Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

MONITOR DA IMPRENSA > CONVENÇÃO DEMOCRATA

Não mexam com Teresa

03/08/2004 na edição 288

Teresa Heinz Kerry, mulher de John Kerry, fez um discurso no fim da segunda noite da Convenção Nacional do Partido Democrata, em Boston. Fez bonito a candidata à primeira-dama; falou às mulheres, cumprimentou os milhares de delegados do partido em diversas línguas – inclusive português – e se defendeu da gafe cometida dois dias antes, quando ofendeu um jornalista.

‘Meu direito de dizer o que penso, de ter uma voz, é um direito que eu estimo profundamente’, disse com um sorriso. Mas grande parte dos americanos não ouviu o simpático discurso de Teresa. As três maiores emissoras abertas do país decidiram não interromper suas programações normais para transmiti-lo. O que os americanos ouviram falar de sobra, porém, foi sobre o ‘mal entendido’ de Teresa com o editor Colin McNickle, do conservador jornal Pittsburgh Tribune-Review.

A mulher de Kerry falava a um grupo de votantes e jornalistas da Pensilvânia que era preciso ‘acabar com certas peculiaridades não-americanas’ que contaminavam a política dos EUA. Quando ia embora, McNickle perguntou o que ela queria dizer com as palavras ‘atividades não-americanas’. Teresa, que nega ter dito os termos ‘atividades’ e ‘não-americanas’, se afastou do jornalista e falou rapidamente com alguns organizadores da Convenção. E seguida, retornou e perguntou a McNickle se ele trabalhava para o Tribune-Review. Com a resposta afirmativa, ela disse que aquilo era ‘compreensível’. Em seguida, Teresa disse ao jornalista que ele havia dito algo que ela não falou e o mandou ‘enfiar’ a pergunta.

McNickle disse que ficou chocado com o comentário. ‘O objetivo da minha pergunta era entender melhor o que ela queria dizer, fazer com que ela desse um exemplo’, justificou ele. O jornal divulgou uma declaração dizendo que o jornalista fez o que ‘qualquer bom repórter faz: perguntas. E a questão colocada por ele foi legítima’. A declaração também acusava Teresa de ‘recorrer exatamente ao mesmo tipo de tática que ela criticou’.

Para consertar os possíveis estragos do episódio, os organizadores da campanha de Kerry fizeram com que Teresa comparecesse a diversos programas de TV no dia seguinte. Ela falou aos programas matinais das redes ABC, CBS e CNN e ainda conversou com os âncoras Peter Jennings, Dan Rather e Tom Brokaw. Mas não se deu por vencida. Questionada pela apresentadora do programa Today, Katie Couric, se estava arrependida, Teresa respondeu calmamente, mas com firmeza, ‘não, não estou’. Informações da CNN [27/7/04] e de Alessandra Stanley [The New York Times, 28/7/04].

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