558

Especialistas em saúde pública do Reino Unido criticaram a cobertura ‘irresponsável’ da morte da adolescente Natalie Morton, de apenas 14 anos, horas depois de ter recebido uma vacina contra câncer de colo de útero, alertando que as manchetes ‘difusoras de boatos’ causam mais prejuízo que benefícios. Após o incidente com Natalie, diversos veículos de comunicação divulgaram que as autoridades haviam cancelado o programa de vacinação. A informação foi, no entanto, refutada pelo Departamento de Saúde, que alegou que houve apenas um atraso na entrega do remédio Cervarix, produzido pela GlaxoSmithKline, depois de o lote da vacina tomada por Natalie ter ficado em quarentena, por medida de precaução.

Após a morte da adolescente inglesa, o governo dos EUA adiou a decisão sobre o licenciamento do Cervarix no país. A FDA, agência americana que controla os setores de alimentação e medicamentos, iria anunciar na semana passada se a droga estaria disponível, mas informou que precisaria de mais tempo para revisar a segurança do produto. A Glaxo garantiu que o adiamento não está relacionado ao episódio britânico e disse estar confiante de que a FDA irá licenciar a droga em breve. O Cervarix já foi aprovado em quase 100 países em todo o mundo.

Caos

Resultados da autópsia preliminar de Natalie afirmam que a provável causa da sua morte foi ‘uma séria condição médica ainda não esclarecida’. Segundo o médico Caron Grainger, diretor-adjunto de saúde pública do Serviço Nacional de Saúde em Coventry (NHS Coventry), a vacinação não seria a causa mais provável da morte da adolescente. Simon Dudman, chefe de comunicações do NHS Coventry, disse que ela tinha uma ‘condição grave e rara que poderia limitar seu tempo de vida’. Por estes motivos, o professor John Ashton, presidente da Associação de Saúde Pública do Reino Unido, alegou não fazer sentido que a imprensa sugira que o programa de vacinação era um caos. ‘Há escolas que não querem mais fazer parte do programa de vacinação por conta do que saiu na mídia. É preciso esperar para ver o que aconteceu com esta menina. É quase improvável que a causa tenha sido a vacina’, opinou.

Ainda assim, pais de outra garota que ficou doente no prazo de 24 horas após receber a vacina pediram ao governo para dar início a uma investigação séria e urgente sobre o medicamento. Paige Brennan desmaiou após receber a terceira dose da vacina, embora ainda não haja provas de que a causa tenha sido o remédio. No Reino Unido, cerca de três mil mulheres são diagnosticadas com câncer do colo de útero a cada ano e cerca de mil morrem devido à doença. Informações de Helen Pidd [The Guardian, 30/9/09].

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