Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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MONITOR DA IMPRENSA > THE WASHINGTON POST

O desafio de se cobrir ciência e tecnologia

09/12/2008 na edição 515

O tema da coluna de domingo [7/12/08] da ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, foi jornalismo científico. O trabalho de jornalistas que escrevem sobre ciência é traduzir temas complicados para o público leigo. Críticos alegam que, por conta deste esforço para se fazer entender, muitas vezes a mídia acaba simplificando demais os temas e não é cética o suficiente.

Para avaliar esta questão, Deborah revisou ensaios que serão publicados em breve, como parte de um projeto da Academia Americana de Artes e Ciência, sobre como a mídia cobre ciência e tecnologia. Além disso, ela entrevistou cientistas a professores.

Dicas

A ombudsman recomenda que jornalistas busquem sempre evidências. O repórter de ciência do Post, David Brown, que também é físico, falou disto em uma palestra recente na Universidade de Iowa. ‘Em ciência, há uma tensão natural entre evidência e opinião, e a evidência sempre vence. Infelizmente, isto não ocorre em muitas matérias científicas’, afirmou.

Repórteres que escrevem sobre o tema devem fornecer aos leitores informações suficientes para que eles possam julgar ‘a força da alegação’ e escrever sobre ‘como a novidade se encaixa ao que já é conhecido sobre o assunto’. ‘Não é sempre fácil reduzir uma pesquisa a poucos números que vão captar a essência de um estudo’, diz Brown.

Um outro conselho é procurar contextualizar os dados, informando se os resultados das pesquisas são preliminares, se há conflito com alguma pesquisa anterior, se já foram apresentados em algum encontro científico ou publicados. Além disso, é fundamental dar especial atenção aos números, recomenda Harold Varmus, ex-diretor do Instituto Nacional de Saúde, já que a maior parte dos leitores não é especialista em estatísticas. ‘As porcentagens podem ser altas, mas qual o risco? Se o risco for baixo, há pouco benefício’, explica.

Propaganda

Don J. Melnick, professor de biologia da Universidade de Columbia, alega que, se a matéria não tiver valor jornalístico suficiente, ela não é impressa e isto faz com que muitos cientistas acabem fazendo uma propaganda exagerada de sua pesquisa. ‘Eles têm que convencer editores a colocar algo no jornal’, diz. Na opinião do editor de ciência do Post, Nils Bruzelius, os editores que selecionam as matérias que vão para a capa tendem a publicar poucas chamadas de temas como ciência, pois não é um assunto que, de modo geral, atraia o leitor.

Um outro ponto a ser levado em consideração é divulgar quem patrocinou a pesquisa e quem está ganhando dinheiro com seus resultados. ‘É um problema muito complicado. Com o governo financiando menos pesquisas, muitos doutores dependem da indústria para financiar seus estudos’, afirma Jonathan Weiner, que ensina jornalismo científico na Escola de Jornalismo da Universidade da Columbia.

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