Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > THE NEW YORK TIMES

O cuidado com os rótulos

16/03/2010 na edição 581

Um artigo publicado recentemente na revista do New York Times afirmava que o Conselho Estadual de Educação do Texas era conduzido por um bloco determinado a ‘promover a agenda cristã’. O grupo seria dominado por Don McLeroy, criacionista convencido de que a separação entre Igreja e Estado seria um mito de liberais seculares. Ele e seus aliados acreditam que os fundadores dos EUA queriam que o país fosse uma nação cristã, embora muitos historiadores, até mesmo os conservadores, contrariem esta ideia.

O leitor Benjamin Campbell, padre na Virginia, acusou o diário de ajudar ‘uma minoria politizada de cristãos americanos a sequestrar o nome genérico da religião’. ‘O cristianismo, como outras grandes religiões, é tão antigo e tão diverso que estas várias posições políticas e teológicas não podem ser atribuídas à religião’, afirmou, sugerindo que McLeroy e seu grupo sejam chamados de ‘cristianistas’, a fim de denotar seu extremismo.

Definições

Esta batalha sem fim sobre rótulos não é exclusiva da religião, aponta o ombudsman do New York Times, Clark Hoyt, em sua coluna de domingo [14/3/10]. Jornalistas acreditam que rotular as pessoas de cristão, conservador, liberal, populista, dentre outros exemplos, é uma maneira de fornecer aos leitores um sentido rápido sobre de onde vêm e quem são os personagens públicos citados por eles. No entanto, algumas vezes as palavras podem ser tão simplistas que perdem o significado; em outras, o rótulo acaba sendo dado de maneira errônea.

Russell Shorto, que escreveu o artigo em questão, admitiu ter ficado em dúvida sobre como definir pessoas como McLeroy. Ele chegou a pensar em ‘ativistas conservadores cristãos’, mas não poderia usar esta longa definição em todas as frases. Shorto disse esperar que, com o tempo, o uso de termos como ‘agenda cristã’, sem outro adjetivo, pudesse ser entendido a que grupo ele se referia. Para complicar ainda mais a história, muitos críticos alegam que o grupo de McLeroy não é conservador. ‘A separação entre Igreja e Estado é algo conservador. O NYTimes não deveria usar esta palavra para descrevê-lo’, opinou a leitora Simon Rosenthal.

Segundo Gerald Marzorati, editor da revista, rotular de maneira justa os ativistas cristãos de direita é um problema antigo. Antes, eles eram evangélicos, mas muitos, como Jimmy Carter, são liberais, então isto deve de ser corrigido. O termo ‘cristãos conservadores’ passou a ser a saída, embora nem sempre se encaixe perfeitamente. Rótulos são mais que descrições; são armas em uma cultura política polarizada, diz Hoyt.

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